domingo, 9 de janeiro de 2011
(04/01/2011)
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
sábado, 13 de novembro de 2010
Não correspondo às expectativas dos outros e quando correspondo, então não satisfaço a mim mesma: ou eu faço o que os outros querem como uma bonequinha e sou recompensada por isso ou quebro com as expectativas alheias e não suporto as consequências... eu não sou forte o bastante para agir por conta própria, não sem prejuízos. Eu me importo com os julgamentos, eu me importo com o que pensam a meu respeito. Mas é como a música diz: "Se eu for ligar para o que é que vão falar, não faço nada" (O Mundo, Capital Inicial). É isso. Tento me convencer disso. Eu não posso agradar o mundo! Por mais que eu queira! Nem se eu me repartisse em milhares e cada pedacinho fizesse o que os outros quisessem, nem assim eu conseguiria agradar, então, por que buscar por uma perfeição impossível? Por que me perder nessa busca? Eu deveria agradar a mim mesma em primeiro lugar e depois me preocupar se agradei os demais ou não. Não que eu não deva me preocupar com as pessoas, mas saber a medida certa de me importar. Eu não deveria pedir permissão para viver. Mas é o que eu faço! Estou aqui sempre pedindo licença, como se eu não pudesse estar aqui. Como se eu tivesse que andar sempre na ponta dos pés para não incomodar ninguém. E é tanta culpa corroendo o corpo. Tanta culpa! Culpa que me envergonha! Talvez isso explique a timidez... a cabeça baixa... os desvios do olhar... é culpa, tudo culpa! Não posso encarar as pessoas e seus olhos me condenando! Na verdade, eu sou a minha maior inquisidora! Eu já me condenei, eu mesma me sentenciei. E por isso eu mesma me puno! Por que será que eu sempre procuro algo pra sofrer? Porque eu acho que mereço a dor! Eu acho que mereço sofrer! Eu me castigo por crimes que nem sei se cometi! Eu só sinto a culpa, culpa, culpa, culpa... a culpa ecoa dentro de mim! Atordoa! Enlouquece! Culpa! Culpa! Culpa! E não importa o quanto eu tente me justificar. Eu não consigo o perdão, o meu próprio perdão. Não importa se eu tenho consciência de que eu mesma me coloco tanta culpa, culpa por algo que nem existe, que nem sei o que é. Não importa que eu saiba disso, não faz diferença. O fato é que eu não me perdôo por ser quem eu sou. Não tem o que perdoar, não é preciso perdão, eu sei. Eu sei disso tudo! Eu sei! Mas saber não me impede de sentir culpa... não adianta... e todo esse texto não passou de uma justificativa que não levou a nada, um pedido vão de clemência, uma tentativa desesperadora de fugir do castigo, mas a guilhotina já está afiada e o carrasco pronto, e eu tenho o pior carrasco: EU!
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Eu só sei que me encho de furor quando me sinto injustiçada e me encho de paz ao ver as gotas da chuva na janela escorrerem quase como se estivessem apostando corrida umas com as outras. E eu sinto vontade de chorar toda vez que me deparo com algo assim. E eu sinto vontade de sair pelo mundo correndo e chegar num lugar beeem alto e rodopiar com os braços abertos, sentindo o vento dominar todo o meu corpo. Mas eu também às vezes sinto vontade de me jogar desse lugar alto. E deixar meu corpo estatelar no chão. E eu sinto vontade de me rasgar. E eu sinto vontade de ficar sozinha. E sinto vontade de segurar a mão de alguém às vezes só pra ter certeza de que tudo ficará bem. E eu quero olhar as estrelas. Porque eu amo estrelas. E eu as sinto brilhar aqui dentro, já disse isso mil vezes, elas tremulam aqui, tal qual disse Clarice Lispector. Eu queria poder tocar as estrelas. Segurar uma por uma e roubar algumas. As mais bonitas. Só pra deixar as "feias" no céu pras pessoas aprenderem a apreciar o feio de vez em quando.
E eu quero dar beijos, muitos beijos. Beijar bochechas, bocas, pescoços, mãos, ombros...
E eu quero abraçar... quem for, o que for... envolver o que me cerca.
E eu quero ter mil rostos... mil corpos... mil vozes e sorrisos e risadas e choros. E eu quero que o meu sorriso seja o mais encantador para alguém. O sorriso que faz o coração parar, como diz uma música do Capital Inicial... E eu quero não sentir timidez... quero estar com as pessoas e me sentir confortável, completamente confortável e à vontade... e às vezes, quero me sentir desconfortável... às vezes quero que me deixem com vergonha, para adorarem meu rosto vermelho.
As pessoas falam de uma realidade que eu não sei sentir. Porque eu sempre fui utópica e sonhadora e fã de ilusões. Mas às vezes eu acho que quem se ilude são as pessoas que pensam que não podem ter uma vida de sonhos. É, pelo jeito, eu não levo as coisas tão a sério assim. Na verdade, quando falo em levar a sério, é porque eu sou tão intensa que quando algo me incomoda, me incomoda pra valer. Mas também quando sonho, é pra valer. Quando brinco, é pra valer. Seja algo ruim ou bom, é pra valer, é intenso. Eu sinto tudo... o problema é que de um tempo pra cá, tenho me sentido mal, pesada, mas eu quero a leveza da bolha de sabão!!! Eu quero flutuar por aí... não quero ter corpo nenhum me prendendo aqui... E eu só queria encontrar outras bolhinhas de sabão pra viajarem comigo... Você quer ser uma bolha de sabão pra partir comigo?
Pode ser fácil flutuar... só é preciso se permitir... eu vou me permitir de vez em quando, só pra variar. ;)
domingo, 17 de outubro de 2010
O constrangimento não me deixa... eu sinto vergonha de mim... eu não consigo encarar as pessoas, as coisas... não suporto que elas me encarem de volta... Eu quero sumir... Mas, no fundo, eu gostaria de ser percebida, mas não da maneira que eu me encontro, mas talvez da maneira que eu seja realmente e que está perdida por aí. Eu não gosto da maneira que estou. Pois não é possível que eu seja assim, eu estou assim, apenas... por um motivo que eu não faço idéia... ou será que eu simplesmente não quero aceitar que essa Raquel seja a Raquel? O que há de errado com a Raquel? Não sei se há algo de errado, mas também não parece certo... Eu não sei... eu apenas não consigo olhar pra mim mesma e me ver! Por que eu não posso simplesmente estar bem? Por que eu tenho que arranjar uma maneira de me sentir mal? Por que eu gosto da tristeza? Por que eu não posso apenas acordar e me sentir viva? E por que tantos "porquês"? Eu procuro um sentido que não é possível achar. Uma coerência que não existe! Eu preciso viver uma coisa de cada vez. Mas eu quero atropelar tudo, maldita ansiedade!!! Eu quero ter tanto controle sobre as coisas que não me permito me perder... mas eu me perco... mas se eu não tivesse medo de me perder, perder-se não seria ruim... mas é tanto medo... eu preciso ter controle sobre as coisas!!! Mas eu queria me perder em um abraço... será que um dia vou confiar tanto em alguém a ponto de me entregar completamente ao seu abraço? Eu amo abraços... mas eles têm sido tão distantes... eu queria um abraço que fosse além dos corpos juntos, um abraço de alma, de essência, de sentimento, de pensamento, um abraço que realmente fundisse duas pessoas e não apenas tocasse dois corpos que não significam nada! Aliás, cansei dos corpos e de suas formas previsíveis... o que eu quero não tem forma!
