quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Desabafos e devaneios...

Eu vejo você tentando, e eu desperdiço cada tentativa sua... Isso me angustia! Mas eu, simplesmente, não consigo dizer nada! Você me cala... Eu gosto de ouvir a palpitação, no meu peito, batendo no ritmo de suas palavras... Eu olho dentro de mim quando vejo você e isso não poderia ser mais aterrorizador! Emudeço, estremeço... Eu imagino a sua mão se envolvendo na minha e não passa de um pensamento tolo no meio de tantos outros... Eu queria me transbordar... transbordar e escorrer até você, manchando-o comigo... Mas o medo barra qualquer gota que possa respingar em você. O medo me seca!

***

Desmoronando lentamente... Tento juntar os restos das cascas, ficar rígida de novo! Não resisto por muito tempo. Sorrio para os arredores! Tudo tão falso! Tento fazer do orgulho o meu alicerce! Não adianta! Não impede o desabamento...

***

O desconforto me exausta! Eu só queria um pouco de alívio! Eu não relaxo, estou sempre nervosa, ansiosa, incomodada, inquieta!

***

"Estou olhando nos olhos. NÃO OLHA! Agora, tô fitando a boca, será que estão percebendo? Vou olhar nos olhos de novo pra disfarçar. Não consigo. Isso, ajeita a calça, amarra o tênis que não desamarrou. Olha pros lados! PROS LADOS! Xi, vão perceber que eu tô olhando demais pros lados. Volta pros olhos. Não! Pra boca! Mexe na mochila! Isso, a mochila disfarça bem. Mas eu não tenho o que pegar na mochila. AAAAH! O celular. Finge que tem algo pra olhar no celular. É, essa não vai colar por muito tempo. Será que tá na cara que eu estou desconfortável? Eu não quero que fique na cara. Raquel, olha pra pessoa!!! Sorri! Isso! Presta atenção no assunto! NO ASSUNTO!!!"
Metade do que me falam simplesmente se perde... Isso acima não é nenhum exagero. É exatamente assim que fico em quase todas as conversas. Deu pra tentar entender o INFERNO, e faço questão de ressaltar esta palavra, que é ser eu?
O ator, às vezes, em cena, não sabe o que fazer com as mãos. Pensa isso fora de cena, acontecendo todos os dias. É assim. EXATAMENTE assim! E antes fosse não saber apenas o que fazer com as mãos. Eu não sei o que fazer comigo!

***

Irrita quando querem me fuzilar com piadas e brincadeiras a todo momento. Gosto do contraste. Gosto do riso que surge pra quebrar com o peso da seriedade e responsabilidades. Mas se é o tempo todo, não há o que quebrar. Se a cada coisa que eu disser, eu receber como resposta uma piada, ela se banaliza, ela vira comum e perde o sentido de ser e a força que possui. Ela não transforma, ela mantém. Ela vira rotina, ela se cristaliza. Ela vira monotonia. Ela entedia. Se o humor entedia, não há humor. Não há graça. Não encanta, não satiriza, não reflete, não critica, não cutuca. Apenas irrita e isso não muda nada. O tiro sai pela culatra. Podem discordar. Só estou dizendo que, comigo, não funciona e me sinto metralhada e de saco cheio!

***


Deitou-se no chão gelado. Nua. Precisava sentir o corpo vivo. Pediu que cobrissem seu corpo com rosas vermelhas e que os espinhos fossem penetrados em sua pele. No peito, cravou uma estaca. Algumas rosas mergulhavam no sangue... se confundiam no vermelho vivo. Vivo. O momento que antecede a morte é onde o corpo encontra-se verdadeiramente vivo! Só ali, naquele exato momento; preciso! Um suspiro e fim! A vida de forma plena só é possível em alguns segundos... não vivemos, existimos e existir não é mais do que viver... (25/06/2009)

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Nada mais tem me bastado! Nada. Ninguém! Estou esperando por alguém que, milagrosamente, faça essa porra de vida ter um mínimo de graça! Nada! Ninguém! Mesmo ao me deparar com alguém que pensa a vida como eu, que a sente como eu, não basta. Não é suficiente para que algo aconteça! É um desperdício tamanho! Nada! É aí que percebo que é sozinha mesmo que vou ficar. Não aguento tanta falta de lirismo, sutilezas e delicadezas. Não aguento tanta falta de sensibilidade! Estamos brutos! O amor está desacreditado! Eu já o abandonei. Sim, eu me acomodei. O que eu quero vai além da carne, mas parece que é só a carne que interessa aos olhos babentos... Deixa pra lá... Como já me foi dito, tão sabiamente, eu quero "dessexualizar o sexo"... Bobagem, não é mesmo? Às vezes, eu queria ser só um pouquinho como os outros, estes que olham o sexo como ele é, sem idealização, sem babaquice de menina sonhadora... Estes que desejam e fazem sem muitas teorizações, mimimis, devaneios e rodeios... Sentem o que tem que sentir, e isto basta! Mas, pra mim, não! Nada basta! Sempre à espera do que não chega... E eu nem sei mais o que espero... O esperar é confortável, no fim das contas... Deixa pra lá... Ninguém tem nada a ver com isso mesmo.

sábado, 31 de março de 2012

Texto novo. Não é uma poesia, nem um conto, sei lá o que é isso. Uma angústia. Eu escrevo angústias...


O silêncio sepulta o peito e os lábios acimentam-se. 
A língua, agora pétrea, repousa na boca. 
Vaga, penitente, a virgem enlutada sob o manto negro.
Desfaz-se, em cinzas, os pés descalços, secos.
Secos... 
Os olhos, opacos, não lamentam a própria morte.
Vaga a virgem enlutada... a virgem seca. 
Seca!

(Raquel Zichelle - 30/03/2012)

segunda-feira, 12 de março de 2012

Fiz uma nova poesia, se é que posso chamar assim. Ela foi inspirada em músicas que estava ouvindo esses dias... Não tem título, por enquanto. E talvez eu ainda a modifique. Mas, por ora, é isso:

Se me vê, não vejo.
Se te olho, escondo.
Se me toca, é de raspão.
Se sorri, sorrio.
Se fala, me calo.
Se silencia, nem um pio.
Se fica, já parti.

Se com, eu sem.
Se sim, eu não.
Se vem, eu na contramão.
Se me beija, é no rosto.
Se me olha, desvio.
Se desvio, já não viu.
Sorri, você já partiu.

(Raquel Zichelle - 11/03/2012) 

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Alguns textos que escrevi voltando pra casa hj (e alguns pensamentos que tive):

A garota que sorri atrás do vidro da janela

Parada, em pé, a garota vislumbra o que acontece além da janela. E sorri.
Há pessoas rindo.
Algumas discutem.
Outras se beijam.
Todas vivem.
A menina contempla a vida ao seu redor, sempre atrás do vidro. E sorri.
Ela está ali. Mas é como se não estivesse. As pessoas até notam que atrás da janela há alguém e, de vez em quando, olham pra menina. Mas ela é apenas a menina atrás da janela.
E sorri.

(Texto inacabado)

***

Eu vou me rasgar até toda dor sair.

***

"O que é a dor?" ou "Só mais uma definição de dor"

Há estrelas dentro de mim.
Bilhões delas.
Bilhões delas cutucando,
perfurando,
penetrando,
alfinetando,
insistentes, insistentes com suas pontas finas.
Com suas pontas laminosas.
Pratas.
Facas.
E, ainda assim, tão belas.

***

Deitada no chão do quarto, olhando o teto. Ouvindo Fix You e cantando "when you try your best, but you don't succeed...". Essa sou eu deprimida.

***


Talvez eu saia como a vilã da história.
Mas ninguém olha pra própria vilania.
Se é que há vilões realmente.

***

"Desistir não é andar pra trás. É mudar de caminho". Essa frase pode ser clichê ou meio "auto-ajuda", mas caiu como uma luva pra mim. Desistir de algo que não serve mais não é covardia, pelo contrário, é um ato corajoso e sábio. Saber dizer adeus pra aquilo que já não faz mais sentido é difícil. Mas por que insistir na rua sem saída? Há outros caminhos.

***

Por ora, são esses os pensamentos e textos. Alguns inacabados e toscos, mas precisava escrever aqui.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Essa postagem vai ser bem longa, pois tenho muito que dizer.

No último ano, eu emudeci. Não fui capaz de exteriorizar o que sentia, exceto em poucos momentos, com uma ou outra pessoa (e uma delas, a minha psicóloga). Emudeci a escrita também. Quem acompanha o meu blog (quase ninguém, hehe) deve ter notado o silêncio. Eu costumava escrever bastante aqui, sempre usei meu blog como refúgio, mas no último ano, eu quase não apareci por aqui e a última publicação antes dessa é de agosto! Eu tentei desabafar as dores e aflições, tenho alguns rascunhos salvos, mas não conseguia finalizar os textos e publicá-los. Sentia que não devia tornar público os meus sofrimentos. E o que fiz nesse tempo foi apenas publicar no Recanto das Letras textos já antigos, dores antigas (embora algumas ainda existam). E tanto silêncio só poderia me levar a um caminho: o mais distante possível das pessoas. Mas eu tinha que fazer isso. Eu estava machucada, profundamente magoada, com a ferida exposta. Então, me recolhi. Fui cuidar da ferida, coloquei as bandagens e esperei até que cicatrizasse. Quietinha no meu canto. Não podia deixar que se aproximassem e infeccionassem a ferida e nem podia contaminar ninguém com a minha dor. Só que enquanto eu cuidava do machucado sem pedir ajuda a quase ninguém, as pessoas que eram próximas trataram de cuidar das suas vidas, estabelecendo laços com outras pessoas, fortalecendo a relação com elas. E eu me senti fora de tudo. Fora de sintonia. Sozinha. Acho que nunca me senti tão sozinha como no último ano. E não sei se culpo apenas a mim por ter me afastado ou as pessoas que não perceberam que eu estava sofrendo em silêncio. Não sei nem se há culpados. Mas a sensação que eu tinha era a de que eu estava colocando tijolos ao meu redor, enquanto do outro lado do muro, as pessoas colocavam cada uma seu tijolinho também. Mas talvez elas quisessem ajudar e eu também não tenha percebido. Vai ver eu deixei mãos estendidas sem resposta. Não sei. Não importa mais. Eu precisava ficar sozinha pra me curar. Pra entender a raiva que eu estava sentindo, a mágoa, a desilusão, o orgulho ferido e a vergonha. Foram meses difíceis. E agora eu preciso correr atrás do que e de quem deixei pra trás. E não sei muito bem como fazer isso. Eu já era fechada com as pessoas mesmo quando estava me sentindo bem com elas, e agora é ainda pior. Eu nem ao menos sei se elas me querem de volta. Não sei se ainda há espaço na vida delas pra mim. Eu vou ter que reconquistar esse espaço. Vou ter que me abrir, me mostrar, escancarar as minhas fragilidades, a minha vulnerabilidade. Vou ter que sair da minha redoma ou permitir que entrem nela. Eu estou com medo. Quando eu tento quebrar alguma barreira e me aproximar, eu me sinto ridícula. Fico achando que tudo o que eu falo é idiota e sem sentido. Fico achando que as pessoas estão pensando "n" coisas a meu respeito (coisas ruins). Então, eu não arrisco com medo dos julgamentos. Medo de ser rejeitada. Engraçado, temo ser rejeitada pelos outros, mas rejeito a mim mesma. Eu mesma já me condeno. Eu me acho tão sem graça. Ou me deixei acreditar nisso, por culpa daquelas pessoas que não gostavam de mim e que, sim, eu era sem graça pra elas, eu era boba, feia, esquisita pra elas. Eu fui rejeitada por elas. Mas eu não deveria dar valor ao que elas pensam a meu respeito. Eu não posso agradar todo mundo (e ainda não consegui me convencer disso, embora repita isso constantemente). Mas aquelas risadas de zombaria ainda ecoam em mim... mesmo tanto tempo depois... E eu deixo isso afetar todas (ou quase todas) as minhas relações. E eu fugi e fujo delas. E ainda me escondo usando a desculpa da "coitadinha rejeitada". É patético, eu sei. Nunca neguei que sou patética (tenho até um texto todo dedicado ao meu pateticismo).
E, como toda boa solitária que foge de relacionamentos, eu me alimento de fantasias, sonhos e idealizações. Eu criei personagens, amigos, amores. Alter ego. Dei vida a bonecos. E acredito neles. Encontrei neles uma forma de expressão. Mas quem entende uma pessoa com quase 26 anos andando pra cima e pra baixo com um leão de pelúcia (ou outros bichos de pelúcia), falando através dele, criando histórias, músicas, situações? Dizem que sou infantil. Tem um filme com o Mel Gibson que ele tem um fantoche de castor e faz o mesmo, mas eu não assisti ainda e queria mto ver, não sei direito como é a história, mas parece que ele acaba se deixando dominar pelo boneco. Não acredito que seja o meu caso. Eu cresci assim. Desde que me conheço por gente, eu brinco com meus bonecos e foi natural crescer desse jeito. Não tive a fase: “agora eu sou uma mocinha, vou trocar meus brinquedos por maquiagem”. E, sinceramente, não sei pq algumas pessoas se incomodam com o fato de eu não ter feito isso. Elas se acham muito adultas por que abandonaram seus brinquedos? Eu acho isso triste e não motivo pra orgulho. E é bastante questionável a idéia de infância e do ser adulto e o comportamento que cabe ou não a eles. Eu uso meus bonecos como uma forma de comunicação, assim como a escrita, pra tentar contornar a minha dificuldade de aproximação, de contato, de fala, de olho no olho com as pessoas. E também são companheiros. Sabe o Wilson do filme Náufrago? Então, tenho meus Wilsons também... E é isso. Às vezes me sinto envergonhada, ou até mesmo louca, por causa disso, mas é apenas eu sucumbindo ao controle que os outros querem impor sobre mim. O que eu acho prejudicial é o fato de eu ser tão sonhadora e idealizar tanto as coisas que acabo me decepcionando pq o mundo não é doce e sensível como eu gostaria que fosse. Então, eu preciso viver isso na ficção, de alguma forma. Aí eu me apego a músicas, filmes, séries, personagens... e me deixo envolver. Mas sobre isso eu escreverei outro dia (pretendo, pelo menos). Ainda tenho tanto a dizer, mas está tudo confuso. Vou tentar não emudecer outra vez e escrever os incômodos no blog como eu sempre fiz. Por ora, é isto.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Estou tentando escrever há meses, mas não passo do rascunho...
Acho que porque não consigo definir a fase na qual estou.
Ando estranha. E reprimindo, mais do que nunca, os sentimentos
e pensamentos. E, por conta disso, sinto que vou explodir a
qualquer momento. Então eu paro e respiro fundo, como se eu
quisesse empurrar tudo ainda mais pra dentro de mim e deixar
bem escondido. Talvez, eu não exploda, mas imploda. Eu não quero
ferir ninguém, mas estou ferindo a mim mesma. Aqui dentro, um
pedaço de mim desmorona a cada dia e ninguém vê, pois minha carcaça
está intacta. E a maior parte das pessoas só se interessa pela carcaça
mesmo. Então está tudo bem enquanto meu sorriso estiver rasgando meu
rosto.
Mesmo que esteja rasgando, pouco a pouco, cada tecido, órgão e pele.
Emudeci.
E os gritos com os olhos não são vistos ou ouvidos. Não são nada.
Vou ficar aqui quietinha no canto... implodindo.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Alguns escritos no caderno ou em notas no celular ou apenas
pensamentos antes de dormir ou no metrô ou durante a aula...:

