terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Desabafos e devaneios 2



Essa postagem será bem longa. Nela, estão reunidos textos de final de outubro até agora (e tem um de julho que só hoje resolvi publicar). Talvez eu nem sinta mais algumas coisas escritas, mas fizeram sentido qdo as escrevi e acho importante compartilhar assim mesmo.

***

Sem graça. Entediada. Deslocada. Todo esse bla, bla, bla é vazio e sem sentido. Mas insistem em derramar sobre mim as suas visões. Palavras de ordem: vote em fulano, assista ciclano, ouça beltrano! Eu só queria um pouquinho de silêncio... Silêncio compartilhado, de gente que se gosta e se entende sem tantas palavras gritadas! Gente que olha, sei lá, uma pedra e não vê apenas uma pedra. Vê as gotas da chuva na janela e se perde no escorrer da água. Vê uma estrela e sente uma pontada no peito, como se dentro dele, estrelas brilhassem também. No ar, gritos de opiniões vazias. Achismos. Imposições. É uma guerra de quem fala mais! De quem tem a razão! Mas será que temos alguma razão? Como querer que o outro engula goela abaixo as suas convicções? Como querer encaixar tudo em conceitos? Tem aquele que escapa. Que não se identifica. Eu não tenho muitas certezas. Eu vago entre conceitos, convenções, pensamentos opostos, contraditórios. Sei lá se isso é bom. Eu apenas continuo a flutuar. É fácil se perder assim. Ficar sem saber como agir. Mas eu apenas continuo sem chão. E todas as vezes que tento encontrar algum sentido, algo a me prender, eu me frustro. Essa frustração tá doendo demais. Parece que tem algo amassando meu peito. Sufocando.
Cansaço. Cansaço profundo.  É um cansaço de existir. É um cansaço das relações sociais e de todas as convenções que as envolvem. É um cansaço de mim. É um cansaço de como eu lido com as pessoas. É um cansaço de estar em um lugar sem realmente estar neste lugar. É um cansaço de sorrir. É um cansaço dos sonhos tolos.
Tá tudo errado nessa porra toda!
Eu estou com raiva. Os mesmos erros, os mesmos medos.
Paraliso!
"Você vai desistir sem ter tentado?", ela pergunta. Isso ecoa em mim desde então. Eu não sei o que fazer. Não tenho coragem de assumir o que sinto. Então apenas sufoco...
Às vezes, eu fico observando pessoas conversando e como elas olham profundamente nos olhos umas das outras e dizem o que sentem e pensam, sem constrangimento (aparentemente, pelo menos). Olham nos olhos e dizem o quanto gostam daquela pessoa. E eu penso: "Como?". Eu apenas não consigo entender. Eu me sinto tão vulnerável. Desconfortável. Eu tento me proteger a todo custo e só me firo mais.

A Alanis Morissette tem uma música, Numb, do cd novo, que resume mto do que sinto:

Entorpecida

Eu me sinto sufocada, onerada, derrotada e abatida
Desapontada, levada além dos limites, frustrada
E abalada

Esse sentir demais, amar demais, esse fechar das cortinas
Continua
Com nenhuma chance de intervalo,
Eu vou estar de saída, eu vou embora


Como me privar da sensação?


Lá vem um sentimento
Eu corro do sentimento
E busco pela droga
Não posso tolerar esse sentimento
Prefiro estar voando
E confortavelmente entorpecida


Eu me sinto ansiosa, estou nervosa, estou entediada
Estou vencida, prefiro estar fora de mim


Como me privar da sensação?


Lá vem um sentimento
Eu corro do sentimento
E busco pela droga
Não posso tolerar esse sentimento
Prefiro estar voando
E confortavelmente entorpecida


Eu estou sozinha, sinto fome e não amada
Me sinto com raiva, eu lividamente preciso de um abraço


Lá vem um sentimento
Eu corro do sentimento
E busco pela droga
Não posso tolerar esse sentimento
Prefiro estar voando
E confortavelmente entorpecida


***

Eu só fui lá por sua causa. Aproximação frustrada. Abismo. Quanto mais eu tento chegar perto, mais longe eu fico. Pensei que você pudesse tornar a minha solidão menos dolorosa, mas você só a acentua mais. Você me falta.