Eu queria deixar de racionalizar... aceitar o caos e ter paz! Mas não me parece possível...
Está tudo tão distante de mim...
Eu quero ir embora... sair daqui... sair da mesmice (ou mesmisse?)... fugir do marasmo... fugir de mim... não aguento mais as mesmas coisas e pessoas!!! Os mesmos pensamentos cutucando incessantemente... a dor agulhando o peito... o ar que sufoca...
Eu vou embora antes que esmoreça de vez!
Adeus!
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
No dia 25/09/2010 escrevi um texto, não terminei, mas coisas que falo nele continuam sendo verdade, então vou postar assim mesmo. Depois, vou postar outros textos, um de hj e outro de 2007.
"Eu não sei muito bem o que eu quero falar, mas algo pulsa aqui dentro querendo que eu fale... qualquer coisa que seja. Eu guardo tantos segredos que eles estão me matando... A minha vontade é de gritá-los... mas eu não posso... não posso pois não arcaria com as consequências, essa que é a verdade. Eu sou covarde. Eu sou uma menininha assustada! Uma menininha que criou um mundo próprio, um mundo de ilusões! E todos que tentam entrar nesse mundo acabam destruindo um pedaço dele e a menina não quer desilusões! Mas é só com o que ela tem se deparado: desilusões! E isto está matando a menina! Então, saiam do mundo dela!!! É bem verdade que ela quem leva as pessoas para o seu mundo, mas se ela der a mão pra você e te convidar pra entrar, não aceite! Não brinque com a menina, pois ela não sabe brincar! Ela cai nas próprias armadilhas! E quem sofre é ela! E você nem se dá conta! E não é culpa sua! Mas deixe a menina em paz... é só o que ela quer: paz!" (25/09/2010)
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Cansei de mim. Estou em desavença comigo mesma, como disse o poeta Sá de Miranda: "Comigo me desavim/ Sou posto em todo perigo/ Não posso viver comigo/ Nem posso fugir de mim".
Eu não posso fugir de mim e cansei de não poder. Não posso viver comigo e cansei de viver. E cansei da minha idiotice. Cansei do mundinho de merda que eu criei pra mim. Mundinho de ilusões. Na verdade, cansei das pessoas esfregando o tempo todo na minha cara a realidade. Não cansei das ilusões, mas das desilusões. Eu poderia viver sonhando. Simples assim. Mas insistem em me fazer engolir a realidade. Eu não quero a realidade. Eu cansei da realidade. Eu cansei de falsas palavras: de ouvir e de dizer. Eu cansei de mentir. Eu cansei de me esconder atrás de máscaras. Eu cansei do meu sorriso, mas não cansei das minhas lágrimas. Eu cansei de querer ser alegre. A tristeza sempre combinou melhor comigo. Eu cansei de pensar nas pessoas. Eu cansei de só pensar numa pessoa. Eu cansei dos seus olhos azuis. Eu cansei da dependência e do apego. Eu cansei de ser patética. Eu cansei das palavras. De todas. Eu cansei dos sentimentos. Eu cansei dos meus pensamentos. Eu cansei de me sentir deslocada, de estar fora do lugar, de me sentir um peixe fora d'água em qualquer lugar que eu esteja, com qualquer pessoa que seja. E da sensação desconfortável que isso dá. Eu cansei das brigas. Eu cansei dos espelhos. Eu cansei de acordar. Eu cansei de querer chamar a atenção. Eu cansei de me fazer de vítima. Eu cansei de ser uma menininha assustada. Mas eu só tenho medo! Eu cansei da culpa! Da culpa que corrói cada pedaço de mim! Eu cansei de me sentir ridícula. Eu cansei dos desejos, das vontades. Eu cansei dos sons. Eu cansei das provocações baratas e joguinhos bobos! Eu cansei da minha timidez. Eu cansei do meu embaraço. Eu cansei da minha pele. Eu cansei da minha forma. Eu cansei da minha voz. Eu cansei das minhas reclamações e irritações. Eu cansei de ser humana. Eu cansei dos discursos, dos protestos. Eu cansei do meu olhar perdido. Eu cansei de cansar. Eu cansei de não saber. E cansei de saber. Eu cansei da gravidade. Eu cansei de ter os pés no chão. Eu cansei do amor. Eu cansei de só saber amar com raiva. Eu cansei da raiva. Mas a raiva que eu sinto de mim só aumenta. Eu cansei do ar. Eu cansei de respirar. Eu cansei de respirar fundo. Eu cansei de suspirar. Eu cansei de erguer a cabeça. Eu cansei do meu estômago. Eu cansei da ânsia. Eu cansei do aperto no peito. Eu cansei de querer agradar. Eu cansei de esperar a perfeição. Eu cansei de exigir. E de ser exigida. Eu cansei de querer abraçar o mundo. Eu cansei de me importar. Eu cansei de culpar os outros pela minha dor. Eu cansei da minha dor. Eu cansei de soltar a corda toda vez e me jogar no fundo do poço. Mas eu também cansei da superfície. Eu cansei do desânimo. E da preguiça. Eu cansei da rejeição. Eu cansei de ser amiga. Eu cansei da solidão. E cansei da companhia. Eu cansei de existir. Eu cansei de insistir nos mesmos erros. E cansei de tentar aprender com eles. Eu cansei do errado. E do certo. Eu cansei das coisas. Eu cansei da essência. Eu cansei desse texto. Cansei do desabafo. Cansei de tentar fazer algum sentido. Eu cansei do desespero. Eu cansei da desesperança. E da esperança. Eu cansei do antigo. Eu cansei do novo. Eu cansei das cores. E do preto e branco. Eu cansei de ser irresponsável. E cansei da responsabilidade. Eu cansei de crescer. Eu cansei de ser adulta. Eu cansei da idade. Eu cansei dos apoios. Eu cansei dos remédios. Eu cansei da falsa sensação de bem estar. Eu cansei da superação. Eu cansei da sobrevivência. Eu cansei do instinto. Eu cansei... Eu cansei de mim.
(04/10/2010)
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"Pulos...
Pulos desesperadores...
Ele se debate...
O chão agora é seu inimigo...
Ele se debate...se debate...
A angústia se intensifica...
Minutos de terror!
...
Os pulos já não são mais intensos...
Seus movimentos perdem força...
A luta desesperada pela sobrevivência desaparece...
Já não se debate mais...
O peixe fora d'água já não se move...
Morreu!"
(11-16/09/07)
É isso. O peixe fora d'água morreu... E eu cansei de morrer.
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Eu me sinto apagando... E tudo ao meu redor está se apagando também. Já não distingo as coisas. Eu as vejo, vejo suas formas e contornos, eu as toco, mas é como se elas não existissem. É como num sonho, talvez. Estou perdendo a realidade. Estou presa em algum lugar entre a ilusão e o concreto. Eu não sinto o chão, é como se eu flutuasse e saísse de mim, mas ainda assim, eu me sinto emparedada. Nem que esse emparedamento seja da imensidão do espaço me oprimindo. E é tudo tão contraditório que sinto as coisas se anulando. Eu estou anulando. Deixando de existir*.
Não tenho ar. Estou sufocando! E as pernas tremem!
Estou entrando num estado de dormência que há muito não sentia. Sinto-me perder na imensidão. Desintegrando... É atordoante... Desespero sufocante, grito abafado. E nem adianta eu me debater. O corpo paira no borrão branco.