Meu coração era feito de açúcar.
Azedou!
Minha alma amargou, amargurou, mal agourou!

(24/05/2011)

***

Adormecendo a alma! Porque, quando se dorme, não dói mais!

(24/05/2011)

***

Eu deveria ter nascido uma barata. Assim quando eu fosse pisada,
morreria e pronto.
Ser humano é pisado tantas vezes e tem que suportar.

(24/05/2011)

***

Pense igual a todo mundo e viva rodeado de pessoas.
Pense diferente e fique sozinho.
Eu fiquei sozinha!
Deve ser porque as pessoas só querem ouvir aquilo que agrada.
Mas eu também queria estar perto de pessoas que pensam como eu.
Se eu as achasse!

(24/05/2011)

***

Hai Kai

No peito, a verruga
nada mais é do que
o coração, este sanguessuga!

(17/05/2011)

***

Só a sua presença já me ultraja!

(28/03/2011)

segunda-feira, 2 de maio de 2011

A tristeza fez de mim a sua morada e trouxe, como hóspede, a raiva. E as duas têm me habitado há um longo tempo. Tão longo que eu me habituei a elas. Gosto da companhia.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Fernando Pessoa(s)

Hj fui ver a exposição do Fernando Pessoa no Museu da Língua Portuguesa. AMEI!!! Identifico-me com sua pluralidade e multiplicidade. "Sê plural como o universo", ele disse. Lá no Museu, me lembrei que dentro do caderno na minha bolsa estava um papelzinho onde eu tinha escrito: "Quem? Eu sou quem? Eu sou qual? Ou quais? Eu sou plural. Eu não sou, eu são!" (Raquel Zichelle, 14/11/2010). Foi engraçado me dar conta deste papel ali no meio de tantos Pessoa, tantas pessoas. Não é de agora que eu admiro o poeta, minha identificação com seus escritos vem de longa data, mas hoje, mais do que nunca, eu senti que "eu sou muitos" (como ele também disse) e que posso ser tantas outras mais, sem medo ou vergonha por não ser uma!

domingo, 9 de janeiro de 2011

Eu deveria largar tudo e ir dormir. Mas uma dor aguda nos ossos me impede de levantar da cadeira e ir para a cama, mesmo ela estando aqui do lado. Na verdade, a dor nos ossos não é o problema. Eu não quero dormir porque há uma ânsia de não sei o que apertando o peito. E eu só queria me aquecer. A noite tem uma brancura gélida. E não adianta eu me encolher. A cabeça toca os joelhos, mas é a minha cabeça nos meus joelhos e nunca a cabeça de outrem nos meus joelhos ou a minha cabeça nos joelhos de outrem. Mas a solidão penetra meus pelos. A solidão toca, íntima, meu corpo. Os olhos úmidos - únicos - na secura do abandono. O silêncio gargalha nos ouvidos. Minha mão segura minha outra mão: vai ficar tudo bem. Mas eu não tenho certeza. Cada poro de minha pele grita. Mudo. E o relógio pula os minutos zombando de mim. Eu deveria dormir. E só despertar quando os ossos estiverem quentes. Mas eles estão sempre frios. Eu deveria apenas dormir. Dormir. Mas é tudo tão frio... tão frio...

(04/01/2011)

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Ela entrou na sala, entregou o pacote nas mãos dele:
- Te comprei um presente. Estou saindo da sua estante e comprei um livro pra por no lugar.
Deu as costas e saiu de cabeça erguida. Nunca mais voltou.

(texto inspirado numa conversa com minha irmã hj: 23/12/2010)

sábado, 13 de novembro de 2010

Eu estou sempre me justificando... Já perceberam? É porque eu me sinto culpada e preciso de uma desculpa, se não for pra vcs me desculparem, então eu tento desculpar a mim mesma, procuro razões politicamente corretas para meus atos politicamente incorretos. Mas o que é correto e o que não é? Quem diz o que se deve ou não fazer? Eu deveria seguir as minhas próprias regras... sem culpa. Mas me culpo quando fujo das imposições alheias e me culpo quando as sigo. Parece que estou sempre errada. Seja lá o que signifique "errado". "Quando nasci, um anjo torto / desses que vivem na sombra / disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida" (Poema de sete faces, Drummond). Acho que o mesmo anjo torto me visitou e eu só sei ser gauche.
Não correspondo às expectativas dos outros e quando correspondo, então não satisfaço a mim mesma: ou eu faço o que os outros querem como uma bonequinha e sou recompensada por isso ou quebro com as expectativas alheias e não suporto as consequências... eu não sou forte o bastante para agir por conta própria, não sem prejuízos. Eu me importo com os julgamentos, eu me importo com o que pensam a meu respeito. Mas é como a música diz: "Se eu for ligar para o que é que vão falar, não faço nada" (O Mundo, Capital Inicial). É isso. Tento me convencer disso. Eu não posso agradar o mundo! Por mais que eu queira! Nem se eu me repartisse em milhares e cada pedacinho fizesse o que os outros quisessem, nem assim eu conseguiria agradar, então, por que buscar por uma perfeição impossível? Por que me perder nessa busca? Eu deveria agradar a mim mesma em primeiro lugar e depois me preocupar se agradei os demais ou não. Não que eu não deva me preocupar com as pessoas, mas saber a medida certa de me importar. Eu não deveria pedir permissão para viver. Mas é o que eu faço! Estou aqui sempre pedindo licença, como se eu não pudesse estar aqui. Como se eu tivesse que andar sempre na ponta dos pés para não incomodar ninguém. E é tanta culpa corroendo o corpo. Tanta culpa! Culpa que me envergonha! Talvez isso explique a timidez... a cabeça baixa... os desvios do olhar... é culpa, tudo culpa! Não posso encarar as pessoas e seus olhos me condenando! Na verdade, eu sou a minha maior inquisidora! Eu já me condenei, eu mesma me sentenciei. E por isso eu mesma me puno! Por que será que eu sempre procuro algo pra sofrer? Porque eu acho que mereço a dor! Eu acho que mereço sofrer! Eu me castigo por crimes que nem sei se cometi! Eu só sinto a culpa, culpa, culpa, culpa... a culpa ecoa dentro de mim! Atordoa! Enlouquece! Culpa! Culpa! Culpa! E não importa o quanto eu tente me justificar. Eu não consigo o perdão, o meu próprio perdão. Não importa se eu tenho consciência de que eu mesma me coloco tanta culpa, culpa por algo que nem existe, que nem sei o que é. Não importa que eu saiba disso, não faz diferença. O fato é que eu não me perdôo por ser quem eu sou. Não tem o que perdoar, não é preciso perdão, eu sei. Eu sei disso tudo! Eu sei! Mas saber não me impede de sentir culpa... não adianta... e todo esse texto não passou de uma justificativa que não levou a nada, um pedido vão de clemência, uma tentativa desesperadora de fugir do castigo, mas a guilhotina já está afiada e o carrasco pronto, e eu tenho o pior carrasco: EU!