***

São mais de 6 horas... Comecei a madrugada entristecida por causa de uma pessoa e termino agora chorando por outra. Lembranças de uma que me levaram a outra... e assim é... A primeira ainda está na minha vida, não como eu gostaria, mas está. A segunda, está saindo. Não porque eu queira, mas porque ela escolheu.
Há 6 anos, éramos tão unidos... e, agora, nem no seu Facebook eu estou mais... sem o menor motivo... nós ainda nos víamos, uma vez por ano, mas nos víamos... Escrevi sobre o seu sorriso há mais de 4 anos... e ele continua sendo o meu preferido. Você continua sendo o meu preferido... E você nunca chegou a saber disso... mas não precisava... Idas e vindas... mas ainda éramos amigos... E, agora, eu nem estou mais no seu Facebook. E eu nem ao menos sei o porquê. Até uns meses atrás nos dávamos bem... Achei umas fotos nossas antigas... 5, 6 anos passam rápido. Você disse ano passado que não deveríamos nos ver somente uma vez por ano... E, menos de um ano depois, não faço mais parte da sua lista de amigos. Tentei mandar mensagem, você não respondeu. Mas a foto no seu perfil mudou. Você excluiu todas as pessoas daquela época e só deixou uma, como era óbvio. Menos mal, não fui a única excluída. Mas nós ainda éramos amigos. O que foi nosso penúltimo encontro? Você se lembra? Pois eu não vou esquecer. Assim como não vou esquecer todos os outros. Éramos apenas amigos. E você não faz ideia do quanto eu te amei... e amo... você não faz ideia do quanto eu aguentei calada... sem poder dizer... não faria diferença...  Aquele texto do sorriso continua fazendo sentido anos depois. Seu sorriso ainda é o mais encantador e eu continuo querendo devorá-lo... Você nunca poderia sentir por mim o que eu senti por você, e não te culpo. Sermos amigos me bastava. Mas você está saindo da minha vida... E tudo isso dói, apesar de eu me esforçar pra ignorar o que está acontecendo... Pensei inúmeros textos para colocar aqui, cheguei a fazer uns rascunhos, todos eles se referiam a outra pessoa que eu citei no início. Mas estou aqui escrevendo sobre você e não sobre o outro. E você nem ao menos lerá esse texto... (08/07/2012)

***

Dia desses, sonhei com você, de novo. Mas este sonho foi mais intenso que todos os outros que tive com você, foi tão intenso que acordei confusa se tinha sido algo real. Você tinha encontrado em mim algo que faltava em você e me segurava forte. E eu, nem ao menos, conseguia olhar pra você e dizer que, na verdade, eu quem encontrei em você o que faltava em mim. Eu não disse nada.

***

Você habita minha confusão! E eu... eu só sei que quando você toca minha mão, meu coração tremula rápido. Não sei se gosto de você por sermos parecidos ou por qualquer outro motivo que desconheço. Olho pra você e tudo isso parece errado! "É meu amigo", sentencio. "Talvez eu só goste da atenção que ele me dá", penso. E, quando tudo parece certo então, você segura minha mão e toda a certeza se esvai. Há quase um ano que sua imagem persiste em atormentar meus pensamentos. Eu mal consigo olhar pra você... Tenho vergonha de assumir o que sinto! Vergonha e culpa! Suas mãos ainda seguram as mãos dela com força. Os vestígios ainda estão lá... E eu sobro no meio disso tudo! Me sinto tão estranha... E o pior é saber que eu não escondo apenas por medo do não, mas, principalmente, por medo do sim! Eu fugiria! É, essa que é a verdade, eu fugiria!

***

História de amor

Gosto. Não assumo. Fim.

***

Excesso de solidão mata?

***

Alguém pra ficar em silêncio, juntos, sem constrangimento. É só isso que espero.

***

Nicest Thing - Kate Nash


All I know is that you're so nice
You're the nicest thing I've seen
I wish that we could give it a go
See if we could be something

I wish I was your favourite girl
I wish you thought I was the reason you are in the world
I wish my smile was your favourite kind of smile
I wish the way that I dress was your favourite kind of style

I wish you couldn't figure me out
But you'd always wanna know what I was about
I wish you'd hold my hand when I was upset
I wish you'd never forget the look on my face when we first met

I wish you had a favourite beauty spot that you loved secretly
'Cause it was on a hidden bit that nobody else could see
Basically, I wish that you loved me
I wish that you needed me
I wish that you knew when I said two sugars, actually I meant three

I wish that without me your heart would break
Yeah, I wish that without me you'd be
Spending the rest of your nights awake
I wish that without me you couldn't eat
Yeah, I wish I was the last thing on your mind before you went to sleep

Look, all I know is that
You're the nicest thing I've ever seen
And I wish we could see if we could be something
Yeah, I wish we could see if we could be something

Saturno - Capital Inicial

Parece que a casa pega fogo
E o mar evapora
Parece que a festa nunca acaba
E só eu vou embora, só...
Parece que a tristeza estava ali parada esperando por esse dia
Fica aqui comigo, a minha melancolia precisa da sua companhia
Parece que vai chover pra sempre
O pior da minha vida
Parece que ninguém fala minha língua
Nenhuma rua tem saída
Mas, parece que a tristeza estava ali parada esperando por esse dia
Fique aqui comigo a minha melancolia precisa da sua companhia
Parece que a tristeza estava ali parada esperando por esse dia
Fique aqui comigo, a minha melancolia precisa
Parece que a tristeza estava ali parada esperando por esse dia
Fique aqui comigo, a minha melancolia precisa da sua companhia
Da sua companhia
***

Você é a minha melhor lembrança, mas talvez eu precise de lembranças novas.