Eu estou tão desnorteada que não sei o que escrevo. Eu não tenho mais certezas... Não sei no que acreditar, se é que é para se acreditar em algo. Todas as minhas contradições se escancaram e é tudo caótico. E são muitas perguntas e não há respostas. Um emaranhado de idéias, pensamentos, conceitos me engole. Não há saída. Eu sabia que iria enlouquecer! E a loucura é tão solitária...
*
A morte absoluta
Morrer.
Morrer de corpo e de alma.
Completamente.
Morrer sem deixar o triste despojo da carne,
A exangue máscara de cera,
Cercada de flores,
Que apodrecerão – felizes! – num dia,
Banhada de lágrimas
Nascidas menos da saudade do que do espanto da morte.
Morrer sem deixar porventura uma alma errante...
A caminho do céu?
Mas que céu pode satisfazer teu sonho de céu?
Morrer sem deixar um sulco, um risco, uma sombra,
A lembrança de uma sombra
Em nenhum coração, em nenhum pensamento,
Em nenhuma epiderme.
Morrer tão completamente
Que um dia ao lerem o teu nome num papel
Perguntem: "Quem foi?..."
Morrer mais completamente ainda,
Sem deixar sequer esse nome.
(Manuel Bandeira)
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
O estômago se corrompe, os ossos corroem, o peito murcha, os olhos pesam e os lábios sorriem..."
Escrevi esse texto no dia 30 de agosto desse ano, no metrô, voltando da faculdade. E é assim que venho me sentindo há um bom tempo. Eu escondo tudo, toda a minha dor, aflições, questionamentos, dúvidas, desespero, ilusões etc com um sorriso. Eu sorrio. Simples assim! É a única defesa que aprendi! Não que eu não sorria verdadeiramente, é claro que muitas coisas me fazem sorrir por simplesmente me fazerem bem, por eu gostar de algo, por estar feliz. Eu sorrio por querer sorrir. Mas eu sorrio por só saber sorrir! Na frente dos outros! Claro! Não sei porque tenho tanto medo de me mostrar para os outros. Não sei porque eu quero tanto que me vejam como uma pessoa forte, que está sempre bem. Por que não demonstrar minhas fraquezas? Por que não chorar na frente de todo mundo quando eu quiser chorar? Por que não gritar pra todos ouvirem a minha raiva? Porque eu sinto muita raiva. E o que isso tem de mais? Por que eu não digo o que penso? E por que tanto orgulho? Dizem que meu sorriso é bonito. Muitos dizem. Passei a gostar dele por causa disso. E aí eu só sorrio! E a quem eu quero enganar? É como se eu quisesse conquistar o mundo inteiro com meu sorriso! Como se ele pudesse me proteger de tudo e fazer todos caírem ao meu redor. Mas isto não é verdade! Eu sorrio e o máximo que acontece é eu sentir dor, muita dor a cada sorriso! E ninguém se abala com ele! E ele nem me protege! Só mascara tudo... e eu ando tão desiludida com o mundo... com as pessoas, comigo! A verdade é que eu sinto muita raiva de mim! MUITA RAIVA DE MIM! E finjo que a raiva é dos outros! NÃO É! É DE MIM!!! Eu estou furiosa! Meu sorriso é a minha máscara! E ela está pregada na cara... não sai. E aí que sorrir virou banal. E eu quero sorrir verdadeiramente, porque eu amo sorrisos! E toda vez que o sorriso é falso, eu morro. Porque, sim, eu posso morrer várias vezes. Já morri muitas! Nem dói mais morrer! Morrer não é o problema! Sorrir é! Sorrir dói! E eu preciso reaprender a sorrir! E quando eu digo sorrir, não falo em dar risada. Mas eu dou risada! E piora tudo. Porque eu também dou risada falsamente! Porque também é a minha defesa! A música já dizia "mas rir de tudo é desespero". É! É DESESPERO! Eu rio de tudo! É bom rir! Eu amo rir! Eu rio porque dá a falsa sensação de bem estar! Porque tudo parece mais fácil quando se ri! Porque o som da risada rompendo o silêncio me acalenta! Mas é falso! Tudo falso! Eu quis tanto me proteger dos outros, que não me protegi de mim mesma! Porque eu me firo! Eu me rasgo! O sorriso é um rasgo! Olha no espelho! Olha como o sorriso rasga seu rosto! Mas eu sempre gostei de me sentir rasgar! Eu sempre gostei de me punir! Eu sou culpada! Ou eu acho que sou culpada! Eu me culpo por tudo! Por que tanta culpa? Eu me culpo por sorrir! E eu não consigo nem olhar as pessoas mais! E eu as amo tanto! E as odeio tanto! Porque tudo em mim é intenso! Mas eu quero ficar na superfície! Eu quero que você só veja a minha superfície! Mentira! Nem a superfície! Se você não me visse, seria melhor! Mentira de novo! Eu queria que você me visse nua! Nua de culpas, de dor. Mas acho que é mentira outra vez! Eu só sei mentir! Fingidora profissional! E eu menti tanto que eu nem sei mais quem eu sou. O que eu quero? Eu não sei me relacionar com as pessoas! Deve ser porque eu não sei nem aguentar a mim mesma! Eu não sou livre de mim! E é por isso que liberdade é algo utópico! Você não é livre, não importa o quanto te digam que você tem escolhas! Elas são falsas! Você não é livre de si próprio e você é a sua pior prisão! Falar isso hoje, justo hoje (depois de ter visitado o Memorial da Resistência) parece ridículo! Mas falo de outra liberdade, meus caros! E até a palavra liberdade está presa no seu conceito, na sua significação... sempre presos... as prisões só mudam... meu sorriso é o meu pior carrasco. A cada "tudo bem" dito, é uma parte arrancada de mim... a cada mentira, é uma estrela que se apaga. Porque eu possuo estrelas. Elas brilham e tremulam aqui dentro! Elas doem! E todo o brilho delas ninguém vê! E eu que pensava que meus olhos diziam muito! E por isso eu nunca deixei as pessoas olharem muito pra eles! Pra não me descobrirem! Mas fiquei tão craque em camuflar, que meus olhos não dizem mais nada! Tudo o que têm a dizer está na parte de trás deles! Na frente, não tem nada! E eu não queria ter este corpo! Eu queria ser um borrão! Uma mancha! Uma impressão... odeio ter forma!
Eu estou perdida! Acho que agora entendo O Grito... ou não... eu não sei de mais nada... eu odeio essas palavras todas! Odeio que não posso materializar o que sinto ou o que não sinto... nem sei se sinto... eu só consigo pensar enquanto escrevo é no que as pessoas estão pensando disso tudo! E eu odeio isso!!! Porra! Odeio me preocupar com o que os outros pensam! É por isso que eu me fecho! Mas aí eu escrevo tudo isso aqui como uma tentativa de abertura. Mas será que realmente estou me abrindo? Essas palavras soam vazias pra mim! Não acho que ainda estejam me mostrando... porque eu só escrevo o que eu acho que você deve ler e saber. As outras milhões de coisas que estou pensando e sentindo enquanto escrevo, eu simplesmente não te mostro. Mas são as coisas que mais queria mostrar. Eu nunca vou te mostrar! Fingidora profissional! Aí eu respiro bem fundo... e sorrio! E sei que vou continuar fazendo isso até o fim! E você nunca saberá quando eu realmente estarei sorrindo por querer sorrir! É insuportável conviver comigo! Se você ainda não se deu conta disso, dará em breve! É insuportável! Mas você não se deu conta ainda nem do que eu estou falando aqui! E sabê por quê? Porque eu respirei fundo e sorri nas entrelinhas! E porque amanhã eu vou respirar fundo e sorrir. E depois também... e também...