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Falei de constrangimento no último texto e cá estou constrangida por tê-lo escrito. Não sei bem porque, mas ele não está me satisfazendo agora. Acho que foi um desabafo precipitado, não sei, não era bem o que eu queria dizer, mas ele tem a sua importância, eu valorizo os desabafos, naquele momento pareceu ser o que eu queria dizer, por mais que agora não seja. Então o texto registrou um momento meu, é único e, portanto, rico. É a minha vida! Mas eu tenho vergonha da minha vida! Ok, esse assunto foi o mesmo do último texto, então por que estou me repetindo? Eu cansei de me repetir! O cansaço também é tema batido por aqui... tsc tsc... Preciso de coisas novas para me cansar! Preciso de dores novas! As velhas já encheram... É sempre o mesmo: nunca me sinto pertencendo a algum lugar! Tá na hora de trocar o disco. Tá na hora de focar noutras coisas. Tá na hora de eu começar a escrever o livro que sempre quis escrever, talvez rendesse mais do que escrever tantos desabafos... sei lá, podia voltar a escrever contos e mais poesias, mesmo que eu me frustre por não ser uma escritora genial. Ok, eu sei, eu me cobro demais! Quero uma perfeição impossível... Eu devia relaxar mais. Eu levo as coisas muito a sério. Muito mesmo! E daí se algumas coisas não saírem como o planejado? E daí se eu quebrar a cara algumas vezes? E daí se eu rir dos problemas de vez em quando? E daí se eu for ridícula? Por que eu tenho tanto medo do ridículo? E daí se eu não tenho a beleza padrão? Se meu cabelo não é igual do comercial da L'Oréal? Essas coisas não importam... há quem ache que uma pessoa vale a pena se tiver no padrão. Eu não acho, então eu não deveria querer me encaixar no padrão só pra ser aceita por essas pessoas. É tão bom não estar no padrão. Eu não sou um rótulo! Eu sou uma e sou tantas ao mesmo tempo. Eu valho a pena, poxa! Eu não deveria me sentir um peixe fora d'água por pensar diferente da maioria que me cerca. E não estou dizendo que sou melhor do que a maioria por ser diferente. Na verdade, eu sou igual, mas eu sinto como se fosse diferente. Mas igual, diferente, que importância tem? Eu sou humana. Cheia de defeitos e qualidades como qualquer outra pessoa. Cheia de sentimentos e pensamentos e contradições. E hipocrisia. E confusões e dúvidas. Eu vou ser injusta às vezes. E ser injustiçada tantas outras vezes. E vou lutar pra mudar isso. E vou sentar e não fazer nada, outras vezes. Eu vou magoar as pessoas. Muitas pessoas. E vou ser magoada muitas vezes. E desprezada. E rejeitada. E pisada. E maltratada. E esquecida. E superada. E ferida. E vou me sentir uma aberração, alguém que não merece ser amada. E meu peito vai apertar e vou sufocar de dor. E vou pensar coisas ruins de mim mesma. E vou querer acabar comigo mesma. E vou acabar se acreditar nisso. Mas aí alguém vai sorrir pra mim. Ou eu vou olhar pela janela e ver cachorros sem donos em bando atravessando uma rua e vou sorrir. Porque a vida pode ser simples, às vezes. E vou ver o pôr-do-sol e o rosa no céu. E o formato engraçado das gotas d'água no chão enquanto tomo banho. E vou sentir o vento dançando com meus cabelos. Ou fazendo rodopiar um saco plástico perdido pelas ruas. E vou abraçar meus bichos de pelúcia e conversar com eles. E vou rir por me achar tola por fazer isso. Mas vou continuar. E vou criar histórias mirabolantes e aventuras excitantes só porque é engraçado poder imaginá-las. E vou fazer confidências para o travesseiro. E vou tocar as paredes de todos os lugares que visitar só pra saber que textura tem. E vou imaginar as pessoas em situações bizarras. E rir por imaginar os amigos tomando banho ou usando o banheiro. Eu vou ver flores coloridas e sentir paz por poder ver as cores. Eu vou soltar bolhas de sabão. Muitas bolhas de sabão. Porque eu amo bolha de sabão e sua leveza! Eu vou lembrar da infância e de como era mágico ser criança. E ainda é mágico! Pois apesar de toda dor que sufoca o peito, eu ainda tenho os olhos de menina. Eu ainda sou a menina que se encanta com pisca-pisca no Natal. E que acredita em Papai-Noel. Pode falar que ele é um porco capitalista. Só que é o seguinte: a menina aqui sempre recria as coisas. O meu Natal não é o Natal cristão, o meu Papai-Noel não é o Papai-Noel que todo mundo conhece. O meu é só meu. As luzes piscando pela cidade são vagalumes. Eu amo luzes! Brancas, azuis, rosas, vermelhas, amarelas, roxas, cor de burro quando foge. A luz que for. Eu reinvento tudo. E dou o meu significado pra tudo. Você pode aceitar a maneira que as coisas foram feitas ou modelar a sua própria maneira. Eu acho mais divertido brincar com as coisas. Falando assim, nem pareço a pessoa que leva tudo a sério! Mas eu sou contraditória. E eu sou tantas, como disse. A mulher é a séria, a menina é a brincalhona sorridente. Eu sou as duas ao mesmo tempo. É, é difícil fazê-las conviver, mas é possível. Assim, dessa forma confusa... Eu sou pessimista e otimista de uma só vez. Com a mesma graça que vejo algo, enxergo sem graça. Não sei se você me entende... no fundo, todo mundo é assim assim.
Eu só sei que me encho de furor quando me sinto injustiçada e me encho de paz ao ver as gotas da chuva na janela escorrerem quase como se estivessem apostando corrida umas com as outras. E eu sinto vontade de chorar toda vez que me deparo com algo assim. E eu sinto vontade de sair pelo mundo correndo e chegar num lugar beeem alto e rodopiar com os braços abertos, sentindo o vento dominar todo o meu corpo. Mas eu também às vezes sinto vontade de me jogar desse lugar alto. E deixar meu corpo estatelar no chão. E eu sinto vontade de me rasgar. E eu sinto vontade de ficar sozinha. E sinto vontade de segurar a mão de alguém às vezes só pra ter certeza de que tudo ficará bem. E eu quero olhar as estrelas. Porque eu amo estrelas. E eu as sinto brilhar aqui dentro, já disse isso mil vezes, elas tremulam aqui, tal qual disse Clarice Lispector. Eu queria poder tocar as estrelas. Segurar uma por uma e roubar algumas. As mais bonitas. Só pra deixar as "feias" no céu pras pessoas aprenderem a apreciar o feio de vez em quando.
E eu quero dar beijos, muitos beijos. Beijar bochechas, bocas, pescoços, mãos, ombros...
E eu quero abraçar... quem for, o que for... envolver o que me cerca.
E eu quero ter mil rostos... mil corpos... mil vozes e sorrisos e risadas e choros. E eu quero que o meu sorriso seja o mais encantador para alguém. O sorriso que faz o coração parar, como diz uma música do Capital Inicial... E eu quero não sentir timidez... quero estar com as pessoas e me sentir confortável, completamente confortável e à vontade... e às vezes, quero me sentir desconfortável... às vezes quero que me deixem com vergonha, para adorarem meu rosto vermelho.

As pessoas falam de uma realidade que eu não sei sentir. Porque eu sempre fui utópica e sonhadora e fã de ilusões. Mas às vezes eu acho que quem se ilude são as pessoas que pensam que não podem ter uma vida de sonhos. É, pelo jeito, eu não levo as coisas tão a sério assim. Na verdade, quando falo em levar a sério, é porque eu sou tão intensa que quando algo me incomoda, me incomoda pra valer. Mas também quando sonho, é pra valer. Quando brinco, é pra valer. Seja algo ruim ou bom, é pra valer, é intenso. Eu sinto tudo... o problema é que de um tempo pra cá, tenho me sentido mal, pesada, mas eu quero a leveza da bolha de sabão!!! Eu quero flutuar por aí... não quero ter corpo nenhum me prendendo aqui... E eu só queria encontrar outras bolhinhas de sabão pra viajarem comigo... Você quer ser uma bolha de sabão pra partir comigo?

Pode ser fácil flutuar... só é preciso se permitir... eu vou me permitir de vez em quando, só pra variar. ;)

domingo, 17 de outubro de 2010

Tenho me sentido estranha... constrangida... Se bem que sempre me senti assim, desde que me conheço por gente eu estranho esse mundo, eu estranho a mim mesma e sinto constrangimento por estar aqui. É como se eu tivesse que pedir licença e desculpas o tempo tempo pra viver. Porque eu sempre me senti fora do lugar. Aí eu vou andando pelas beiradas, tomando cuidado pra não ser vista. Mas aí eu me encho de coragem e grito pro mundo que eu tô aqui. E depois me arrependo e a culpa aumenta. Que pretensão a minha querer que o mundo me veja! Quem eu sou? Uma ninguém... sou só mais uma vagando num mundo que não me pertence e que não pertenço. Eu não me encaixo aqui! Eu não me encaixo em lugar nenhum! Mas, ao mesmo tempo, eu queria estar em todos os lugares, em cada cantinho desse planeta, eu queria conter em mim todas as coisas! Mas não dá... eu deveria parar de desejar o que não dá. Mas viver sem sonhos é tão sem graça... E viver sonhando é desesperador...
O constrangimento não me deixa... eu sinto vergonha de mim... eu não consigo encarar as pessoas, as coisas... não suporto que elas me encarem de volta... Eu quero sumir... Mas, no fundo, eu gostaria de ser percebida, mas não da maneira que eu me encontro, mas talvez da maneira que eu seja realmente e que está perdida por aí. Eu não gosto da maneira que estou. Pois não é possível que eu seja assim, eu estou assim, apenas... por um motivo que eu não faço idéia... ou será que eu simplesmente não quero aceitar que essa Raquel seja a Raquel? O que há de errado com a Raquel? Não sei se há algo de errado, mas também não parece certo... Eu não sei... eu apenas não consigo olhar pra mim mesma e me ver! Por que eu não posso simplesmente estar bem? Por que eu tenho que arranjar uma maneira de me sentir mal? Por que eu gosto da tristeza? Por que eu não posso apenas acordar e me sentir viva? E por que tantos "porquês"? Eu procuro um sentido que não é possível achar. Uma coerência que não existe! Eu preciso viver uma coisa de cada vez. Mas eu quero atropelar tudo, maldita ansiedade!!! Eu quero ter tanto controle sobre as coisas que não me permito me perder... mas eu me perco... mas se eu não tivesse medo de me perder, perder-se não seria ruim... mas é tanto medo... eu preciso ter controle sobre as coisas!!! Mas eu queria me perder em um abraço... será que um dia vou confiar tanto em alguém a ponto de me entregar completamente ao seu abraço? Eu amo abraços... mas eles têm sido tão distantes... eu queria um abraço que fosse além dos corpos juntos, um abraço de alma, de essência, de sentimento, de pensamento, um abraço que realmente fundisse duas pessoas e não apenas tocasse dois corpos que não significam nada! Aliás, cansei dos corpos e de suas formas previsíveis... o que eu quero não tem forma!
Eu queria deixar de racionalizar... aceitar o caos e ter paz! Mas não me parece possível...
Está tudo tão distante de mim...
Eu quero ir embora... sair daqui... sair da mesmice (ou mesmisse?)... fugir do marasmo... fugir de mim... não aguento mais as mesmas coisas e pessoas!!! Os mesmos pensamentos cutucando incessantemente... a dor agulhando o peito... o ar que sufoca...
Eu vou embora antes que esmoreça de vez!
Adeus!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Desabafos...

No dia 25/09/2010 escrevi um texto, não terminei, mas coisas que falo nele continuam sendo verdade, então vou postar assim mesmo. Depois, vou postar outros textos, um de hj e outro de 2007.

"Eu não sei muito bem o que eu quero falar, mas algo pulsa aqui dentro querendo que eu fale... qualquer coisa que seja. Eu guardo tantos segredos que eles estão me matando... A minha vontade é de gritá-los... mas eu não posso... não posso pois não arcaria com as consequências, essa que é a verdade. Eu sou covarde. Eu sou uma menininha assustada! Uma menininha que criou um mundo próprio, um mundo de ilusões! E todos que tentam entrar nesse mundo acabam destruindo um pedaço dele e a menina não quer desilusões! Mas é só com o que ela tem se deparado: desilusões! E isto está matando a menina! Então, saiam do mundo dela!!! É bem verdade que ela quem leva as pessoas para o seu mundo, mas se ela der a mão pra você e te convidar pra entrar, não aceite! Não brinque com a menina, pois ela não sabe brincar! Ela cai nas próprias armadilhas! E quem sofre é ela! E você nem se dá conta! E não é culpa sua! Mas deixe a menina em paz... é só o que ela quer: paz!" (25/09/2010)

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Cansei de mim. Estou em desavença comigo mesma, como disse o poeta Sá de Miranda: "Comigo me desavim/ Sou posto em todo perigo/ Não posso viver comigo/ Nem posso fugir de mim".
Eu não posso fugir de mim e cansei de não poder. Não posso viver comigo e cansei de viver. E cansei da minha idiotice. Cansei do mundinho de merda que eu criei pra mim. Mundinho de ilusões. Na verdade, cansei das pessoas esfregando o tempo todo na minha cara a realidade. Não cansei das ilusões, mas das desilusões. Eu poderia viver sonhando. Simples assim. Mas insistem em me fazer engolir a realidade. Eu não quero a realidade. Eu cansei da realidade. Eu cansei de falsas palavras: de ouvir e de dizer. Eu cansei de mentir. Eu cansei de me esconder atrás de máscaras. Eu cansei do meu sorriso, mas não cansei das minhas lágrimas. Eu cansei de querer ser alegre. A tristeza sempre combinou melhor comigo. Eu cansei de pensar nas pessoas. Eu cansei de só pensar numa pessoa. Eu cansei dos seus olhos azuis. Eu cansei da dependência e do apego. Eu cansei de ser patética. Eu cansei das palavras. De todas. Eu cansei dos sentimentos. Eu cansei dos meus pensamentos. Eu cansei de me sentir deslocada, de estar fora do lugar, de me sentir um peixe fora d'água em qualquer lugar que eu esteja, com qualquer pessoa que seja. E da sensação desconfortável que isso dá. Eu cansei das brigas. Eu cansei dos espelhos. Eu cansei de acordar. Eu cansei de querer chamar a atenção. Eu cansei de me fazer de vítima. Eu cansei de ser uma menininha assustada. Mas eu só tenho medo! Eu cansei da culpa! Da culpa que corrói cada pedaço de mim! Eu cansei de me sentir ridícula. Eu cansei dos desejos, das vontades. Eu cansei dos sons. Eu cansei das provocações baratas e joguinhos bobos! Eu cansei da minha timidez. Eu cansei do meu embaraço. Eu cansei da minha pele. Eu cansei da minha forma. Eu cansei da minha voz. Eu cansei das minhas reclamações e irritações. Eu cansei de ser humana. Eu cansei dos discursos, dos protestos. Eu cansei do meu olhar perdido. Eu cansei de cansar. Eu cansei de não saber. E cansei de saber. Eu cansei da gravidade. Eu cansei de ter os pés no chão. Eu cansei do amor. Eu cansei de só saber amar com raiva. Eu cansei da raiva. Mas a raiva que eu sinto de mim só aumenta. Eu cansei do ar. Eu cansei de respirar. Eu cansei de respirar fundo. Eu cansei de suspirar. Eu cansei de erguer a cabeça. Eu cansei do meu estômago. Eu cansei da ânsia. Eu cansei do aperto no peito. Eu cansei de querer agradar. Eu cansei de esperar a perfeição. Eu cansei de exigir. E de ser exigida. Eu cansei de querer abraçar o mundo. Eu cansei de me importar. Eu cansei de culpar os outros pela minha dor. Eu cansei da minha dor. Eu cansei de soltar a corda toda vez e me jogar no fundo do poço. Mas eu também cansei da superfície. Eu cansei do desânimo. E da preguiça. Eu cansei da rejeição. Eu cansei de ser amiga. Eu cansei da solidão. E cansei da companhia. Eu cansei de existir. Eu cansei de insistir nos mesmos erros. E cansei de tentar aprender com eles. Eu cansei do errado. E do certo. Eu cansei das coisas. Eu cansei da essência. Eu cansei desse texto. Cansei do desabafo. Cansei de tentar fazer algum sentido. Eu cansei do desespero. Eu cansei da desesperança. E da esperança. Eu cansei do antigo. Eu cansei do novo. Eu cansei das cores. E do preto e branco. Eu cansei de ser irresponsável. E cansei da responsabilidade. Eu cansei de crescer. Eu cansei de ser adulta. Eu cansei da idade. Eu cansei dos apoios. Eu cansei dos remédios. Eu cansei da falsa sensação de bem estar. Eu cansei da superação. Eu cansei da sobrevivência. Eu cansei do instinto. Eu cansei... Eu cansei de mim.
(04/10/2010)

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"Pulos...