***

"If you love me, won't you let me know?" (Violet Hill - Coldplay)

Lembrei dessa frase da música qdo vi o filme Compramos um Zoológico. A menina escreveu na janela: "If you love me, let me know". Aí eu fiquei pensando no qto eu sou covarde em não deixar os outros saberem o qto eu gosto deles, mas fico esperando eles demonstrarem o que sentem por mim. Neste mesmo filme, outra fala chamou a atenção: "Às vezes tudo o que precisamos é de 20 segundos de uma coragem insana. Literalmente 20 segundos de bravura destemida. E eu lhe prometo, algo maravilhoso virá disso". Estão faltando esses 20 segundos de coragem insana pra mim... 

***

Preste atenção nos pontos de exclamação! Assim como as reticências, os pontos de exclamação escondem (ou revelam, para os mais atentos) muito do que sinto. Quase nunca os uso à toa, sem intenção. Fica a dica!!! ;)

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Desabafos e devaneios...

Eu vejo você tentando, e eu desperdiço cada tentativa sua... Isso me angustia! Mas eu, simplesmente, não consigo dizer nada! Você me cala... Eu gosto de ouvir a palpitação, no meu peito, batendo no ritmo de suas palavras... Eu olho dentro de mim quando vejo você e isso não poderia ser mais aterrorizador! Emudeço, estremeço... Eu imagino a sua mão se envolvendo na minha e não passa de um pensamento tolo no meio de tantos outros... Eu queria me transbordar... transbordar e escorrer até você, manchando-o comigo... Mas o medo barra qualquer gota que possa respingar em você. O medo me seca!

***

Desmoronando lentamente... Tento juntar os restos das cascas, ficar rígida de novo! Não resisto por muito tempo. Sorrio para os arredores! Tudo tão falso! Tento fazer do orgulho o meu alicerce! Não adianta! Não impede o desabamento...

***

O desconforto me exausta! Eu só queria um pouco de alívio! Eu não relaxo, estou sempre nervosa, ansiosa, incomodada, inquieta!

***

"Estou olhando nos olhos. NÃO OLHA! Agora, tô fitando a boca, será que estão percebendo? Vou olhar nos olhos de novo pra disfarçar. Não consigo. Isso, ajeita a calça, amarra o tênis que não desamarrou. Olha pros lados! PROS LADOS! Xi, vão perceber que eu tô olhando demais pros lados. Volta pros olhos. Não! Pra boca! Mexe na mochila! Isso, a mochila disfarça bem. Mas eu não tenho o que pegar na mochila. AAAAH! O celular. Finge que tem algo pra olhar no celular. É, essa não vai colar por muito tempo. Será que tá na cara que eu estou desconfortável? Eu não quero que fique na cara. Raquel, olha pra pessoa!!! Sorri! Isso! Presta atenção no assunto! NO ASSUNTO!!!"
Metade do que me falam simplesmente se perde... Isso acima não é nenhum exagero. É exatamente assim que fico em quase todas as conversas. Deu pra tentar entender o INFERNO, e faço questão de ressaltar esta palavra, que é ser eu?
O ator, às vezes, em cena, não sabe o que fazer com as mãos. Pensa isso fora de cena, acontecendo todos os dias. É assim. EXATAMENTE assim! E antes fosse não saber apenas o que fazer com as mãos. Eu não sei o que fazer comigo!

***

Irrita quando querem me fuzilar com piadas e brincadeiras a todo momento. Gosto do contraste. Gosto do riso que surge pra quebrar com o peso da seriedade e responsabilidades. Mas se é o tempo todo, não há o que quebrar. Se a cada coisa que eu disser, eu receber como resposta uma piada, ela se banaliza, ela vira comum e perde o sentido de ser e a força que possui. Ela não transforma, ela mantém. Ela vira rotina, ela se cristaliza. Ela vira monotonia. Ela entedia. Se o humor entedia, não há humor. Não há graça. Não encanta, não satiriza, não reflete, não critica, não cutuca. Apenas irrita e isso não muda nada. O tiro sai pela culatra. Podem discordar. Só estou dizendo que, comigo, não funciona e me sinto metralhada e de saco cheio!