Sorrir... só rir... rir... ir... me fui e me perdi. Mas continuo sorrindo e te convido a sorrir comigo. E mesmo quando eu chorar... estarei sorrindo. Porque o choro é um sorriso também.
E se você vier me perguntar disso tudo, eu vou sorrir e desconversar! Eu sou patética! E eis a gargalhada final...
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Bastam!
Tum! Pá! Hey!
Não pode cair.
Mas caiu.
Caiu.
Tum! Pá! Hey!
Bastam!
Basta!
Bas... tum... pá... hey...
Minha vez! Eu não quero!
A metáfora do bastão é a mesma da bola: "passa a bola!"
Não! Não passem a bola pra mim!
Hunf...
Por mim o bastão sempre cairia e a bola ficaria no canto...
Não preciso falar!
Blá!
Blá!
Blá!
Não preciso que me passem a porra de um bastão pra que eu tenha que falar!
Já passou pela suas cabeças que eu não quero falar? Pelo menos, não do modo que vocês acham que é falar... Eu falo o tempo todo. Infelizmente, as pessoas não aprenderam a me escutar, mas eu, eu tenho sempre que tentar me adaptar aos outros. Eu quero que os outros explodam com o seu blá, blá, blá irritante!
Eu escrevo... sim, não deixa de ser um monte de blá, blá, blá, mas convenhamos que as suas vozes irritantes e a minha voz irritante, as nossas vozes irrrr...rrri...TANTES, argh, ficam, ao menos, tolerantes quando só ecoadas no silêncio dos pensamentos...
Pensamentos...
Tenho aos montes! De todos os tipos e tamanhos! Freneticamente, eles correm... vocês acham que no meio dessa confusão, um bastão, um simples bastão de merda dado a mim vai fazer com que eu pegue um desses pensamentos e simplesmente abra a boca e o diga, assim, sem mais nem menos, jogado? Hahahaha... tenham dó!
Se vocês adoram o som do blá, blá, blá, eu entendo, mas eu não gosto. Quando essas vozes falam, as palavras soam vazias para mim. Incluse a minha própria voz. Ela não me diz nada! Minha voz não é nada! O som dela, quando emitido, rasga toda a essência que possa existir, qualquer fiozinho de sentido. Minha voz destrói o que quero expressar. Prefiro a minha voz escrita. Ou pensada! Nunca dita!
Eu estou agressiva. E não é pra menos! Tenho raiva do "falar". Do "escrever" também, diga-se de passagem, mas esse, eu ainda tolero. Chegará o tempo que escrever me será tão repugnante quanto falar... e pensar será ainda mais asqueroso... aí viver se tornará insuportável... pensando bem, bom que seja insuportável. Estou cansada de suportes. As palavras suportam ou tentam suportar o abstrato. Eu quero o insuportável! O indizível! Eu quero não ter que cercar de conceitos tudo o que eu sinto. Essa forma que sufoca. As palavras sufocam. Vejam quantos pontos finais nesse texto, quantas vírgulas, reticências... pra quê? Isso tudo só reprime...
Reprime!
Oprime!
Imprime!
Prime!
Rime!
Não sou livre! Não serei livre! Não posso fugir de mim... vocês podem? Não fugir de mim, mas de vocês mesmos? Vocês já tentaram fugir? Vocês já quiseram fugir?
Sumir... ser transparente... ser o nada... o tudo... não ter forma... não ter limite... NÃO DÁ!!!!!!!!
NÃO DÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁ!!!!!!!!!!
Grito em vão... do que adianta?
No final das contas, o bastão ainda vai estar lá!
terça-feira, 25 de maio de 2010
Estática!
Está!
Ânsia!
Está!
Pá!
Parado!
Intacto!
Tato!
Chão!
Pé!
Imóvel!
Ânsia!
Pulso!
Pulsa!
Interno!
Externo!
Estático!
Está!
Tá!
Pá!
Fica!
Cá!
Não!
Não sai!
Bu!
Nada!
Dá!
Dá?
Não!
Por quê?
Quê?
Trava!
Vá! VÁ!
Não!
Cá!
Apenas!
Pena!
É!
É!
És!
Tá!
Estático!
Estática!
(Raquel Zichelle - 25/05/2010)
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Certamente, tudo isso que escrevi é questionável, apenas apresentei a minha maneira de ver a educação, mais especificamente, a educação de teatro. E também quis desabafar, pois fico profundamente abalada (e revoltada) quando um "professor" toma atitudes que, ao meu ver, podam o aprendizado em vez de estimulá-lo. E o pior, quando estas atitudes são tomadas pela pessoa que você menos esperava, pela pessoa que você tanto admirava. Por isso, volto a repetir, ser um artista brilhante não faz de você um educador. Mas é lamentável que numa ESCOLA de teatro se priorize o artista brilhante e se negligencie o educador.
É com profunda tristeza e decepção que finalizo este texto.
segunda-feira, 3 de maio de 2010
quarta-feira, 21 de abril de 2010
quarta-feira, 14 de abril de 2010
Fitas, cores, risadas, danças, tambores, músicas, barulhos... ruas agitadas, barraquinhas, fantasias, doces, salgados, cavalos, bandeirinhas, presentes, pessoas. Amigos, recém-amigos, colegas, amores... burburinhos em cada esquina, cervejas, cadeiras, sinos pela cidade, mais risadas, fotos, confusão, cansaço, chuva, ônibus, jornais, confissões, rostos vermelhos, blusas jogadas, beijos...
Menina!
Uma menina que contrapunha com o cenário! Dentro dela não era agito! Por mais que ela batesse o pé acompanhando o ritmo externo, internamente ela era mansa, calma, mole, flutuante. A menina era como o pôr-do-sol. Anunciava a noite que não demoraria a chegar! A menina estava em "slowmotion", enquanto tudo ao redor fervia. A ebulição externa não importava! O concreto não a satisfazia! O possível não a interessava! Era o impalpável que ela queria! É o que ela sempre quer! Por mais que doa! E dói! Ela sabe! Ela bem sabe...
Lágrimas testemunhadas somente pela janela, sua leal companheira!
Lágrimas que terminavam de apagar o rosto da menina! Na garganta, o ar embolava preso à parede...
Sorrisos falsos... rosto (ou espectro dele) erguido... a despedida!
Desaparecimento...
A menina sumia e cada parte arrancada de seu corpo doía!
E ainda dói!
Ela sabe!
Ela bem sabe...
terça-feira, 30 de março de 2010
Sem pisca-pisca como companhia, o Papai Noel repousava sobre o vidro, pertencia a ele agora. Era parte da janela.
Sua escalada pela casa fora interrompida permanentemente. Falsos presentes intactos no saco preto. As pequenas mãos presas ao fio. Como numa foto, o bom velhinho restava parado num instante prestes a concretizar. O Papai Noel ficara lá suspenso na eternidade.