Pulos desesperadores...

Ele se debate...

O chão agora é seu inimigo...

Ele se debate...se debate...

A angústia se intensifica...

Minutos de terror!

...

Os pulos já não são mais intensos...

Seus movimentos perdem força...

A luta desesperada pela sobrevivência desaparece...

Já não se debate mais...

O peixe fora d'água já não se move...

Morreu!"

(11-16/09/07)


É isso. O peixe fora d'água morreu... E eu cansei de morrer.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Sabe o disco de Newton? Aquele das cores que quando você gira rapidamente fica branco? Eu estou assim. Sinto tanta coisa ao mesmo tempo rodando aqui dentro que é como se fosse uma coisa só. E é como se o tudo fosse nada.
Eu me sinto apagando... E tudo ao meu redor está se apagando também. Já não distingo as coisas. Eu as vejo, vejo suas formas e contornos, eu as toco, mas é como se elas não existissem. É como num sonho, talvez. Estou perdendo a realidade. Estou presa em algum lugar entre a ilusão e o concreto. Eu não sinto o chão, é como se eu flutuasse e saísse de mim, mas ainda assim, eu me sinto emparedada. Nem que esse emparedamento seja da imensidão do espaço me oprimindo. E é tudo tão contraditório que sinto as coisas se anulando. Eu estou anulando. Deixando de existir*.
Não tenho ar. Estou sufocando! E as pernas tremem!
Estou entrando num estado de dormência que há muito não sentia. Sinto-me perder na imensidão. Desintegrando... É atordoante... Desespero sufocante, grito abafado. E nem adianta eu me debater. O corpo paira no borrão branco.
Eu estou tão desnorteada que não sei o que escrevo. Eu não tenho mais certezas... Não sei no que acreditar, se é que é para se acreditar em algo. Todas as minhas contradições se escancaram e é tudo caótico. E são muitas perguntas e não há respostas. Um emaranhado de idéias, pensamentos, conceitos me engole. Não há saída. Eu sabia que iria enlouquecer! E a loucura é tão solitária...


*
A morte absoluta

Morrer.
Morrer de corpo e de alma.
Completamente.

Morrer sem deixar o triste despojo da carne,
A exangue máscara de cera,
Cercada de flores,
Que apodrecerão – felizes! – num dia,
Banhada de lágrimas
Nascidas menos da saudade do que do espanto da morte.

Morrer sem deixar porventura uma alma errante...
A caminho do céu?
Mas que céu pode satisfazer teu sonho de céu?

Morrer sem deixar um sulco, um risco, uma sombra,
A lembrança de uma sombra
Em nenhum coração, em nenhum pensamento,
Em nenhuma epiderme.

Morrer tão completamente
Que um dia ao lerem o teu nome num papel
Perguntem: "Quem foi?..."

Morrer mais completamente ainda,
Sem deixar sequer esse nome.

(Manuel Bandeira)

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

"Sorria. Você está sendo analisado, julgado, massacrado. Sorria. Você está sendo apunhalado. Agradeça! Não seja mal educado. Se te derem um tapa, sorria! E dê a outra face! Sorrindo, claro! Docemente! Ingenuamente! Falsamente! Mente! Minta! Iluda! Camufle! Maquie! Mascare!
O estômago se corrompe, os ossos corroem, o peito murcha, os olhos pesam e os lábios sorriem..."

Escrevi esse texto no dia 30 de agosto desse ano, no metrô, voltando da faculdade. E é assim que venho me sentindo há um bom tempo. Eu escondo tudo, toda a minha dor, aflições, questionamentos, dúvidas, desespero, ilusões etc com um sorriso. Eu sorrio. Simples assim! É a única defesa que aprendi! Não que eu não sorria verdadeiramente, é claro que muitas coisas me fazem sorrir por simplesmente me fazerem bem, por eu gostar de algo, por estar feliz. Eu sorrio por querer sorrir. Mas eu sorrio por só saber sorrir! Na frente dos outros! Claro! Não sei porque tenho tanto medo de me mostrar para os outros. Não sei porque eu quero tanto que me vejam como uma pessoa forte, que está sempre bem. Por que não demonstrar minhas fraquezas? Por que não chorar na frente de todo mundo quando eu quiser chorar? Por que não gritar pra todos ouvirem a minha raiva? Porque eu sinto muita raiva. E o que isso tem de mais? Por que eu não digo o que penso? E por que tanto orgulho? Dizem que meu sorriso é bonito. Muitos dizem. Passei a gostar dele por causa disso. E aí eu só sorrio! E a quem eu quero enganar? É como se eu quisesse conquistar o mundo inteiro com meu sorriso! Como se ele pudesse me proteger de tudo e fazer todos caírem ao meu redor. Mas isto não é verdade! Eu sorrio e o máximo que acontece é eu sentir dor, muita dor a cada sorriso! E ninguém se abala com ele! E ele nem me protege! Só mascara tudo... e eu ando tão desiludida com o mundo... com as pessoas, comigo! A verdade é que eu sinto muita raiva de mim! MUITA RAIVA DE MIM! E finjo que a raiva é dos outros! NÃO É! É DE MIM!!! Eu estou furiosa! Meu sorriso é a minha máscara! E ela está pregada na cara... não sai. E aí que sorrir virou banal. E eu quero sorrir verdadeiramente, porque eu amo sorrisos! E toda vez que o sorriso é falso, eu morro. Porque, sim, eu posso morrer várias vezes. Já morri muitas! Nem dói mais morrer! Morrer não é o problema! Sorrir é! Sorrir dói! E eu preciso reaprender a sorrir! E quando eu digo sorrir, não falo em dar risada. Mas eu dou risada! E piora tudo. Porque eu também dou risada falsamente! Porque também é a minha defesa! A música já dizia "mas rir de tudo é desespero". É! É DESESPERO! Eu rio de tudo! É bom rir! Eu amo rir! Eu rio porque dá a falsa sensação de bem estar! Porque tudo parece mais fácil quando se ri! Porque o som da risada rompendo o silêncio me acalenta! Mas é falso! Tudo falso! Eu quis tanto me proteger dos outros, que não me protegi de mim mesma! Porque eu me firo! Eu me rasgo! O sorriso é um rasgo! Olha no espelho! Olha como o sorriso rasga seu rosto! Mas eu sempre gostei de me sentir rasgar! Eu sempre gostei de me punir! Eu sou culpada! Ou eu acho que sou culpada! Eu me culpo por tudo! Por que tanta culpa? Eu me culpo por sorrir! E eu não consigo nem olhar as pessoas mais! E eu as amo tanto! E as odeio tanto! Porque tudo em mim é intenso! Mas eu quero ficar na superfície! Eu quero que você só veja a minha superfície! Mentira! Nem a superfície! Se você não me visse, seria melhor! Mentira de novo! Eu queria que você me visse nua! Nua de culpas, de dor. Mas acho que é mentira outra vez! Eu só sei mentir! Fingidora profissional! E eu menti tanto que eu nem sei mais quem eu sou. O que eu quero? Eu não sei me relacionar com as pessoas! Deve ser porque eu não sei nem aguentar a mim mesma! Eu não sou livre de mim! E é por isso que liberdade é algo utópico! Você não é livre, não importa o quanto te digam que você tem escolhas! Elas são falsas! Você não é livre de si próprio e você é a sua pior prisão! Falar isso hoje, justo hoje (depois de ter visitado o Memorial da Resistência) parece ridículo! Mas falo de outra liberdade, meus caros! E até a palavra liberdade está presa no seu conceito, na sua significação... sempre presos... as prisões só mudam... meu sorriso é o meu pior carrasco. A cada "tudo bem" dito, é uma parte arrancada de mim... a cada mentira, é uma estrela que se apaga. Porque eu possuo estrelas. Elas brilham e tremulam aqui dentro! Elas doem! E todo o brilho delas ninguém vê! E eu que pensava que meus olhos diziam muito! E por isso eu nunca deixei as pessoas olharem muito pra eles! Pra não me descobrirem! Mas fiquei tão craque em camuflar, que meus olhos não dizem mais nada! Tudo o que têm a dizer está na parte de trás deles! Na frente, não tem nada! E eu não queria ter este corpo! Eu queria ser um borrão! Uma mancha! Uma impressão... odeio ter forma!
Eu estou perdida! Acho que agora entendo O Grito... ou não... eu não sei de mais nada... eu odeio essas palavras todas! Odeio que não posso materializar o que sinto ou o que não sinto... nem sei se sinto... eu só consigo pensar enquanto escrevo é no que as pessoas estão pensando disso tudo! E eu odeio isso!!! Porra! Odeio me preocupar com o que os outros pensam! É por isso que eu me fecho! Mas aí eu escrevo tudo isso aqui como uma tentativa de abertura. Mas será que realmente estou me abrindo? Essas palavras soam vazias pra mim! Não acho que ainda estejam me mostrando... porque eu só escrevo o que eu acho que você deve ler e saber. As outras milhões de coisas que estou pensando e sentindo enquanto escrevo, eu simplesmente não te mostro. Mas são as coisas que mais queria mostrar. Eu nunca vou te mostrar! Fingidora profissional! Aí eu respiro bem fundo... e sorrio! E sei que vou continuar fazendo isso até o fim! E você nunca saberá quando eu realmente estarei sorrindo por querer sorrir! É insuportável conviver comigo! Se você ainda não se deu conta disso, dará em breve! É insuportável! Mas você não se deu conta ainda nem do que eu estou falando aqui! E sabê por quê? Porque eu respirei fundo e sorri nas entrelinhas! E porque amanhã eu vou respirar fundo e sorrir. E depois também... e também...
Sorrir... só rir... rir... ir... me fui e me perdi. Mas continuo sorrindo e te convido a sorrir comigo. E mesmo quando eu chorar... estarei sorrindo. Porque o choro é um sorriso também.
E se você vier me perguntar disso tudo, eu vou sorrir e desconversar! Eu sou patética! E eis a gargalhada final...

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Bastão?
Bastam!
Tum! Pá! Hey!
Não pode cair.
Mas caiu.
Caiu.
Tum! Pá! Hey!
Bastam!
Basta!
Bas... tum... pá... hey...
Minha vez! Eu não quero!
A metáfora do bastão é a mesma da bola: "passa a bola!"
Não! Não passem a bola pra mim!
Hunf...
Por mim o bastão sempre cairia e a bola ficaria no canto...
Não preciso falar!
Blá!
Blá!
Blá!
Não preciso que me passem a porra de um bastão pra que eu tenha que falar!
Já passou pela suas cabeças que eu não quero falar? Pelo menos, não do modo que vocês acham que é falar... Eu falo o tempo todo. Infelizmente, as pessoas não aprenderam a me escutar, mas eu, eu tenho sempre que tentar me adaptar aos outros. Eu quero que os outros explodam com o seu blá, blá, blá irritante!
Eu escrevo... sim, não deixa de ser um monte de blá, blá, blá, mas convenhamos que as suas vozes irritantes e a minha voz irritante, as nossas vozes irrrr...rrri...TANTES, argh, ficam, ao menos, tolerantes quando só ecoadas no silêncio dos pensamentos...
Pensamentos...
Tenho aos montes! De todos os tipos e tamanhos! Freneticamente, eles correm... vocês acham que no meio dessa confusão, um bastão, um simples bastão de merda dado a mim vai fazer com que eu pegue um desses pensamentos e simplesmente abra a boca e o diga, assim, sem mais nem menos, jogado? Hahahaha... tenham dó!
Se vocês adoram o som do blá, blá, blá, eu entendo, mas eu não gosto. Quando essas vozes falam, as palavras soam vazias para mim. Incluse a minha própria voz. Ela não me diz nada! Minha voz não é nada! O som dela, quando emitido, rasga toda a essência que possa existir, qualquer fiozinho de sentido. Minha voz destrói o que quero expressar. Prefiro a minha voz escrita. Ou pensada! Nunca dita!
Eu estou agressiva. E não é pra menos! Tenho raiva do "falar". Do "escrever" também, diga-se de passagem, mas esse, eu ainda tolero. Chegará o tempo que escrever me será tão repugnante quanto falar... e pensar será ainda mais asqueroso... aí viver se tornará insuportável... pensando bem, bom que seja insuportável. Estou cansada de suportes. As palavras suportam ou tentam suportar o abstrato. Eu quero o insuportável! O indizível! Eu quero não ter que cercar de conceitos tudo o que eu sinto. Essa forma que sufoca. As palavras sufocam. Vejam quantos pontos finais nesse texto, quantas vírgulas, reticências... pra quê? Isso tudo só reprime...
Reprime!
Oprime!
Imprime!
Prime!
Rime!
Não sou livre! Não serei livre! Não posso fugir de mim... vocês podem? Não fugir de mim, mas de vocês mesmos? Vocês já tentaram fugir? Vocês já quiseram fugir?
Sumir... ser transparente... ser o nada... o tudo... não ter forma... não ter limite... NÃO DÁ!!!!!!!!
NÃO DÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁ!!!!!!!!!!
Grito em vão... do que adianta?
No final das contas, o bastão ainda vai estar lá!

terça-feira, 25 de maio de 2010

Vontade estática

Estática!
Está!
Ânsia!
Está!
Pá!
Parado!
Intacto!
Tato!
Chão!
Pé!
Imóvel!
Ânsia!
Pulso!
Pulsa!
Interno!
Externo!
Estático!
Está!
Tá!
Pá!
Fica!
Cá!
Não!
Não sai!
Bu!
Nada!
Dá!
Dá?
Não!
Por quê?
Quê?
Trava!
Vá! VÁ!
Não!
Cá!
Apenas!
Pena!
É!
É!
És!
Tá!
Estático!
Estática!