***


Deitou-se no chão gelado. Nua. Precisava sentir o corpo vivo. Pediu que cobrissem seu corpo com rosas vermelhas e que os espinhos fossem penetrados em sua pele. No peito, cravou uma estaca. Algumas rosas mergulhavam no sangue... se confundiam no vermelho vivo. Vivo. O momento que antecede a morte é onde o corpo encontra-se verdadeiramente vivo! Só ali, naquele exato momento; preciso! Um suspiro e fim! A vida de forma plena só é possível em alguns segundos... não vivemos, existimos e existir não é mais do que viver... (25/06/2009)

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Nada mais tem me bastado! Nada. Ninguém! Estou esperando por alguém que, milagrosamente, faça essa porra de vida ter um mínimo de graça! Nada! Ninguém! Mesmo ao me deparar com alguém que pensa a vida como eu, que a sente como eu, não basta. Não é suficiente para que algo aconteça! É um desperdício tamanho! Nada! É aí que percebo que é sozinha mesmo que vou ficar. Não aguento tanta falta de lirismo, sutilezas e delicadezas. Não aguento tanta falta de sensibilidade! Estamos brutos! O amor está desacreditado! Eu já o abandonei. Sim, eu me acomodei. O que eu quero vai além da carne, mas parece que é só a carne que interessa aos olhos babentos... Deixa pra lá... Como já me foi dito, tão sabiamente, eu quero "dessexualizar o sexo"... Bobagem, não é mesmo? Às vezes, eu queria ser só um pouquinho como os outros, estes que olham o sexo como ele é, sem idealização, sem babaquice de menina sonhadora... Estes que desejam e fazem sem muitas teorizações, mimimis, devaneios e rodeios... Sentem o que tem que sentir, e isto basta! Mas, pra mim, não! Nada basta! Sempre à espera do que não chega... E eu nem sei mais o que espero... O esperar é confortável, no fim das contas... Deixa pra lá... Ninguém tem nada a ver com isso mesmo.

sábado, 31 de março de 2012

Texto novo. Não é uma poesia, nem um conto, sei lá o que é isso. Uma angústia. Eu escrevo angústias...


O silêncio sepulta o peito e os lábios acimentam-se. 
A língua, agora pétrea, repousa na boca. 
Vaga, penitente, a virgem enlutada sob o manto negro.
Desfaz-se, em cinzas, os pés descalços, secos.
Secos... 
Os olhos, opacos, não lamentam a própria morte.
Vaga a virgem enlutada... a virgem seca. 
Seca!

(Raquel Zichelle - 30/03/2012)

segunda-feira, 12 de março de 2012

Fiz uma nova poesia, se é que posso chamar assim. Ela foi inspirada em músicas que estava ouvindo esses dias... Não tem título, por enquanto. E talvez eu ainda a modifique. Mas, por ora, é isso:

Se me vê, não vejo.
Se te olho, escondo.
Se me toca, é de raspão.
Se sorri, sorrio.
Se fala, me calo.
Se silencia, nem um pio.
Se fica, já parti.

Se com, eu sem.
Se sim, eu não.
Se vem, eu na contramão.
Se me beija, é no rosto.
Se me olha, desvio.
Se desvio, já não viu.
Sorri, você já partiu.

(Raquel Zichelle - 11/03/2012) 

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Alguns textos que escrevi voltando pra casa hj (e alguns pensamentos que tive):

A garota que sorri atrás do vidro da janela

Parada, em pé, a garota vislumbra o que acontece além da janela. E sorri.
Há pessoas rindo.
Algumas discutem.
Outras se beijam.
Todas vivem.
A menina contempla a vida ao seu redor, sempre atrás do vidro. E sorri.
Ela está ali. Mas é como se não estivesse. As pessoas até notam que atrás da janela há alguém e, de vez em quando, olham pra menina. Mas ela é apenas a menina atrás da janela.
E sorri.

(Texto inacabado)

***

Eu vou me rasgar até toda dor sair.

***

"O que é a dor?" ou "Só mais uma definição de dor"

Há estrelas dentro de mim.
Bilhões delas.
Bilhões delas cutucando,
perfurando,
penetrando,
alfinetando,
insistentes, insistentes com suas pontas finas.
Com suas pontas laminosas.
Pratas.
Facas.
E, ainda assim, tão belas.

***

Deitada no chão do quarto, olhando o teto. Ouvindo Fix You e cantando "when you try your best, but you don't succeed...". Essa sou eu deprimida.

***


Talvez eu saia como a vilã da história.
Mas ninguém olha pra própria vilania.
Se é que há vilões realmente.

***

"Desistir não é andar pra trás. É mudar de caminho". Essa frase pode ser clichê ou meio "auto-ajuda", mas caiu como uma luva pra mim. Desistir de algo que não serve mais não é covardia, pelo contrário, é um ato corajoso e sábio. Saber dizer adeus pra aquilo que já não faz mais sentido é difícil. Mas por que insistir na rua sem saída? Há outros caminhos.

***

Por ora, são esses os pensamentos e textos. Alguns inacabados e toscos, mas precisava escrever aqui.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Essa postagem vai ser bem longa, pois tenho muito que dizer.