Esta cena foi contemplada pelos olhos de uma menina também abandonados numa janela. A diferença era que essa janela rodava a cidade e a menina com os olhos esquecidos no vidro acompanhava a paisagem que se impunha a ela. De tudo o que viu, o Papai Noel foi o único que alegrou os olhos solitários presos à janela. E a menina jurou amar o Papai Noel pra sempre!
quarta-feira, 24 de março de 2010
sábado, 27 de fevereiro de 2010
E eu caí na mesmice romântica... Talvez porque eu seja romântica. E seja a mesma!
domingo, 7 de fevereiro de 2010
domingo, 24 de janeiro de 2010
E tudo isso por ansiar demais! Se soubesse ser paciente, o corpo não precisaria sofrer tanto, se o coração se mantivesse forte, inflexível, sempre a bater no mesmo ritmo não cedendo aos apelos da expectativa, o peito seria sempre grande o suficiente para cabê-lo, a garganta não sufocaria e o estômago não precisaria empurrá-lo, no desespero de salvar o corpo da falta de ar! Mas o corpo é impaciente! Seus anseios trazem sequelas... na boca, o gosto sempre amargo; no estômago, o enjoo, a náusea, a dor; no peito, o aperto... E a constante falta de sono! Precisa sempre recorrer a remédios! O corpo já fraco, enfraquece ainda mais! Embora o rebuliço que acontece todos os dias dentro dele o faça parecer vivo, na verdade, falta vida em suas veias! E o cansaço toma conta cada dia mais desse corpo... e tudo isso por ele não saber como esperar, por não saber não ansiar demais! Tudo isso por não viver cada segundo plenamente, sem pulá-lo... por não viver o presente sem pensar no amanhã! O corpo anseia pelo amanhã e esse é o seu veneno letal!
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Porém, talvez eu deva deixá-la ir... ela escorreu pelos meus dedos e não tem mais como não deixar que ela escape... eu não soube segurar com força... mas ela não é do tipo que você segura... ela flui... ela escapa pelas fendas, quaisquer fendas... ela se mistura no ar, se dissolve na água, se absorve na terra... ela não pertence a ninguém, só ao mundo... E eu o invejo por tê-la e eu não!
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Eu falo de dois tipos de pensamentos, aquele que pensa as coisas mais sinistras, bizarras, pornográficas, pervertidas, maléficas, cruéis, incestuosas; e aquele que quer banir todos esses. Esse sim é a nossa prisão! Esse é que fica cutucando, dizendo: "olha lá hein, olha o que você vai fazer. O que o outro vai dizer disso? E a sua reputação? Olhaaaa bem. É pecado isso hein, se fizer isso, você é uma pessoa horrível". Não que às vezes ele não tenha razão, mas ele acha que pode controlar tudo e que pode te escravizar, sempre sob a máscara do bonzinho, do protetor: "faço isso pro seu próprio bem. Imagina se você fizer tudo o que pensa?". Mas e a nossa liberdade onde fica nisso tudo? Talvez a gente não deva mesmo fazer tudo o que pensa, mas e falar tudo o que pensa? Eu posso pensar que tô matando uma pessoa ou transando com várias no meio da rua. Eu não preciso realmente fazer isso, mas não posso falar?
É engraçado pensar que pensamentos reprimem pensamentos. Os que reprimem acabam me enlouquecendo de tanta imposição; os reprimidos me enlouquecem de tanta repressão.
Ahá. Acabei de me dar conta de que existe um terceiro tipo de pensamento. Afinal, se não fosse por ele, eu não estaria escrevendo isso tudo agora. O reprimido não tem forças e o repressor não me deixaria falar contra ele, certo? Então há o pensamento intermediário. Hum...então há uma saída? Ou ele é só um joguete que o repressor faz pra me confundir? Pra me dar a sensação de certa liberdade, quando na verdade ele me controla mais? Acho que seja qual deles for, eu sou só uma marionete da minha mente. E ser ciente disso faz parte da manipulação.
Se existe uma saída, ela se dá por meio dos instintos. Os outros animais os tem mais apurados, nós temos instintos também, mas eles se enfraqueceram porque somos condicionados a pensar antes de agir. Pensar, pensar, pensar. Só escrevo porque penso.
E esse texto foi pensado e repensado enquanto escrito, coisas foram apagadas, palavras foram substituídas. Não consigo fugir do filtro do pensamento.
O fluxo de idéias aqui aparenta ser espontâneo, mas não é. Nunca é.
E quanto mais eu penso sobre isso tudo, mais me enrolo em milhares de redes de outros pensamentos.
Não dá pra fugir.
Fim.
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
Eu ando com os nervos a flor da pele, angustiada e ansiosa. Em parte, boa parte aliás, por causa do vestibular. É só uma prova, dizem. É, realmente, é uma prova. Uma prova que, na minha opinião, não prova nada. Não prova se eu tenho conhecimento ou não, se eu estou apta a cursar uma universidade como a USP ou a Unesp e assim vai. O máximo que ela prova é se você consegue naquele dia se sair bem. Ponto. Se você é uma pessoa calma, provavelmente vai se sair melhor do que muita gente que se preparou pra valer durante o ano todo, mas que não é uma pessoa calma, não é uma pessoa que consegue controlar a ansiedade, o medo, a tensão. Bom, mas é uma concorrência né e vale tudo. Portanto, se você não controla suas emoções, "baubau" pra você, presta vestibular de novo. As vagas são poucas e muita gente quer estudar, então ou você entra no esquema ou se dana. E quem liga? O pior é a cara de pau de falar que o conteúdo cobrado é o do ensino médio. Aham, Cláudia. Ensino médio de quem? O público que não é. Ah, e como se não bastassem as provas gerais, alguns cursos ainda têm as provas de habilidades. O meu, por exemplo. E funciona do mesmo modo, quem não controla as emoções, se ferra e se ferra bonito. Ah, e os tímidos só se ferram, como eu! Quem liga para os tímidos? Eles que se fodam. Os tímidos têm que aprender a não se mostrarem tímidos, caso contrário, tchau! Seja numa entrevista de emprego, numa prova oral, numa conversa banal, quem é tímido só sai perdendo! E se você se justifica como tímido, as pessoas ainda falam: "você não pode usar isso como desculpa". Desculpa do quê? Quem aqui está se desculpando? Eu não me desculpo por ser tímida! Vocês que deviam se desculpar por pisotear nos tímidos e cobrar deles algo que nem deveria ser cobrado. Por que os tímidos é que têm que se adaptar à situação, às pessoas ao redor e não elas aos tímidos? Aí viram e dizem pra você: "você se faz de vítima". Eu não me faço de nada. Eu sou o que sou e vivo na pele as dificuldades impostas pelos não-tímidos. É fato! Tanto é fato que na prova de transferência que eu prestei tentando passar de Letras pra Artes Cênicas na USP, os tímidos foram os que tiraram as menores notas. Por que será? Ah, vão dizer agora que ator não pode ser tímido. Claro que pode. Somos tímidos, mas estamos tentando, improvisando, criando, mesmo quando nossa natureza tímida tenta nos travar e nos impedir. Isso deveria ter algum mérito, não? É muito fácil pro extrovertido chegar lá e fazer sua improvisação, ele é espontâneo naturalmente, sem muito esforço. Mas os tímidos precisam passar por cima das travas para alcançar a espontaneidade! E conseguem! Então, puta que pariu, cadê o nosso mérito? Só o fato de a gente não desistir