(Raquel Zichelle - 25/05/2010)

segunda-feira, 17 de maio de 2010

"Professor" sair gritando com os alunos no meio do corredor depois de uma apresentação, com o público ainda lá, é um desrespeito muito grande. E mais, é anti-ético e anti-pedagógico. Para ser um educador não basta ser um artista brilhante. Eu acredito na educação sem hierarquias, na educação que coloca o professor e o aluno no mesmo patamar, sem autoritarismo, sem superioridade, sem imposição. A educação "cala a boca e me escuta" já deveria estar ultrapassada. Concordo com o que diz Paulo Freire, "educar não é transferir conhecimento", então não me venha impor as suas verdades achando que eu tenho que aceitar passivamente. Não venha berrar as suas ideologias querendo enfiá-las goela abaixo. "Teatro é sagrado", ele gritou. Eu concordo, mas ele é sagrado por ser uma arte que é maior do que nós mesmos, maior do que nossos egos, maior do que ter seu nome em jogo (como ele tanto se preocupou). Mas se o "sagrado" tender ao fanatismo, dogmatizando a arte, colocando verdades absolutas e inquestionáveis, a arte deixa de ser, ao meu ver, arte. Eu, humildemente, escrevo essas palavras. Eu estudo e faço teatro há pouco tempo, o que eu sei se torna insignificante perto de tanto conhecimento que alguns artistas possuem (embora eu ache que nunca ninguém vá realmente saber teatro, arte pra mim não esgota o seu saber, é isso que me fascina), eu tenho a consciência de que nada sei, e quero passar a vida inteira aprendendo (e ensinando também, pq sou daquelas que acha que só se ensina aprendendo e vice-versa) e espero morrer ainda com aquela vontade de aprender. Se eu chegar ao ponto de achar que detenho verdades absolutas e por isso eu posso impô-las pras pessoas, então, minha vida não fará mais o menor sentido. Se eu achar que um aluno meu está indo para um caminho no qual EU não acho o melhor a ser seguido, o que eu devo fazer enquanto educadora é orientá-lo, ou melhor, apresentar para ele outros caminhos e deixar que ele pense, reflita e faça as suas próprias escolhas. Eu devo estimulá-lo a questionar, a pensar sobre as coisas e não berrar simplesmente: "NÃO FAÇA ISSO" e ponto final. Eu me questiono todos os dias sobre o que é arte, o que é teatro e não encontrei uma resposta que me satisfizesse (e acho que não terá uma só resposta), e acho que ninguém pode dizer pra mim o que é. NINGUÉM mesmo! Desculpe-me se eu não aceito imposições, se eu questiono (mesmo que internamente) tudo, TUDO, o que me dizem. Só assim eu saio do lugar, só assim eu aprendo! Aceitar o que o professor diz não me ensina absolutamente NADA.
Certamente, tudo isso que escrevi é questionável, apenas apresentei a minha maneira de ver a educação, mais especificamente, a educação de teatro. E também quis desabafar, pois fico profundamente abalada (e revoltada) quando um "professor" toma atitudes que, ao meu ver, podam o aprendizado em vez de estimulá-lo. E o pior, quando estas atitudes são tomadas pela pessoa que você menos esperava, pela pessoa que você tanto admirava. Por isso, volto a repetir, ser um artista brilhante não faz de você um educador. Mas é lamentável que numa ESCOLA de teatro se priorize o artista brilhante e se negligencie o educador.
É com profunda tristeza e decepção que finalizo este texto.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Sinto que estou fora de mim... como se eu não pertencesse ao meu próprio corpo, é como se não existisse corpo... nenhum corpo... nem o meu nem de nada. Eu vejo as coisas concretas e suas formas, eu vejo a minha forma, mas o que vejo não é o que sinto... não sinto as formas, os contornos, é como se tudo fosse uma coisa só, uma mancha, um borrão. Como se eu me misturasse no "Tudo" e por fazer parte do "Tudo" eu fosse "Nada". É como se eu não existisse. Não é estranho existir sem que se sinta existindo? Eu me olho no espelho, eu vejo meu rosto. Ele tem uma aparência engraçada, mas este rosto não significa nada, seus traços, suas feições, nada me dizem... só são engraçados... eu me vejo como se estivesse vendo outra coisa, outro alguém, porque eu não existo... ou melhor, eu não sinto a minha existência. Eu não sinto a existência de nada. Entre o que eu vejo e o que eu sinto há um abismo. As dores que eu sinto não são minhas... as dores são ausências... as dores são faltas... não se sentir deixa buracos... achava que a dor me preenchia, que doía por estar viva. A dor é só o buraco... o vazio... eu não me sinto... não sou um corpo no espaço... sou apenas o espaço... transparente...

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Eu nasci no mundo errado. Sim, errado. O lugar que deveria me acolher não parece em nada com este aqui. Só não sei se o meu lar está longe ou perto daqui... deve estar longe... se estivesse perto, acho que este mundo de cá seria, pelo menos, um pouquinho influenciado pelo de lá e não seria um lugar tão ruim de viver. Na verdade, neste mundo aqui, não se vive; no máximo, se sobrevive. No mundo de lá, se supervive. Eu queria superviver. Deve ser bom. É, deve... não sei... eu nem sequer vivo, quanto mais superviver... Mas imagino que a sensação de superviver seja a de estar com a pele arrepiada o tempo todo. Aqui, a pele só sente o peso de tantas imposições sem sentido... sem limites... Aqui a pele tem cores... e os habitantes brigam por causa delas. Eu ainda tô tentando entender o porquê. Mas neste mundo não se tenta entender os porquês... se aceita os porquês. Como eu não sou deste mundo, nasci aqui por engano, eu tento entender. Mas não é fácil. Dentre bilhões de pessoas (aqui, os habitantes são chamados assim), só poucas tentam entender as coisas. É que elas nasceram aqui por engano também... É, acontece! Eu não sei se as pessoas me consideram como uma "pessoa" também. Acho que quem nasce errado aqui, não é bem vindo. Eu não tive culpa, mas elas não perdoam. O que eu falo não é entendido por ninguém. E eu também tenho dificuldade de entendê-los. No meu mundo, aquele em que eu deveria viver, os habitantes se entendem, se respeitam, se amam, pensam. Aqui, não se pensa. Eu acho engraçadíssimo. Eu conheço o meu mundo, tenho dentro de mim lembranças (mesmo que nunca tenha estado lá), só não sei onde ele está. Onde ele está? Será que um dia eu vou para lá? Não sei... acho que quem nasce no mundo errado fica preso nele. Pra sempre! PRA SEMPRE! Tenho saudades do mundo em que eu nunca estive, mas é como se eu já tivesse estado. Que estranho... eu quase posso sentir a pele arrepiar... mas não se arrepia aqui... este é o mundo do não. "Não se... aqui!", se este mundo tivesse uma placa na sua entrada, seria esta. O mundo de lá não tem nome, não precisa, mas "lá se...", é o que posso dizer. No meu mundo se...

quarta-feira, 14 de abril de 2010

(Des)Aparecida

Fitas, cores, risadas, danças, tambores, músicas, barulhos... ruas agitadas, barraquinhas, fantasias, doces, salgados, cavalos, bandeirinhas, presentes, pessoas. Amigos, recém-amigos, colegas, amores... burburinhos em cada esquina, cervejas, cadeiras, sinos pela cidade, mais risadas, fotos, confusão, cansaço, chuva, ônibus, jornais, confissões, rostos vermelhos, blusas jogadas, beijos...

Menina!

Uma menina que contrapunha com o cenário! Dentro dela não era agito! Por mais que ela batesse o pé acompanhando o ritmo externo, internamente ela era mansa, calma, mole, flutuante. A menina era como o pôr-do-sol. Anunciava a noite que não demoraria a chegar! A menina estava em "slowmotion", enquanto tudo ao redor fervia. A ebulição externa não importava! O concreto não a satisfazia! O possível não a interessava! Era o impalpável que ela queria! É o que ela sempre quer! Por mais que doa! E dói! Ela sabe! Ela bem sabe...

Lágrimas testemunhadas somente pela janela, sua leal companheira!
Lágrimas que terminavam de apagar o rosto da menina! Na garganta, o ar embolava preso à parede...

Sorrisos falsos... rosto (ou espectro dele) erguido... a despedida!
Desaparecimento...

A menina sumia e cada parte arrancada de seu corpo doía!


E ainda dói!



Ela sabe!





Ela bem sabe...

terça-feira, 30 de março de 2010

Havia um Papai Noel pendurado, estático, esquecido na janela fechada. Abandonado no vidro empoeirado. A roupa vermelha igualmente empoeirada.
Sem pisca-pisca como companhia, o Papai Noel repousava sobre o vidro, pertencia a ele agora. Era parte da janela.
Sua escalada pela casa fora interrompida permanentemente. Falsos presentes intactos no saco preto. As pequenas mãos presas ao fio. Como numa foto, o bom velhinho restava parado num instante prestes a concretizar. O Papai Noel ficara lá suspenso na eternidade.
Esta cena foi contemplada pelos olhos de uma menina também abandonados numa janela. A diferença era que essa janela rodava a cidade e a menina com os olhos esquecidos no vidro acompanhava a paisagem que se impunha a ela. De tudo o que viu, o Papai Noel foi o único que alegrou os olhos solitários presos à janela. E a menina jurou amar o Papai Noel pra sempre!

quarta-feira, 24 de março de 2010

J'ai vu un garçon... il m'a souri... il est réel? Si je toucher son lèvre, quel goût je vais sentir? Je veux manger son sourire... je veux déguster son essence, lentement... len...te...ment...


(Excuse-moi pour mon français... =/)

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Eu preciso escrever... assim como muitos, é na escrita que encontro uma maneira de despejar minhas aflições. E são muitas! Acho que sem aflições eu seria como um boneco molengo jogado no canto do quarto, quieto, dobrado sobre o próprio corpo sem vida... São as aflições que inquietam-me e, embora eu saiba que são elas que me movem, preciso tirá-las de mim, como se eu desejasse ser o boneco jogado no chão. Tentativa vã. Não se pode acabar com as aflições, não com as minhas. Engraçado é perceber que eu já me senti muitas vezes como uma boneca sem vida, mas por qualquer outro motivo, nunca pela falta de aflições! Desculpem-me pelo "lenga-lenga", mas rodeios fazem parte da minha escrita. Não sou uma pessoa direta. Sempre preferi as entrelinhas, o que se diz às escondidas. Talvez por isso que eu goste tanto de olhares. Eles sempre escondem algo, mas clamam para serem descobertos, flagrados... e é um desses olhares que me aflige no momento. Estou obsecada por um. Um que nunca cruzou com o meu diretamente, um que nem sabe que eu, a garota das entrelinhas, existe! Clichê! Não escrevo novidades! E não tem como eu descrever o olhar sem cair na mesmice romântica. Por isso, não escreverei! Mas sem alardes, afinal, continuo a mesma patética de sempre: não me apaixono por pessoas, mas por sonhos, fantasias, clichês, heróis das páginas de livros, sorrisos, olhares, imaginações! O intocável, o inalcançável, o inatingível! São esses, meus caros, que fazem meu peito estreitar e sufocar! Se eu falar que amo você, não se deixe enganar, eu amo a imagem que eu criei de você. Eu amo o pensamento que tenho a seu respeito, o sonho que molda, a meu bem entender, você! Eu amo o irreal! Não amo a carne ou o osso, amo o sorriso e o olhar porque não posso pegá-los! Porque atrás deles há uma essência que ninguém toca, e eu desejo possuí-la! E o que eu amo é o delírio de tê-la! O que eu amo esvanece no ar... o que eu amo é sublime, transparente... O que eu amo é um olhar que nunca saiu da tela da televisão ou do cinema! Da página amarelada ou da foto envelhecida...
E eu caí na mesmice romântica... Talvez porque eu seja romântica. E seja a mesma!