No último ano, eu emudeci. Não fui capaz de exteriorizar o que sentia, exceto em poucos momentos, com uma ou outra pessoa (e uma delas, a minha psicóloga). Emudeci a escrita também. Quem acompanha o meu blog (quase ninguém, hehe) deve ter notado o silêncio. Eu costumava escrever bastante aqui, sempre usei meu blog como refúgio, mas no último ano, eu quase não apareci por aqui e a última publicação antes dessa é de agosto! Eu tentei desabafar as dores e aflições, tenho alguns rascunhos salvos, mas não conseguia finalizar os textos e publicá-los. Sentia que não devia tornar público os meus sofrimentos. E o que fiz nesse tempo foi apenas publicar no Recanto das Letras textos já antigos, dores antigas (embora algumas ainda existam). E tanto silêncio só poderia me levar a um caminho: o mais distante possível das pessoas. Mas eu tinha que fazer isso. Eu estava machucada, profundamente magoada, com a ferida exposta. Então, me recolhi. Fui cuidar da ferida, coloquei as bandagens e esperei até que cicatrizasse. Quietinha no meu canto. Não podia deixar que se aproximassem e infeccionassem a ferida e nem podia contaminar ninguém com a minha dor. Só que enquanto eu cuidava do machucado sem pedir ajuda a quase ninguém, as pessoas que eram próximas trataram de cuidar das suas vidas, estabelecendo laços com outras pessoas, fortalecendo a relação com elas. E eu me senti fora de tudo. Fora de sintonia. Sozinha. Acho que nunca me senti tão sozinha como no último ano. E não sei se culpo apenas a mim por ter me afastado ou as pessoas que não perceberam que eu estava sofrendo em silêncio. Não sei nem se há culpados. Mas a sensação que eu tinha era a de que eu estava colocando tijolos ao meu redor, enquanto do outro lado do muro, as pessoas colocavam cada uma seu tijolinho também. Mas talvez elas quisessem ajudar e eu também não tenha percebido. Vai ver eu deixei mãos estendidas sem resposta. Não sei. Não importa mais. Eu precisava ficar sozinha pra me curar. Pra entender a raiva que eu estava sentindo, a mágoa, a desilusão, o orgulho ferido e a vergonha. Foram meses difíceis. E agora eu preciso correr atrás do que e de quem deixei pra trás. E não sei muito bem como fazer isso. Eu já era fechada com as pessoas mesmo quando estava me sentindo bem com elas, e agora é ainda pior. Eu nem ao menos sei se elas me querem de volta. Não sei se ainda há espaço na vida delas pra mim. Eu vou ter que reconquistar esse espaço. Vou ter que me abrir, me mostrar, escancarar as minhas fragilidades, a minha vulnerabilidade. Vou ter que sair da minha redoma ou permitir que entrem nela. Eu estou com medo. Quando eu tento quebrar alguma barreira e me aproximar, eu me sinto ridícula. Fico achando que tudo o que eu falo é idiota e sem sentido. Fico achando que as pessoas estão pensando "n" coisas a meu respeito (coisas ruins). Então, eu não arrisco com medo dos julgamentos. Medo de ser rejeitada. Engraçado, temo ser rejeitada pelos outros, mas rejeito a mim mesma. Eu mesma já me condeno. Eu me acho tão sem graça. Ou me deixei acreditar nisso, por culpa daquelas pessoas que não gostavam de mim e que, sim, eu era sem graça pra elas, eu era boba, feia, esquisita pra elas. Eu fui rejeitada por elas. Mas eu não deveria dar valor ao que elas pensam a meu respeito. Eu não posso agradar todo mundo (e ainda não consegui me convencer disso, embora repita isso constantemente). Mas aquelas risadas de zombaria ainda ecoam em mim... mesmo tanto tempo depois... E eu deixo isso afetar todas (ou quase todas) as minhas relações. E eu fugi e fujo delas. E ainda me escondo usando a desculpa da "coitadinha rejeitada". É patético, eu sei. Nunca neguei que sou patética (tenho até um texto todo dedicado ao meu pateticismo).
E, como toda boa solitária que foge de relacionamentos, eu me alimento de fantasias, sonhos e idealizações. Eu criei personagens, amigos, amores. Alter ego. Dei vida a bonecos. E acredito neles. Encontrei neles uma forma de expressão. Mas quem entende uma pessoa com quase 26 anos andando pra cima e pra baixo com um leão de pelúcia (ou outros bichos de pelúcia), falando através dele, criando histórias, músicas, situações? Dizem que sou infantil. Tem um filme com o Mel Gibson que ele tem um fantoche de castor e faz o mesmo, mas eu não assisti ainda e queria mto ver, não sei direito como é a história, mas parece que ele acaba se deixando dominar pelo boneco. Não acredito que seja o meu caso. Eu cresci assim. Desde que me conheço por gente, eu brinco com meus bonecos e foi natural crescer desse jeito. Não tive a fase: “agora eu sou uma mocinha, vou trocar meus brinquedos por maquiagem”. E, sinceramente, não sei pq algumas pessoas se incomodam com o fato de eu não ter feito isso. Elas se acham muito adultas por que abandonaram seus brinquedos? Eu acho isso triste e não motivo pra orgulho. E é bastante questionável a idéia de infância e do ser adulto e o comportamento que cabe ou não a eles. Eu uso meus bonecos como uma forma de comunicação, assim como a escrita, pra tentar contornar a minha dificuldade de aproximação, de contato, de fala, de olho no olho com as pessoas. E também são companheiros. Sabe o Wilson do filme Náufrago? Então, tenho meus Wilsons também... E é isso. Às vezes me sinto envergonhada, ou até mesmo louca, por causa disso, mas é apenas eu sucumbindo ao controle que os outros querem impor sobre mim. O que eu acho prejudicial é o fato de eu ser tão sonhadora e idealizar tanto as coisas que acabo me decepcionando pq o mundo não é doce e sensível como eu gostaria que fosse. Então, eu preciso viver isso na ficção, de alguma forma. Aí eu me apego a músicas, filmes, séries, personagens... e me deixo envolver. Mas sobre isso eu escreverei outro dia (pretendo, pelo menos). Ainda tenho tanto a dizer, mas está tudo confuso. Vou tentar não emudecer outra vez e escrever os incômodos no blog como eu sempre fiz. Por ora, é isto.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Estou tentando escrever há meses, mas não passo do rascunho...
Acho que porque não consigo definir a fase na qual estou.
Ando estranha. E reprimindo, mais do que nunca, os sentimentos
e pensamentos. E, por conta disso, sinto que vou explodir a
qualquer momento. Então eu paro e respiro fundo, como se eu
quisesse empurrar tudo ainda mais pra dentro de mim e deixar
bem escondido. Talvez, eu não exploda, mas imploda. Eu não quero
ferir ninguém, mas estou ferindo a mim mesma. Aqui dentro, um
pedaço de mim desmorona a cada dia e ninguém vê, pois minha carcaça
está intacta. E a maior parte das pessoas só se interessa pela carcaça
mesmo. Então está tudo bem enquanto meu sorriso estiver rasgando meu
rosto.
Mesmo que esteja rasgando, pouco a pouco, cada tecido, órgão e pele.
Emudeci.
E os gritos com os olhos não são vistos ou ouvidos. Não são nada.
Vou ficar aqui quietinha no canto... implodindo.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Alguns escritos no caderno ou em notas no celular ou apenas
pensamentos antes de dormir ou no metrô ou durante a aula...:

Meu coração era feito de açúcar.
Azedou!
Minha alma amargou, amargurou, mal agourou!

(24/05/2011)

***

Adormecendo a alma! Porque, quando se dorme, não dói mais!

(24/05/2011)

***

Eu deveria ter nascido uma barata. Assim quando eu fosse pisada,
morreria e pronto.
Ser humano é pisado tantas vezes e tem que suportar.

(24/05/2011)

***

Pense igual a todo mundo e viva rodeado de pessoas.
Pense diferente e fique sozinho.
Eu fiquei sozinha!
Deve ser porque as pessoas só querem ouvir aquilo que agrada.
Mas eu também queria estar perto de pessoas que pensam como eu.
Se eu as achasse!

(24/05/2011)

***

Hai Kai

No peito, a verruga
nada mais é do que
o coração, este sanguessuga!

(17/05/2011)

***

Só a sua presença já me ultraja!

(28/03/2011)

segunda-feira, 2 de maio de 2011

A tristeza fez de mim a sua morada e trouxe, como hóspede, a raiva. E as duas têm me habitado há um longo tempo. Tão longo que eu me habituei a elas. Gosto da companhia.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Fernando Pessoa(s)

Hj fui ver a exposição do Fernando Pessoa no Museu da Língua Portuguesa. AMEI!!! Identifico-me com sua pluralidade e multiplicidade. "Sê plural como o universo", ele disse. Lá no Museu, me lembrei que dentro do caderno na minha bolsa estava um papelzinho onde eu tinha escrito: "Quem? Eu sou quem? Eu sou qual? Ou quais? Eu sou plural. Eu não sou, eu são!" (Raquel Zichelle, 14/11/2010). Foi engraçado me dar conta deste papel ali no meio de tantos Pessoa, tantas pessoas. Não é de agora que eu admiro o poeta, minha identificação com seus escritos vem de longa data, mas hoje, mais do que nunca, eu senti que "eu sou muitos" (como ele também disse) e que posso ser tantas outras mais, sem medo ou vergonha por não ser uma!