já é uma prova (já que se tem que provar alguma coisa) que estamos disponíveis, que queremos passar pelas barreiras, que temos condições assim como qualquer outro. E somos como qualquer outro. Não peço pra olharem os tímidos como se fossem "café com leite", não é pra dar uma "colher de chá" pra gente, uma vantagem! Não somos mais do que ninguém, mas a recíproca deveria ser verdadeira. E não é. Quem é mais "solto" se dá melhor. Eu já vi isso acontecer infinitas vezes! Mas lá vem a história da concorrência de novo. Não tem vaga pra todo mundo, então, é isso, ou se encaixa no sistema ou ele passa por cima de você sem dó. Eu vivo dizendo que somos máquinas, robôs, números, qualquer coisa, menos seres humanos. Nos colocam à prova todos os dias. E que se dane seus sentimentos, suas aflições, seus pensamentos, seus medos, suas histórias de vida. Não importa quem você é, mas como você se comporta nessas provas. Isso tudo pode parecer um desabafo tolo, mas é o que eu penso. Não gosto de vestibular e de nenhuma outra prova, desde aquelas do colégio até as provas na universidade e qualquer outra prova. Como eu já disse, pra mim, elas não provam nada. E as provas de habilidades são piores ainda, como o nome já diz, quer testar suas habilidades. Ou melhor, habilidades todos nós temos, mas tem algo bem específico que querem que tenhamos e quem tem, ótimo! Mas o que fazer? Não tem vaga pra todo mundo, algo então tem que selecionar. A universidade tinha que ser um direito de todos e todos deviam ter acesso a ela. Mas aí é utopia demais da minha parte. Então é isso, pra entrar na universidade pública, eu tenho que me sujeitar a sua seleção, mesmo discordando totalmente dela. E tenho que dar o meu melhor. Já perceberam como em tudo somos cobrados a dar o nosso melhor? Gozado que todo mundo enche a boca pra falar: "ninguém é perfeito", mas parece que cobram justamente a perfeição. Ser melhor. Ser cada vez melhor. O que é isso senão a busca pela perfeição? Já perceberam como tudo nessa vida é concorrido? Você tem que ser o melhor naquilo que quer, senão o outro vem e você fica a ver navios. Eu não gosto nem um pouco disso. Mas isso já está tão enraizado na sociedade que eu não vejo outra alternativa a não ser tentar me encaixar nisso tudo. E isso é triste. Eu sou obrigada a me contrariar. E é por isso que esse texto não tem importância nenhuma. É um desabafo que não vai me levar a lugar algum, já que eu tenho que me conformar como as coisas são e eu vou fazer vestibular nos próximos dias. Não fiquem bravos por eu ter feito vocês perderem o tempo de vocês com esse texto, eu também perdi o meu, podia estar estudando agora pra ser a melhor! Já estou em desvantagem, hahaha!
Mas é isso, se eu não passar no vestibular, isso não significa que eu seja incompetente. E se eu passar, também não significa que eu seja competente, hahaha! Quer dizer, tenho uma competência mínima exigida pra passar, mas daí a ser competente pro curso, já é outra história...
Tá tudo errado nisso tudo! Tudo muito errado! Mas pra eu não ficar com mais fama de reclamona, paro por aqui. C'est fini!
(Acabei o texto e percebi que faltou postar "as esperanças" que citei no começo, haha... hmm... eh... hmm... não tem esperança, mas vamos lá né, só pra não dizer que sou uma pessoa sem esperança: que 2010 seja um ótimo ano! Hahahahaha!)
sábado, 19 de dezembro de 2009
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
domingo, 29 de novembro de 2009
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
E agora eu não sei ser de outro jeito. Eu só sei encobrir quem eu sou.
Eu não aprendi a ser transparente, eu não aprendi a mostrar sentimentos, a ser direta.
Eu não sei olhar nos olhos. Eu não sei falar. Apenas balbucio algumas palavras.
Eu não aprendi a me relacionar. Eu não aprendi como me sentir a vontade e confortável na presença dos outros. E nem na minha...
Eu me escondi de mim.
Eu não aprendi a ser verdadeira. Eu não sei ser espontânea, autêntica. Eu não aprendi a improvisar. Eu só aprendi a fingir! E a fugir... de mim... dos outros!
Eu só aprendi o quão fácil é vestir máscaras e se perder com elas!
Eu não aprendi a ser errada, a ser imperfeita! Eu sou, mas não aprendi como ser! Mas aprendi como querer ser perfeita! Não aprendi a permitir ser, a errar, a viver! Eu não me permito!
Eu aprendi a mentir! E fiquei boa nisso!
E agora é tarde! Eu não sei ser de outro jeito!
(Madrugada do dia 04/10/2009)
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
C. Almeida Stella
Teu beijo
Ontem,
Quando de mim te despediste,
Naquela sala do "chat",
E me mandaste um beijo,
Eu te perguntei:
- Onde?
Sem querer,
Satisfizeste o meu desejo,
Quando disseste:
- Na tua boca!
Fechei os olhos e imaginei
Tal e qual me falaste.
Bateu forte o coração.
Meu Deus, que coisa louca!
Até senti o gosto da tua boca,
Quando, na imaginação
Me beijaste....
Tua boca, eu nem sabia
Que era assim, tão macia.
E o teu beijo tão molhado,
Demorado,
Fez um estrago em mim.
Ocupou meu pensamento
E eu fiquei todo tempo
Querendo
Outro beijo assim!
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Martha Medeiros
Minha boca...
minha boca
é pouca
pro desejo
que anda à solta
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Virgínia Schall
Beijo
sua boca
uva rubra
roça meus lábios
e por segundos
somos murmúrios úmidos
seiva cósmica
de línguas
púrpuras
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Florbela Espanca
Horas rubras
Horas profundas, lentas e caladas
Feitas de beijos sensuais e ardentes,
De noites de volúpia, noites quentes
Onde há risos de virgens desmaiadas�
Ouço as olaias rindo desgrenhadas�
Tombam astros em fogo, astros dementes.
E do luar os beijos languescentes
São pedaços de prata p'las estradas�
Os meus lábios são brancos como lagos�
Os meus braços são leves como afagos,
Vestiu-os o luar de sedas puras�
Sou chama e neve branca misteriosa�
E sou talvez, na noite voluptuosa,
Ó meu Poeta, o beijo que procuras!
domingo, 27 de setembro de 2009
2 anos que escrevo minhas aflições, alegrias, tristezas, devaneios, raivas, pensamentos soltos, desejos nesse espaço. Já tive outros blogs e flogs, mas esse é especial. Esse tem o layout feito por mim, do meu jeitinho, esse tem os melhores comentários! Amo meu blog!^^
Bom, é isso, só queria postar comemorando o aniversario dele: parabéns, blog querido, hehe!
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Ah, sinto falta de quando escrevia cartinhas com declarações de amor, hahaha, sempre fui mto tímida, nunca que eu ia falar pessoalmente. Isso não mudou mto hj. Ao invés das cartinhas, hj tem e-mail, msn, hahahaha! Saudades de qdo eu colecionava papéis de carta. Saudades de qdo ia correndo contar pras amigas as alegrias e dores de ser adolescente. E elas passando pelo mesmo, claro! Saudades de ficar fazendo testes idiotas nas revistas mais idiotas ainda! Hahaha! Saudades de colecionar coisas dos ídolos. Tá, isso não mudou! Hahaha! Até hj tenho coisas guardadas e posters na parede e atrás da porta do quarto. É, certas coisas não mudam! Hahaha! Saudades de dormir na casa das amigas e confidenciar segredos.