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Incomoda-me a impertinência das pessoas... pessoas são tão intrometidas... e cansativas. Estou cansada de todas elas, todas, todas! Até de mim eu canso! Tão repugnante... como uma barata... tenho vontade de pisotear-me. Pisar em todos, também. Todos insetos, todos asquerosos... argh! Tenho asco de todos nós! Somos todos solitários, mas procuramos desesperadamente por alguém. Pra quê? Ninguém acaba com a solidão de ninguém! Mas um ser humano fica tão mais desprezível na presença de outro ser humano... fica tão mais insuportável! E dá aquela gargalhada estridente... um monte de insetozinho rindo junto... tem coisa mais grotesca e deprimente? Riem do quê? O que tem tanta graça? A própria desgraça? Sim, isso é algo engraçadíssimo, mas não é disso que riem... Riem da repugnância alheia... Isso é tão sem graça pra mim... Se vou gargalhar, que seja de mim mesma, há tanta podridão em mim! Eu não tenho mais medo de encarar o meu próprio horror... o que é terrível para meus olhos é ver tanta gentezinha junta! Chego a estremecer de medo, de nojo, de pena! E a gargalhada... essa dói nas entranhas... aquele som penetra nos ouvidos como se arrancasse tudo por dentro, até chegar no cérebro e dilacerá-lo! Tenho horror às pessoas... desprezo todas... e a mim! Pessoas são um amontoado de estrume... e isso ainda chega a ser um elogio... um monte de bosta jogado num canto! E isso é o máximo de admiração que alguém inspira em mim!

domingo, 24 de janeiro de 2010

O coração palpitava freneticamente, não cabia mais no peito e tentava sair pela garganta. Sem sucesso, é claro. Ficara entalado! Então, numa ânsia desesperada para fazer o coração sair, o estômago tentava empurrá-lo, fazia força, muita força e nada, o máximo que conseguiu foi fazer sair um pouco de suco gástrico. O coração continuava a saltar, porém, diminuíra um pouco o ritmo, bem pouco. Mas suficiente pra acalmar o peito que não mais tentava expulsar o órgão que se agigantara! O peito passou a conter as batidas, a aguentá-las e forçá-las a diminuir lentamente... O remédio que tomara também ajudou, é claro. O remédio foi para o estômago, coitado, tentou tanto empurrar o coração que se cansara e enfraquecera. E o remédio dava sono, o que ajudava a acalmar o corpo. Quem via de fora nem imaginava a batalha que acontecera dentro. Que sufoco aquele corpo passara!

E tudo isso por ansiar demais! Se soubesse ser paciente, o corpo não precisaria sofrer tanto, se o coração se mantivesse forte, inflexível, sempre a bater no mesmo ritmo não cedendo aos apelos da expectativa, o peito seria sempre grande o suficiente para cabê-lo, a garganta não sufocaria e o estômago não precisaria empurrá-lo, no desespero de salvar o corpo da falta de ar! Mas o corpo é impaciente! Seus anseios trazem sequelas... na boca, o gosto sempre amargo; no estômago, o enjoo, a náusea, a dor; no peito, o aperto... E a constante falta de sono! Precisa sempre recorrer a remédios! O corpo já fraco, enfraquece ainda mais! Embora o rebuliço que acontece todos os dias dentro dele o faça parecer vivo, na verdade, falta vida em suas veias! E o cansaço toma conta cada dia mais desse corpo... e tudo isso por ele não saber como esperar, por não saber não ansiar demais! Tudo isso por não viver cada segundo plenamente, sem pulá-lo... por não viver o presente sem pensar no amanhã! O corpo anseia pelo amanhã e esse é o seu veneno letal!

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Eu a perdi de vista... Não importa o quanto eu devore seus escritos ou os outros me falem dela, eu a perdi... Não, ela nunca foi minha, mas eu sentia sua presença constantemente, mesmo quando ela não estava ao meu lado, nos ligávamos pelo o que sentíamos, pela dor que corroía o peito e sabíamos bem como era. Agora, a dor dela não é a mesma que a minha. Nem os medos que ela sente são os mesmos que sinto, nem as paixões que ela tem, eu tenho. Nada... Eu não sei mais quem ela é, o que ela sente... estamos distantes... e isso me deixa triste.
Porém, talvez eu deva deixá-la ir... ela escorreu pelos meus dedos e não tem mais como não deixar que ela escape... eu não soube segurar com força... mas ela não é do tipo que você segura... ela flui... ela escapa pelas fendas, quaisquer fendas... ela se mistura no ar, se dissolve na água, se absorve na terra... ela não pertence a ninguém, só ao mundo... E eu o invejo por tê-la e eu não!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Meu blog é uma espécie de confessionário, um lugar onde eu posso expressar sentimentos profundos e escondidos, mesmo que mascarados. Porém, por mais que seja um lugar de confissões, não sinto plena liberdade de escrever tudo o que tenho vontade. "As pessoas vão ler", penso. "O que elas vão achar disso?", penso mais um pouco. Meu problema é pensar. Se eu não pensasse talvez fosse livre. Pensar é uma prisão! Se eu não pensasse tanto, talvez conseguisse ser espontânea, não teria um filtro me dizendo o que devo ou não escrever, o que as pessoas devem ou não saber. Pensamos demais, e nos reprimimos. Se eu deixasse as pessoas lerem meus pensamentos, com certeza se escandalizariam. Porque se veriam nesses pensamentos. Se identificariam. O choque seria porque veriam seus segredos escancarados por aí! E não pode!

Eu falo de dois tipos de pensamentos, aquele que pensa as coisas mais sinistras, bizarras, pornográficas, pervertidas, maléficas, cruéis, incestuosas; e aquele que quer banir todos esses. Esse sim é a nossa prisão! Esse é que fica cutucando, dizendo: "olha lá hein, olha o que você vai fazer. O que o outro vai dizer disso? E a sua reputação? Olhaaaa bem. É pecado isso hein, se fizer isso, você é uma pessoa horrível". Não que às vezes ele não tenha razão, mas ele acha que pode controlar tudo e que pode te escravizar, sempre sob a máscara do bonzinho, do protetor: "faço isso pro seu próprio bem. Imagina se você fizer tudo o que pensa?". Mas e a nossa liberdade onde fica nisso tudo? Talvez a gente não deva mesmo fazer tudo o que pensa, mas e falar tudo o que pensa? Eu posso pensar que tô matando uma pessoa ou transando com várias no meio da rua. Eu não preciso realmente fazer isso, mas não posso falar?
É engraçado pensar que pensamentos reprimem pensamentos. Os que reprimem acabam me enlouquecendo de tanta imposição; os reprimidos me enlouquecem de tanta repressão.

Ahá. Acabei de me dar conta de que existe um terceiro tipo de pensamento. Afinal, se não fosse por ele, eu não estaria escrevendo isso tudo agora. O reprimido não tem forças e o repressor não me deixaria falar contra ele, certo? Então há o pensamento intermediário. Hum...então há uma saída? Ou ele é só um joguete que o repressor faz pra me confundir? Pra me dar a sensação de certa liberdade, quando na verdade ele me controla mais? Acho que seja qual deles for, eu sou só uma marionete da minha mente. E ser ciente disso faz parte da manipulação.
Se existe uma saída, ela se dá por meio dos instintos. Os outros animais os tem mais apurados, nós temos instintos também, mas eles se enfraqueceram porque somos condicionados a pensar antes de agir. Pensar, pensar, pensar. Só escrevo porque penso.
E esse texto foi pensado e repensado enquanto escrito, coisas foram apagadas, palavras foram substituídas. Não consigo fugir do filtro do pensamento.
O fluxo de idéias aqui aparenta ser espontâneo, mas não é. Nunca é.
E quanto mais eu penso sobre isso tudo, mais me enrolo em milhares de redes de outros pensamentos.
Não dá pra fugir.
Fim.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Primeira postagem de 2010. Não que isso tenha alguma importância, esse não será um texto relevante pra vida de ninguém, será apenas mais uma tentativa de expressar sentimentos, devaneios, anseios, desesperos, angústias e (por que não?) esperanças...
Eu ando com os nervos a flor da pele, angustiada e ansiosa. Em parte, boa parte aliás, por causa do vestibular. É só uma prova, dizem. É, realmente, é uma prova. Uma prova que, na minha opinião, não prova nada. Não prova se eu tenho conhecimento ou não, se eu estou apta a cursar uma universidade como a USP ou a Unesp e assim vai. O máximo que ela prova é se você consegue naquele dia se sair bem. Ponto. Se você é uma pessoa calma, provavelmente vai se sair melhor do que muita gente que se preparou pra valer durante o ano todo, mas que não é uma pessoa calma, não é uma pessoa que consegue controlar a ansiedade, o medo, a tensão. Bom, mas é uma concorrência né e vale tudo. Portanto, se você não controla suas emoções, "baubau" pra você, presta vestibular de novo. As vagas são poucas e muita gente quer estudar, então ou você entra no esquema ou se dana. E quem liga? O pior é a cara de pau de falar que o conteúdo cobrado é o do ensino médio. Aham, Cláudia. Ensino médio de quem? O público que não é. Ah, e como se não bastassem as provas gerais, alguns cursos ainda têm as provas de habilidades. O meu, por exemplo. E funciona do mesmo modo, quem não controla as emoções, se ferra e se ferra bonito. Ah, e os tímidos só se ferram, como eu! Quem liga para os tímidos? Eles que se fodam. Os tímidos têm que aprender a não se mostrarem tímidos, caso contrário, tchau! Seja numa entrevista de emprego, numa prova oral, numa conversa banal, quem é tímido só sai perdendo! E se você se justifica como tímido, as pessoas ainda falam: "você não pode usar isso como desculpa". Desculpa do quê? Quem aqui está se desculpando? Eu não me desculpo por ser tímida! Vocês que deviam se desculpar por pisotear nos tímidos e cobrar deles algo que nem deveria ser cobrado. Por que os tímidos é que têm que se adaptar à situação, às pessoas ao redor e não elas aos tímidos? Aí viram e dizem pra você: "você se faz de vítima". Eu não me faço de nada. Eu sou o que sou e vivo na pele as dificuldades impostas pelos não-tímidos. É fato! Tanto é fato que na prova de transferência que eu prestei tentando passar de Letras pra Artes Cênicas na USP, os tímidos foram os que tiraram as menores notas. Por que será? Ah, vão dizer agora que ator não pode ser tímido. Claro que pode. Somos tímidos, mas estamos tentando, improvisando, criando, mesmo quando nossa natureza tímida tenta nos travar e nos impedir. Isso deveria ter algum mérito, não? É muito fácil pro extrovertido chegar lá e fazer sua improvisação, ele é espontâneo naturalmente, sem muito esforço. Mas os tímidos precisam passar por cima das travas para alcançar a espontaneidade! E conseguem! Então, puta que pariu, cadê o nosso mérito? Só o fato de a gente não desistir já é uma prova (já que se tem que provar alguma coisa) que estamos disponíveis, que queremos passar pelas barreiras, que temos condições assim como qualquer outro. E somos como qualquer outro. Não peço pra olharem os tímidos como se fossem "café com leite", não é pra dar uma "colher de chá" pra gente, uma vantagem! Não somos mais do que ninguém, mas a recíproca deveria ser verdadeira. E não é. Quem é mais "solto" se dá melhor. Eu já vi isso acontecer infinitas vezes! Mas lá vem a história da concorrência de novo. Não tem vaga pra todo mundo, então, é isso, ou se encaixa no sistema ou ele passa por cima de você sem dó. Eu vivo dizendo que somos máquinas, robôs, números, qualquer coisa, menos seres humanos. Nos colocam à prova todos os dias. E que se dane seus sentimentos, suas aflições, seus pensamentos, seus medos, suas histórias de vida. Não importa quem você é, mas como você se comporta nessas provas. Isso tudo pode parecer um desabafo tolo, mas é o que eu penso. Não gosto de vestibular e de nenhuma outra prova, desde aquelas do colégio até as provas na universidade e qualquer outra prova. Como eu já disse, pra mim, elas não provam nada. E as provas de habilidades são piores ainda, como o nome já diz, quer testar suas habilidades. Ou melhor, habilidades todos nós temos, mas tem algo bem específico que querem que tenhamos e quem tem, ótimo! Mas o que fazer? Não tem vaga pra todo mundo, algo então tem que selecionar. A universidade tinha que ser um direito de todos e todos deviam ter acesso a ela. Mas aí é utopia demais da minha parte. Então é isso, pra entrar na universidade pública, eu tenho que me sujeitar a sua seleção, mesmo discordando totalmente dela. E tenho que dar o meu melhor. Já perceberam como em tudo somos cobrados a dar o nosso melhor? Gozado que todo mundo enche a boca pra falar: "ninguém é perfeito", mas parece que cobram justamente a perfeição. Ser melhor. Ser cada vez melhor. O que é isso senão a busca pela perfeição? Já perceberam como tudo nessa vida é concorrido? Você tem que ser o melhor naquilo que quer, senão o outro vem e você fica a ver navios. Eu não gosto nem um pouco disso. Mas isso já está tão enraizado na sociedade que eu não vejo outra alternativa a não ser tentar me encaixar nisso tudo. E isso é triste. Eu sou obrigada a me contrariar. E é por isso que esse texto não tem importância nenhuma. É um desabafo que não vai me levar a lugar algum, já que eu tenho que me conformar como as coisas são e eu vou fazer vestibular nos próximos dias. Não fiquem bravos por eu ter feito vocês perderem o tempo de vocês com esse texto, eu também perdi o meu, podia estar estudando agora pra ser a melhor! Já estou em desvantagem, hahaha!
Mas é isso, se eu não passar no vestibular, isso não significa que eu seja incompetente. E se eu passar, também não significa que eu seja competente, hahaha! Quer dizer, tenho uma competência mínima exigida pra passar, mas daí a ser competente pro curso, já é outra história...
Tá tudo errado nisso tudo! Tudo muito errado! Mas pra eu não ficar com mais fama de reclamona, paro por aqui. C'est fini!