domingo, 9 de janeiro de 2011

Eu deveria largar tudo e ir dormir. Mas uma dor aguda nos ossos me impede de levantar da cadeira e ir para a cama, mesmo ela estando aqui do lado. Na verdade, a dor nos ossos não é o problema. Eu não quero dormir porque há uma ânsia de não sei o que apertando o peito. E eu só queria me aquecer. A noite tem uma brancura gélida. E não adianta eu me encolher. A cabeça toca os joelhos, mas é a minha cabeça nos meus joelhos e nunca a cabeça de outrem nos meus joelhos ou a minha cabeça nos joelhos de outrem. Mas a solidão penetra meus pelos. A solidão toca, íntima, meu corpo. Os olhos úmidos - únicos - na secura do abandono. O silêncio gargalha nos ouvidos. Minha mão segura minha outra mão: vai ficar tudo bem. Mas eu não tenho certeza. Cada poro de minha pele grita. Mudo. E o relógio pula os minutos zombando de mim. Eu deveria dormir. E só despertar quando os ossos estiverem quentes. Mas eles estão sempre frios. Eu deveria apenas dormir. Dormir. Mas é tudo tão frio... tão frio...

(04/01/2011)

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Ela entrou na sala, entregou o pacote nas mãos dele:
- Te comprei um presente. Estou saindo da sua estante e comprei um livro pra por no lugar.
Deu as costas e saiu de cabeça erguida. Nunca mais voltou.

(texto inspirado numa conversa com minha irmã hj: 23/12/2010)

sábado, 13 de novembro de 2010

Eu estou sempre me justificando... Já perceberam? É porque eu me sinto culpada e preciso de uma desculpa, se não for pra vcs me desculparem, então eu tento desculpar a mim mesma, procuro razões politicamente corretas para meus atos politicamente incorretos. Mas o que é correto e o que não é? Quem diz o que se deve ou não fazer? Eu deveria seguir as minhas próprias regras... sem culpa. Mas me culpo quando fujo das imposições alheias e me culpo quando as sigo. Parece que estou sempre errada. Seja lá o que signifique "errado". "Quando nasci, um anjo torto / desses que vivem na sombra / disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida" (Poema de sete faces, Drummond). Acho que o mesmo anjo torto me visitou e eu só sei ser gauche.
Não correspondo às expectativas dos outros e quando correspondo, então não satisfaço a mim mesma: ou eu faço o que os outros querem como uma bonequinha e sou recompensada por isso ou quebro com as expectativas alheias e não suporto as consequências... eu não sou forte o bastante para agir por conta própria, não sem prejuízos. Eu me importo com os julgamentos, eu me importo com o que pensam a meu respeito. Mas é como a música diz: "Se eu for ligar para o que é que vão falar, não faço nada" (O Mundo, Capital Inicial). É isso. Tento me convencer disso. Eu não posso agradar o mundo! Por mais que eu queira! Nem se eu me repartisse em milhares e cada pedacinho fizesse o que os outros quisessem, nem assim eu conseguiria agradar, então, por que buscar por uma perfeição impossível? Por que me perder nessa busca? Eu deveria agradar a mim mesma em primeiro lugar e depois me preocupar se agradei os demais ou não. Não que eu não deva me preocupar com as pessoas, mas saber a medida certa de me importar. Eu não deveria pedir permissão para viver. Mas é o que eu faço! Estou aqui sempre pedindo licença, como se eu não pudesse estar aqui. Como se eu tivesse que andar sempre na ponta dos pés para não incomodar ninguém. E é tanta culpa corroendo o corpo. Tanta culpa! Culpa que me envergonha! Talvez isso explique a timidez... a cabeça baixa... os desvios do olhar... é culpa, tudo culpa! Não posso encarar as pessoas e seus olhos me condenando! Na verdade, eu sou a minha maior inquisidora! Eu já me condenei, eu mesma me sentenciei. E por isso eu mesma me puno! Por que será que eu sempre procuro algo pra sofrer? Porque eu acho que mereço a dor! Eu acho que mereço sofrer! Eu me castigo por crimes que nem sei se cometi! Eu só sinto a culpa, culpa, culpa, culpa... a culpa ecoa dentro de mim! Atordoa! Enlouquece! Culpa! Culpa! Culpa! E não importa o quanto eu tente me justificar. Eu não consigo o perdão, o meu próprio perdão. Não importa se eu tenho consciência de que eu mesma me coloco tanta culpa, culpa por algo que nem existe, que nem sei o que é. Não importa que eu saiba disso, não faz diferença. O fato é que eu não me perdôo por ser quem eu sou. Não tem o que perdoar, não é preciso perdão, eu sei. Eu sei disso tudo! Eu sei! Mas saber não me impede de sentir culpa... não adianta... e todo esse texto não passou de uma justificativa que não levou a nada, um pedido vão de clemência, uma tentativa desesperadora de fugir do castigo, mas a guilhotina já está afiada e o carrasco pronto, e eu tenho o pior carrasco: EU!