Ah, mais uma coisa que não mudou: muitas e muitas vezes escrevi nos meus diários ao som de Backstreet Boys. E pasmem! Tô escrevendo agora ao som de Backstreet Boys! E as músicas daquela época, nem as recentes são, hahahaha! Aliás, foi isso que me motivou a escrever esse texto. Ouvir essas músicas me fez lembrar de muita coisa! Muita coisa mesmo! E deu saudades! E eu percebi que não era tão ruim assim ser adolescente! Era uma delícia, na verdade! Pena que só a distância temporal pra me fazer perceber isso! Mas talvez a graça seja essa: se naquela época eu tivesse essa percepção, hj eu não estaria aqui relembrando essas coisas, sentindo saudades e rindo de tanta coisa que na época me deixava triste. Talvez certas coisas sejam feitas para terem graça depois! A adolescência é uma dessas coisas. E tb serve pra gente tirar uma lição de que toda fase da nossa vida é boa, mesmo quando parece exatamente o contrário. Mesmo quando a gente tá sofrendo, mesmo quando a gente tá cheio de problemas, dúvidas, medos, aflições. Mesmo qdo parece que tudo tá dando errado. Mesmo qdo a gente não tem vontade de sair da cama (e eu sempre não tenho vontade de sair da cama, haha). Na adolescência, eu era uma baita de uma pessimista. Nunca que iria achar que a vida é boa, hahaha! Na verdade, eu queria era morrer naquela época. Adolescentes... sempre tão trágicos! Hahaha! Tá, até hj eu tenho os meus dias de achar tudo uma droga, uma merda e que o mundo podia explodir. E sim, eu reclamo mto da vida. Demais, até! E mtas vezes fico deprimida! E mtas vezes escrevo textos tristes. Mas hj, minha percepção das coisas é diferente. Minha tristeza não é a mesma. E eu não tenho aquele vazio constante que eu tinha. Não que às vezes eu não me sinta vazia... muitas vezes o vazio chega a me sufocar. Mas hj, hj, eu consigo sentir tudo de uma outra forma. De uma maneira que me empurra pra frente. Hj eu estou viva. Eu já estive morta! E é bom estar viva até qdo isso dói! E é bom sentir saudades de mim, saudades de fases, saudades do que eu já fui! E sei que vou sentir saudades do que sou agora, mesmo que agora eu sinta vontade de não ser eu, de não ser eu dessa forma que estou sendo eu! Confuso, mas é isso! A vida é assim, a gente erra, a gente acerta, a gente ri, a gente chora, a gente sofre, a gente acha que o mundo deve explodir, a gente acha o mundo um lugar legal, a gente ama, a gente se apaixona, outras vezes não, a gente muda, a gente não muda... essa é a graça! ^^
domingo, 20 de setembro de 2009
terça-feira, 8 de setembro de 2009
sábado, 29 de agosto de 2009
Álcool?
Não, meu corpo rejeita.
Livros de auto-ajuda?
Não, minha mente rejeita. Nem que o que esteja escrito seja verdadeiro e faça algum sentido, minha mente não aceita.
Filmes? Música? Poesia? Amigos? Família?
Não, geralmente só aumentam o aperto. Isso qdo não são os causadores do aperto (e são, na maioria das vezes).
Um tiro na cabeça?
Depende... na cabeça de quem?
Na minha? Causaria aperto no peito dos outros.
De outra pessoa? Não sei como isso diminuiria o meu aperto, mesmo que a pessoa fosse a causadora.
Cigarro? Drogas?
Não. Aumentaria o aperto, sabe como é qdo sentimos culpa.
Chocolate?
Hum... um brigadeiro não seria mau. Mas provavelmente o aperto voltaria assim que eu terminasse de comer. Então tb não.
Sexo?
E desde qdo sexo acaba com aperto no peito? Sexo aliviaria outras outras... e eu sou virgem (vai ver por isso do aperto, hahahaha, estou apenas brincando) e pretendo continuar assim por um tempo ainda. Sabe como é, pessoa com problema de intimidade e cheia de complexos é dose!!!
Talvez o humor ajude a aliviar aperto! Blá... acho que tb não!
Desisto, não sei o que faz sumir com aperto no peito! Ah, sei sim, o tempo. Mas não tem outro remédio? Desse eu já tô cansada!
Dormir?
É, dormir, pra quem tem sono, é uma boa! Pros insones é completamente ineficaz. =/ Aliás, aperto no peito pra quem tem dificuldade pra dormir só piora tudo! Nem era pra eu estar acordada ainda escrevendo tudo isso. E pq eu tô escrevendo? Pra tentar arrumar uma cura pra aperto no peito! Como não tô conseguindo, isso responde a outra pergunta: Não, escrever tb não cura aperto!
O que eu faço?
Me descabelo? Grito? Bato a cabeça na parede? Saio correndo por aí sem rumo? Xingo todo mundo? Abraço todo mundo? Beijo todo mundo? Chuto todo mundo? Compro um cachorro? Troco as lâmpadas? Subo e desço a escada inúmeas vezes? Conto os degraus? Compro uma roupa nova? Duas roupas novas? Três roupas novas? Quatro roupas novas e um tênis novo? Leio um gibi? Um livro? Bula de remédio? Manual de aparelho eletrônico? Não leio nada e assisto tv? Passo trote? Abro a geladeira? Fecho a geladeira? Como tudo o que tem na geladeira? Mando sms no celular? Jogo Paciência e afins? Twitto? Falo sozinha? Danço na frente do espelho? Tomo um banho? Vejo vídeos no YouTube? Pinto um quadro? Ligo pra minha psicóloga? Planto flores? Peço pizza? Vou à praia? O que eu faço? Encho a paciência de todo mundo com trocentas perguntas? Sento e choro? Deito e rolo? Levanto? Me lamento? Acendo a luz? Dou risada? Subo num palco? Interpreto? Fico na coxia? Canto? Ignoro o aperto?
Hum... acho que o aperto sempre existiu e nunca deixará de existir, ele apenas afrouxa às vezes que é pra gente sentir saudades dele! Precisamos dele, por isso sobrevivemos! Então, aperto, faça bom proveito do meu peito, ele é seu!
terça-feira, 25 de agosto de 2009
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Desviei o assunto do post, mas sabe que falar tudo isso me ajudou? Não que a inquietação tenha parado, mas um pedacinho dela tá menos agitado agora, mas só um pedacinho, hehehe!
Ah, e quer saber de uma coisa? O blog é meu e eu falo o que eu quiser, nem que seja um monte de baboseiras, até pq, lê quem quer, não coloco um revólver na cabeça de ninguém e obrigo a ler. Portanto, se alguém leu e não gostou, F O D A - S E!!! Fecha a página e seja feliz! E se alguém gostou, ótimo, tb pode fechar a página e ser feliz! ^^ Hahaha! Mas se quiser comentar, fique à vontade! Se quiser me xingar, fique à vontade tb. Mas aviso que vou deletar, afinal, eu tb ficarei à vontade pra fazer o que quiser! Gente, eu adorooo qdo eu aperto o botão do "foda-se!", não é sempre que isso acontece e qdo acontece eu acho o máximo, hahahahaha!
É, pra quem não sabia o que escrever, o post já tá gigante, adoroooo, hahahahaha!
Bjokas, meus queridos!
domingo, 9 de agosto de 2009
quinta-feira, 30 de julho de 2009
Hj vou postar uma poesia minha que ainda não tinha postado nesse blog, espero que gostem!