(Acabei o texto e percebi que faltou postar "as esperanças" que citei no começo, haha... hmm... eh... hmm... não tem esperança, mas vamos lá né, só pra não dizer que sou uma pessoa sem esperança: que 2010 seja um ótimo ano! Hahahahaha!)

sábado, 19 de dezembro de 2009

Eu falo e as palavras parecem não ter força, é como se o que eu dissesse nunca tivesse sido dito. Palavras atrás de palavras caem, se desmancham, não significam nada. E eu fico aqui, gritando, tentando fazer com que elas sejam firmes, mas o esforço é em vão. Nem eu mesma as escuto, elas saem de mim e eu nem as sinto. Nada faz sentido pra mim. Talvez eu devesse parar de tentar. Quando eu fico em silêncio, as palavras não ditas têm peso, são concretas. O que eu não digo, o que eu não transformo em frases, fica aqui dentro pulsando, se prendendo nas paredes, nos tecidos, mergulhando no sangue. O que eu não digo faz sentido! Porque a partir do momento que eu pronuncio uma palavra, ela perde a essência. A essência só é possível aqui dentro. Vagando no ar, ela se desfaz. Mas manter essa essência aqui é um fardo e preciso dividí-lo com alguém. Por isso, eu berro! Você consegue me ouvir? Eu não consigo me ouvir! O que eu digo é linear, mas consegue ser mais confuso do que palavras misturadas, desordenadas girando freneticamente na minha mente! E aqui dentro é uma loucura! É uma loucura, mas é tão lúcido pra mim! É claro, é transparente! Fora não! Fora é obscuro! Tento a todo custo expressar a essência das palavras porque mantê-la em segredo dói! E este é meu mal! Não posso dizer e também não posso ficar calada! Má sina! Infeliz sorte! Sofro porque nunca, nunca expressarei com perfeição e exatidão o que se passa no meu âmago. E quanto mais eu tento, mais a busca se torna desesperadora! Estou sendo consumida pelo fracasso...

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Hj eu sonhei com muitas coisas, mas um sonho me chamou a atenção. Era a cena de uma novela, mas, ao mesmo tempo, não era. Eu sempre sonho que as coisas se misturam, é e não é ao mesmo tempo, mas enfim... Eu (ou a minha personagem) não podia mais ficar com o garoto, não lembro o motivo, só sei que eu dizia que não podia mais e fui me despedir dele, ele tinha escrito uma carta pra mim que estava sobre a mesa, o conteúdo da carta era o mesmo que ele me dizia, eu abraçada com ele, lia a carta ao mesmo tempo que ouvia as palavras. Ele pediu um último beijo e eu dei, os dois chorando e foi o beijo mais intenso que eu já tive, ele me apertou forte, não querendo me deixar ir, mas eu fui... saí de onde estava e ao descer as escadas eu chorava forte, muito forte, uma dor horrível e então uma voz, que eu não sei se foi a minha, disse algo parecido com isto: "Perder algo intenso significa ter tido grandes momentos na vida..." e eu acordei com os olhos marejados...

domingo, 29 de novembro de 2009

Eu sou patética. E como se não bastasse, eu sou desesperada. Sim, desesperada por atenção, desesperada para que notem a minha presença. Mas é um apelo silencioso. Eu não vou falar com todas as letras que eu quero que você me note, não. Você vai ter que advinhar. Mas advinhar como se eu... se eu me fecho e não deixo ninguém entrar no meu mundinho de conto de fadas? Eu não vou deixar transparecer no meu olhar e no meu sorriso e nem nas minhas palavras amigas que eu estou desesperada. Minha alma clama por sua atenção, mas como você vai conseguir ler minha alma se eu não permito? Ler minha alma seria como me desnudar e por favor que isso não aconteça! Ninguém pode me desnudar! Ninguém! Talvez por isso que eu não deixo que ninguém olhe muito nos meus olhos, não é pra espiar o que não deve! Mas então, se eu mesma não quero que alguém me desvende, por que diabos eu espero ansiosa e desesperadamente que alguém me entenda? Que alguém me note? Que alguém me ame? Talvez agora você entenda porque eu sou patética! Eu saí de algum livro de quinta no qual os personagens são indignos de pena! Eu sou indigna de pena, apesar de despertar a sua piedade, o que me torna ainda mais patética, mas se você tem pena de mim, desperdiça seu tempo! Tudo o que eu tenho a oferecer a você é a minha solidão! Isto não te assusta? Você fica comigo e seremos dois solitários, você com a minha solidão, eu com a sua. Isso me apavora! Antes a minha solidão do que a de outrem! Dói menos quando é a sua própria, dela você é íntima, não tem porque sofrer, ela te acalenta e aquece nas noites frias, ela te gela nos dias quentes... E mesmo sabendo que conviver com a minha solidão é a melhor opção, eu ainda anseio pela sua atenção. Não é patético esperar que alguém me salve da dor? Feche a cortina, esta peça atingiu o limite da ridicularidade e do pateticismo! Só falta dizer pra vir num cavalo branco, aí o cúmulo se instaura de vez! Esperar que alguém me tire da dor, essa é boa! Se você me der a sua atenção, o que isso pode realmente fazer por mim? Será que o desespero vai embora ou ainda assim eu me desesperarei? O que eu posso responder é que se você me der a sua atenção, meu coração vai bater mais forte e aí outro desespero surge: o amor! Sim, o que é o amor senão um grito de desespero? As batidas são os berros de socorro, se você ficar bem quietinho talvez consiga escutar! Eu estou em silêncio...

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Me guardei por tempo demais.
E agora eu não sei ser de outro jeito. Eu só sei encobrir quem eu sou.
Eu não aprendi a ser transparente, eu não aprendi a mostrar sentimentos, a ser direta.
Eu não sei olhar nos olhos. Eu não sei falar. Apenas balbucio algumas palavras.
Eu não aprendi a me relacionar. Eu não aprendi como me sentir a vontade e confortável na presença dos outros. E nem na minha...
Eu me escondi de mim.
Eu não aprendi a ser verdadeira. Eu não sei ser espontânea, autêntica. Eu não aprendi a improvisar. Eu só aprendi a fingir! E a fugir... de mim... dos outros!
Eu só aprendi o quão fácil é vestir máscaras e se perder com elas!
Eu não aprendi a ser errada, a ser imperfeita! Eu sou, mas não aprendi como ser! Mas aprendi como querer ser perfeita! Não aprendi a permitir ser, a errar, a viver! Eu não me permito!
Eu aprendi a mentir! E fiquei boa nisso!
E agora é tarde! Eu não sei ser de outro jeito!

(Madrugada do dia 04/10/2009)

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Sentou perto da janela e esperou a morte chegar. Na cadeira, balançando ficou... o mesmo pendular... monótono pendular... esperava a morte na mesma cadência dos dias que passavam amarelos pela janela... e as noites prateavam o chão do cômodo vazio, apenas a cadeira e a sombra que ia e vinha pelo chão enluarado. Assim ficou, calmo... pálido... taciturno. Absorto na espera... A morte nunca chegava! Mas ouvia segredos soprados nos seus ouvidos... sangue, guerra, fome, carne dilacerada, culpa! Inocentes, virgens, gás, gritos, dor! Segredos que rodeavam, atormentavam, mas não aumentavam o balançar lento da cadeira, não preenchiam o vazio, não enrubreciam o semblante... sempre tão branco. A culpa não mudava o ritmo, os estouros das bombas não minimizavam o silêncio do quarto. Mas por dentro, em seus pulmões, o estopim da guerra respirava, pulsava a tensão no peito, no sangue corria os sangues dos soldados trucidados, a carnificina pregada na garganta, no estômago o gosto da morte. Mas a sua não chegava! O pendular era a sua penitência... condenado à espera. Sério... compenetrado em pagar pelos pecados, fora julgado pela consciência que esmagava o pouco de lucidez que ainda restava. Não deixava a cadeira perder o balançar. A pele intacta! A carcaça firme, corpo petrificado, embora desabassem os órgãos, embora os ossos virassem pó. Jazia por dentro, mas não morria por fora! E por não morrer por fora, o pendular não cessaria jamais! Não morreria jamais por inteiro! Estava condenado à meia morte! Penitente, a balançar interminantemente!

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Hoje o post não será escrito com palavras minhas, mas de outrem. Escolhi alguns poemas que li num site e gostei. Espero que gostem também. Bjos!


C. Almeida Stella

Teu beijo

Ontem,
Quando de mim te despediste,
Naquela sala do "chat",
E me mandaste um beijo,
Eu te perguntei:
- Onde?
Sem querer,
Satisfizeste o meu desejo,
Quando disseste:
- Na tua boca!
Fechei os olhos e imaginei
Tal e qual me falaste.
Bateu forte o coração.
Meu Deus, que coisa louca!
Até senti o gosto da tua boca,
Quando, na imaginação
Me beijaste....
Tua boca, eu nem sabia
Que era assim, tão macia.
E o teu beijo tão molhado,
Demorado,
Fez um estrago em mim.
Ocupou meu pensamento
E eu fiquei todo tempo
Querendo
Outro beijo assim!

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Martha Medeiros

Minha boca...

minha boca
é pouca
pro desejo
que anda à solta

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Virgínia Schall

Beijo

sua boca
uva rubra
roça meus lábios
e por segundos
somos murmúrios úmidos
seiva cósmica
de línguas
púrpuras

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Florbela Espanca

Horas rubras

Horas profundas, lentas e caladas
Feitas de beijos sensuais e ardentes,
De noites de volúpia, noites quentes
Onde há risos de virgens desmaiadas�

Ouço as olaias rindo desgrenhadas�
Tombam astros em fogo, astros dementes.
E do luar os beijos languescentes
São pedaços de prata p'las estradas�

Os meus lábios são brancos como lagos�
Os meus braços são leves como afagos,
Vestiu-os o luar de sedas puras�

Sou chama e neve branca misteriosa�
E sou talvez, na noite voluptuosa,
Ó meu Poeta, o beijo que procuras!


domingo, 27 de setembro de 2009

Ontem, dia 26 de setembro, meu blog fez aniversário! 2 aninhos! Uhuuuul!!!
2 anos que escrevo minhas aflições, alegrias, tristezas, devaneios, raivas, pensamentos soltos, desejos nesse espaço. Já tive outros blogs e flogs, mas esse é especial. Esse tem o layout feito por mim, do meu jeitinho, esse tem os melhores comentários! Amo meu blog!^^
Bom, é isso, só queria postar comemorando o aniversario dele: parabéns, blog querido, hehe!