Bjokas!
O vento e a folha...
O vento varre a folha...
A folha voa ao vento...
O vento rodopia a folha...
A folha dança com o vento...
O vento abraça a folha...
A folha beija o vento...
O vento,sem querer,despedaça a folha...
A folha,em pedaços,se despede do vento...
A folha,no chão,desfolhada...
O vento,sem folha,desesperançado...
Raquel Zichelle
quinta-feira, 23 de julho de 2009
domingo, 5 de julho de 2009
Alguns textos meus ainda não foram publicados aqui, resolvi resgatá-los de outros blogs e postá-los neste! Quem não conhece, espero que goste e quem já conhece, sinta-se à vontade para relê-los.
Hj postarei um dos textos que mais gosto, se chama Clara e escrevi dia nove de novembro de dois mil e sete!
P.S.: naquela época, eu ainda escrevia sem dar espaço depois da pontuação e peço desculpas, pois não vou dar os espaços agora, hehe!
Clara
Clara estava deitada debaixo duma árvore.O dia estava quente,agradável.Algumas folhas tecidas com as flores a cercavam.Usava um vestido leve,branco.No cabelo,uma linda rosa fora colocada sobre o grampo que prendia os lindos cachos dourados.Estava descalça...gostava de sentir a grama tocar seus pés.Seu semblante era tranqüilo,estava em paz...e feliz!Observava tudo ao seu redor com satisfação,tudo em perfeita harmonia.Logo,viu uma intrigante borboleta pousar sobre a grama.Depois,com a leveza típica das borboletas,levantou vôo e começou a rodear Clara.Parecia que a estava chamando,querendo lhe dizer algo.Não demorou muito para Clara ter a mesma sensação.Pôs-se em pé!A borboleta,satisfeita,saiu voando,formando um caminho no ar e Clara a seguia.Estava agora maravilhada,hipnotizada pela leveza do vôo da borboleta.A menina esticava o braço para tentar pegá-la,mas era inútil.A borboleta não era real.Era feita de sonho.E se desfez assim que Clara se deu conta.Mas antes que pudesse esboçar algum sinal de tristeza,surgiu uma pequena nuvem rosa,parecia um algodão doce.Rapidamente,Clara se encantou.Ficou olhando fixamente para a nuvenzinha.Os olhos cresciam e brilhavam enfeitiçados.Nem percebeu a imensa rede que se aproximava.Se assustou quando a rede engoliu a nuvem e saiu em disparada.Sem pensar,saiu correndo atrás.E quando perdeu o fôlego,se desesperou.Para onde teriam levado a nuvenzinha?Já perdera a borboleta,não podia deixar que acontecesse o mesmo com a nuvem rosa.Seria ela feita de sonho também?Não podia acreditar nisso,caso contrário,a nuvem também sumiria.Preferiu acreditar que era feita de algodão doce mesmo.Sentiu gotas d'água molharem seu rosto,imediatamente olhou para o céu e para sua surpresa,lá estava a nuvem,presa onde era seu lugar.Clara se sentiu triste.As gotas eram lágrimas.A nuvem estava tão distante.Não podia tocá-la.Não podia senti-la entre seus dedos.Por mais que pulasse,nunca a alcançaria.E doía em seu coração ver a nuvem presa,chorando!Queria libertá-la!Fechou os olhos bem apertados,passou a acreditar que a nuvem era feita de sonho.Abriu os olhos lentamente,não sentia mais as gotas,a nuvem tinha se desfeito.Clara permaneceu alí,olhando fixamente o céu que agora parecia descer.Surgiu no céu um pequeno ponto luminoso.Pensou ser uma estrela.Mas conforme o céu ia descendo,a luz ia ficando maior e mais intensa,não se tratava de uma estrela.O que seria?A luz cada vez mais forte,agora a cegava.Clara estava deitada sobre a cama.Os lençóis brancos.Ao seu lado,outras camas iguais.Do quarto,podia-se ouvir o movimento nos corredores.O entra e sai de gente.A menina vestia uma camisola.Os cabelos ondulados,sem vida.O rosto pálido,o corpo estirado na cama,sem força.Em seu sangue,o soro!Seus olhos espelhavam desalento.Já nem sabia mais quanto tempo estava naquela cama.Só conseguia pensar na borboleta e na nuvem rosa.Pensava nelas todos os dias.Sentia as gotas escorrerem pelo seu rosto e via a borboleta se desfazer,mais uma vez e outra...e outra.Era assim que contava o tempo.Até que a borboleta não se desfez mais e as gotas cessaram!Os lençóis brancos estirados!A cama vazia!
(Raquel Zichelle, 09/11/2007)
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Deitou-se no chão gelado. Nua. Precisava sentir o corpo vivo. Pediu que cobrissem seu corpo com rosas vermelhas e que os espinhos fossem penetrados em sua pele. No peito, cravou uma estaca. Algumas rosas mergulhavam no sangue... se confundiam no vermelho vivo. Vivo. O momento que antecede a morte é onde o corpo encontra-se verdadeiramente vivo! Só ali, naquele exato momento; preciso! Um suspiro e fim! A vida de forma plena só é possível em alguns segundos... não vivemos, existimos e existir não é mais do que viver...
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Apenas por agora... diga que nunca me amou. Eu te amo. Mas não me ame. Não você... não agora! Seu amor não enche-me, não me completa, o que eu preciso é da falta! Da falta de amor! Não me ame! Em desespero, peço que vire as costas, dê boa noite e saia! Pra sempre! Vai embora! Em segredo, torço para que fique! Mas se ficar, não me ame! E se for, não volte! Mas nunca, nunca me esqueça!
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O único beijo que eu tive foi de uma sacola que o vento trouxe de encontro ao meu rosto na rua.
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Encontrei você sentada num banco de praça, devorando um sonho de padaria, lambendo o creme que se atrevera a escorrer pelo canto dos lábios. Sua doçura ao comer o sonho encheu-me de alegria. Devorar sonhos é como voar!
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Eu descobri o céu. E as estrelas e a noite. Eu descobri a chuva. As nuvens e o sol. Eu descobri a lua. E suas fases. E até mesmo seu lado escuro que não podemos ver, mas eu posso! Eu posso tudo! Posso até voar! Eu descobri o sorriso. E o choro. Descobri o abraço. O tapa. A dor. E a alegria. Eu descobri que sou infinitamente maior do que eu mesma. Eu descobri que basta eu fechar os olhos pra tudo mudar! Eu descobri que pra ser feliz, basta sonhar! E descobri que pra sonhar não precisa dormir! Mas que dormir é bom! Descobri que acordar nem sempre é bom! Descobri que o amor é simples! E que eu complico ele! Descobri que o ser humano complica tudo! E descobri que eu não sou um ser humano. Pra que classificar o "ser"? Eu sou e ponto. Um dia, eu fui. No outro, eu serei. E no outro, eu não serei mais. Descobri que antes de mim o mundo já era mundo. E que depois de mim, o mundo ainda será mundo. Descobri que apesar de ter um tempo certo nesse mundo, eu sou atemporal. Minha alma é. Descobri que minha alma é aquilo que eu quero que ela seja. Descobri o vento! Descobri o vento nos cabelos! No rosto! Descobri a vida! A sensação incompleta de viver! Descobri uma porção de coisas. Descobri que descobrir é bom! Descobri a escrita! E depois disso, o tempo parou de passar!