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Às vezes, eu sinto falta da minha adolescência... Sinto falta de achar que era o fim do mundo eu gostar de algum menino da minha sala que não gostava de mim, adolescente exagera tudo e eu achava que esse era o maior problema do mundo. Claro que se apaixonar por alguém que não sente o mesmo por você dói e isso em qualquer idade, mas na adolescência, na minha adolescência, eu encarava isso como a pior coisa do mundo. E não é. Há tantas coisas ruins, tanta coisa que nos causa dor, se apaixonar dói, mas no fim das contas é bom, mesmo quando não correspondido. Bom, eu estou dizendo isso agora que não sou mais adolescente e nem estou apaixonada por ninguém, talvez seja por isso que é fácil dizer. Quando eu era adolescente, eu sempre estava apaixonada por alguém. Sempre!!! Como eu me apaixonava fácil! Era finalmente esquecer um pra eu logo gostar de outro. E um após o outro, sempre a mesma coisa: não me correspondiam. E eu sofria! Mas com o tempo eu fui aprendendo a não sofrer tanto assim e, aos poucos, eu fui aprendendo a desencanar rápido. Antes, eu ficava gostando da mesma pessoa por anos. Depois, só por alguns meses. Hoje, zero. Há dois anos que não me apaixono por ninguém. Apenas me sinto atraída. Não sei se é melhor assim. Talvez seja nessa fase na qual me encontro. Fase de descobertas, fase de me entender, estou focada em fim, focada em planos e indo atrás de objetivos, muitos que estavam esquecidos. Nessa fase, eu quero me amar, me curtir. Não há espaço pra uma paixão. E eu estou ok com isso. Mas sinto falta da adolescência, de quando eu escutava músicas e ficava na fossa. Claro que hj eu continuo ouvindo músicas e às vezes fico deprimida, pra baixo. Mas não por amor, paixão. Hoje, eu percebo a adolescência de outro modo. Na época, eu achava tudo tão sofrido. A vida era uma droga. Eu era infeliz. Confesso que a infelicidade persistiu um pouco depois da adolescência, mas de forma diferente. Eu era infeliz porque queria ser aceita na escola, queria que as pessoas gostassem de mim. E o pior, eu queria que os meninos me notassem, me achassem bonita. Mas eu sempre fui esquisita (pra não falar feia, hahaha). Era comum na escola a gente fazer enquetes, joguinhos, brincadeiras de "com quem vc ficaria na sala?" e era comum também dar nota pras pessoas, o critério? Beleza, claro! E eu sabia que os meninos me davam uma nota baixa ou simplesmente nem me colocavam na lista. E isso machucava. Isso era o fim do mundo pra mim. Hoje, eu acho isso uma grande baboseira. Uma idiotice, uma coisa superficial. Mas na época, não. Na época isso doía. Não que eu tenha curado meus problemas de auto-estima, pelo contrário, ela vive no fundo do poço, mas não tenho a mesma preocupação que eu tinha naquele tempo. Hoje, eu consigo me achar bonita, às vezes. Às vezes, não. Mas normal. Todo mundo tem um dia de querer passar longe do espelho pra não ter que encarar o reflexo. Se bem que qdo isso acontece comigo, é mais por não querer encarar quem eu sou do que simplesmente não gostar da imagem. Eu sinto saudades da adolescência por que os problemas de hoje parecem maiores do que os que eu tinha. Mas é bem verdade de que daqui a alguns anos eu vou pensar a mesma coisa sobre hoje, hehehe! O fato é que as fases da nossa vida são maravilhosas, mas só nos damos conta disso depois que passam. Eu, pelo menos, sou assim. Eu sinto uma saudade absurdaaaaa da minha infância!!! E tento recuperá-la a todo instante. Costumo dizer que sou uma criançona! Agora, sinto falta tb de ser adolescente. Nós sentimos falta do que um dia já fomos, mesmo qdo não gostávamos do que éramos. Tá, eu sou assim! Eu sinto falta de mim. Eu sempre estou sentindo falta. Sou uma pessoa extremamente nostálgica. Bom ter um blog pra desabafar isso, na adolescência eu escrevia em diários, hahaha! E sim, sinto falta disso! Aqui, escrevo pros outros lerem, no diário eu escrevia só pra mim. Eram os meus segredos! Hoje, guardo os meus segredos nos pensamentos, não os escrevo. Até tem uma vantagem nisso, não corro o risco de alguém pegar meus pensamentos e se trancar pra lê-los. Sim, acontecia isso na época dos diários. Lembro uma vez que eu achei que o mundo tinha desabado qdo meu irmão pegou meu diário e se trancou no banheiro pra ler. Eu fiz oooooooooo escândalo!!!!!!! Graças que minha mãe brigou com meu irmão e ele me devolveu o diário. Ia ser o fim da minha vida se ele lesse alguns segredos, hahaha! Hoje dou risada disso! Mas não podem ler o que escrevi mesmo. Eu ainda tenho alguns diários guardados. Todos devidamente escondidos e fechados com cadeado, hahaha!
Ah, sinto falta de quando escrevia cartinhas com declarações de amor, hahaha, sempre fui mto tímida, nunca que eu ia falar pessoalmente. Isso não mudou mto hj. Ao invés das cartinhas, hj tem e-mail, msn, hahahaha! Saudades de qdo eu colecionava papéis de carta. Saudades de qdo ia correndo contar pras amigas as alegrias e dores de ser adolescente. E elas passando pelo mesmo, claro! Saudades de ficar fazendo testes idiotas nas revistas mais idiotas ainda! Hahaha! Saudades de colecionar coisas dos ídolos. Tá, isso não mudou! Hahaha! Até hj tenho coisas guardadas e posters na parede e atrás da porta do quarto. É, certas coisas não mudam! Hahaha! Saudades de dormir na casa das amigas e confidenciar segredos.
Ah, mais uma coisa que não mudou: muitas e muitas vezes escrevi nos meus diários ao som de Backstreet Boys. E pasmem! Tô escrevendo agora ao som de Backstreet Boys! E as músicas daquela época, nem as recentes são, hahahaha! Aliás, foi isso que me motivou a escrever esse texto. Ouvir essas músicas me fez lembrar de muita coisa! Muita coisa mesmo! E deu saudades! E eu percebi que não era tão ruim assim ser adolescente! Era uma delícia, na verdade! Pena que só a distância temporal pra me fazer perceber isso! Mas talvez a graça seja essa: se naquela época eu tivesse essa percepção, hj eu não estaria aqui relembrando essas coisas, sentindo saudades e rindo de tanta coisa que na época me deixava triste. Talvez certas coisas sejam feitas para terem graça depois! A adolescência é uma dessas coisas. E tb serve pra gente tirar uma lição de que toda fase da nossa vida é boa, mesmo quando parece exatamente o contrário. Mesmo quando a gente tá sofrendo, mesmo quando a gente tá cheio de problemas, dúvidas, medos, aflições. Mesmo qdo parece que tudo tá dando errado. Mesmo qdo a gente não tem vontade de sair da cama (e eu sempre não tenho vontade de sair da cama, haha). Na adolescência, eu era uma baita de uma pessimista. Nunca que iria achar que a vida é boa, hahaha! Na verdade, eu queria era morrer naquela época. Adolescentes... sempre tão trágicos! Hahaha! Tá, até hj eu tenho os meus dias de achar tudo uma droga, uma merda e que o mundo podia explodir. E sim, eu reclamo mto da vida. Demais, até! E mtas vezes fico deprimida! E mtas vezes escrevo textos tristes. Mas hj, minha percepção das coisas é diferente. Minha tristeza não é a mesma. E eu não tenho aquele vazio constante que eu tinha. Não que às vezes eu não me sinta vazia... muitas vezes o vazio chega a me sufocar. Mas hj, hj, eu consigo sentir tudo de uma outra forma. De uma maneira que me empurra pra frente. Hj eu estou viva. Eu já estive morta! E é bom estar viva até qdo isso dói! E é bom sentir saudades de mim, saudades de fases, saudades do que eu já fui! E sei que vou sentir saudades do que sou agora, mesmo que agora eu sinta vontade de não ser eu, de não ser eu dessa forma que estou sendo eu! Confuso, mas é isso! A vida é assim, a gente erra, a gente acerta, a gente ri, a gente chora, a gente sofre, a gente acha que o mundo deve explodir, a gente acha o mundo um lugar legal, a gente ama, a gente se apaixona, outras vezes não, a gente muda, a gente não muda... essa é a graça! ^^

domingo, 20 de setembro de 2009

No silêncio da noite, ela se perguntava o que ela estava fazendo errado. Sim, pois estava errado. Certo não estava, afinal, se estivesse, as coisas seriam de outro modo. Ela se sentiria feliz. Mas realmente feliz e não a felicidade superficial que ela sabe que é a única felicidade que sente. Porém, infeliz ela também não é, embora já tenha sido. Como se chama esse meio termo entre infelicidade e felicidade? Tem nome isso? Vida? Talvez. Ser infeliz é característica de quem não vive... sim, quando ela não vivia ela era infeliz, agora ela vive e já não é infeliz, porém também não é feliz, plenamente feliz. Ser feliz é para os mortos. E não, morrer não é a mesma coisa de não viver que eu disse agora pouco. Morrer, você morre e pronto. Estar morto em vida é outra história... Quando ela era infeliz, ela estava morta em vida. Agora ela está viva em vida. Bom. Pelo menos, é o que ela pensa. Talvez o meio termo seja o melhor mesmo... talvez não.. quem sabe... Ninguém sabe essas coisas... Viver é isso, é não saber das coisas e mesmo assim seguir em frente. Talvez essa seja a graça, sei lá. Ela vai vivendo, seguindo a vida... mas ela pensa que está fazendo tudo errado. E, de fato, está. Mas o que é certo fazer? Está aí outra pergunta sem resposta. Talvez o errado seja o certo algum dia e ela só não saiba disso ainda... Talvez ela se sentir um peixe fora d'água seja porque o mundo é todo torto e ela não saiba como se encaixar nele... talvez ela consiga se encaixar um dia... ou não... quem sabe seja melhor não se encaixar mesmo... mundo besta esse... mas os que não se encaixam têm um triste destino, mas talvez o mais sincero destino: a solidão. É, ela é solitária. E tem a sua própria bolha... Menina, fique na sua bolha! Ela te pertence, nela você se encaixa! E quer saber, doce menina, não é você quem tem que tentar se encaixar nesse mundo não... é ele quem tem que se encaixar! E se ele não se encaixa, então que continue torto e besta, você não precisa fazer parte dele, pelo menos, não da forma que ele reservou pra você, você molda sua própria forma. Menina, tire os cabelos do rosto, não tape a face rubra, não esconda os olhos cansados... por que sentir vergonha? Por que tanto medo? Por que tanta fragilidade? Em sua bolha não há o que temer! Menina, doce menina, já é uma mulher, só não sabe disso. Mas não tem problema, pode continuar sendo menina! Só não tema, seja forte e defenda a sua bolha, a proteja, ela é sua fortaleza e ninguém, ninguém, menina, vai destrui-la! Só quem pode é você mesma, mas você não fará isso, menina. Destruir sua bolha é destruir você mesma! Não faça isso nunca! Nem quando o coração apertar e o vazio te deixar sem ar! Nem quando a dor te corroer! Não sucumba a ela! Seja forte! Menina, você só tem a você mesma e é a pessoa mais valiosa, só você sabe de você mesma, só você pode ser você e mais ninguém. Quando os outros zombarem de ti é porque não sabem o quão valiosa você é e porque eles próprios já perderam a valiosidade que tinham! Não valem a pena... Algumas pessoas simplesmente não valem a pena! Nunca se esqueça disso! Eu te amo, menina!

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Voltando a minha fase introspectiva, fase de ficar na minha, fase de poucos amigos, fase de preferir ficar em casa vendo filmes do que sair (e olha que eu adoro sair). Estou tomando decisões importantes na minha vida, eu estou querendo mudar minha vida, mudar velhos hábitos, ainda não sei mto bem como fazer isso, não é fácil mudar certas coisas, depois que a gente se acomoda, é mto difícil se levantar e tomar um novo rumo, mas a gente só começa a caminhar dando o primeiro passo, certo? Então, querer mudar e, pelo menos, pensar nisso já é o primeiro passo, aos poucos, vou caminhar, mas não tenho pressa, já dizia o ditado: "devagar se vai ao longe". Uma mudança eu já comecei, menos mal, agora faltam tantas outras. Minha saúde cada vez está mais debilitada e eu preciso tomar providências, preciso colocar na minha cabeça que certas coisas me fazem mal e mudar isso. Não quero me tornar uma pessoa super saudável, não tenho tamanha pretensão, hehe, mas quero poder me sentir um pouco melhor, eu vivo passando mal, me sentindo fraca, cansada, sem disposição, se eu conseguisse melhorar um pouco isso, já seria ótimo! Gostaria de poder acordar sem me sentir enjoada ou com tontura, sentir disposição e energia pra fazer as coisas. Meu corpo não aguenta uma porção de coisas, preciso fortalecê-lo! Estou escrevendo tudo isso aqui que é pra ver se eu crio vergonha nessa cara pra fazer o que tenho pensado a respeito do assunto, só pensar não faz eu sair do lugar né! Mas td bem, como eu disse, não tenho pressa, td ao seu tempo, aos poucos vou buscar motivação pra ir fazendo as mudanças necessárias! Mudança radical tb não seria uma boa né, melhor mesmo ir no meu ritmo. Eu estou me tornando uma pessoa mais decidida, mais determinada a buscar o que eu quero. É isso aí, garota! Hehehehe!