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Falei de constrangimento no último texto e cá estou constrangida por tê-lo escrito. Não sei bem porque, mas ele não está me satisfazendo agora. Acho que foi um desabafo precipitado, não sei, não era bem o que eu queria dizer, mas ele tem a sua importância, eu valorizo os desabafos, naquele momento pareceu ser o que eu queria dizer, por mais que agora não seja. Então o texto registrou um momento meu, é único e, portanto, rico. É a minha vida! Mas eu tenho vergonha da minha vida! Ok, esse assunto foi o mesmo do último texto, então por que estou me repetindo? Eu cansei de me repetir! O cansaço também é tema batido por aqui... tsc tsc... Preciso de coisas novas para me cansar! Preciso de dores novas! As velhas já encheram... É sempre o mesmo: nunca me sinto pertencendo a algum lugar! Tá na hora de trocar o disco. Tá na hora de focar noutras coisas. Tá na hora de eu começar a escrever o livro que sempre quis escrever, talvez rendesse mais do que escrever tantos desabafos... sei lá, podia voltar a escrever contos e mais poesias, mesmo que eu me frustre por não ser uma escritora genial. Ok, eu sei, eu me cobro demais! Quero uma perfeição impossível... Eu devia relaxar mais. Eu levo as coisas muito a sério. Muito mesmo! E daí se algumas coisas não saírem como o planejado? E daí se eu quebrar a cara algumas vezes? E daí se eu rir dos problemas de vez em quando? E daí se eu for ridícula? Por que eu tenho tanto medo do ridículo? E daí se eu não tenho a beleza padrão? Se meu cabelo não é igual do comercial da L'Oréal? Essas coisas não importam... há quem ache que uma pessoa vale a pena se tiver no padrão. Eu não acho, então eu não deveria querer me encaixar no padrão só pra ser aceita por essas pessoas. É tão bom não estar no padrão. Eu não sou um rótulo! Eu sou uma e sou tantas ao mesmo tempo. Eu valho a pena, poxa! Eu não deveria me sentir um peixe fora d'água por pensar diferente da maioria que me cerca. E não estou dizendo que sou melhor do que a maioria por ser diferente. Na verdade, eu sou igual, mas eu sinto como se fosse diferente. Mas igual, diferente, que importância tem? Eu sou humana. Cheia de defeitos e qualidades como qualquer outra pessoa. Cheia de sentimentos e pensamentos e contradições. E hipocrisia. E confusões e dúvidas. Eu vou ser injusta às vezes. E ser injustiçada tantas outras vezes. E vou lutar pra mudar isso. E vou sentar e não fazer nada, outras vezes. Eu vou magoar as pessoas. Muitas pessoas. E vou ser magoada muitas vezes. E desprezada. E rejeitada. E pisada. E maltratada. E esquecida. E superada. E ferida. E vou me sentir uma aberração, alguém que não merece ser amada. E meu peito vai apertar e vou sufocar de dor. E vou pensar coisas ruins de mim mesma. E vou querer acabar comigo mesma. E vou acabar se acreditar nisso. Mas aí alguém vai sorrir pra mim. Ou eu vou olhar pela janela e ver cachorros sem donos em bando atravessando uma rua e vou sorrir. Porque a vida pode ser simples, às vezes. E vou ver o pôr-do-sol e o rosa no céu. E o formato engraçado das gotas d'água no chão enquanto tomo banho. E vou sentir o vento dançando com meus cabelos. Ou fazendo rodopiar um saco plástico perdido pelas ruas. E vou abraçar meus bichos de pelúcia e conversar com eles. E vou rir por me achar tola por fazer isso. Mas vou continuar. E vou criar histórias mirabolantes e aventuras excitantes só porque é engraçado poder imaginá-las. E vou fazer confidências para o travesseiro. E vou tocar as paredes de todos os lugares que visitar só pra saber que textura tem. E vou imaginar as pessoas em situações bizarras. E rir por imaginar os amigos tomando banho ou usando o banheiro. Eu vou ver flores coloridas e sentir paz por poder ver as cores. Eu vou soltar bolhas de sabão. Muitas bolhas de sabão. Porque eu amo bolha de sabão e sua leveza! Eu vou lembrar da infância e de como era mágico ser criança. E ainda é mágico! Pois apesar de toda dor que sufoca o peito, eu ainda tenho os olhos de menina. Eu ainda sou a menina que se encanta com pisca-pisca no Natal. E que acredita em Papai-Noel. Pode falar que ele é um porco capitalista. Só que é o seguinte: a menina aqui sempre recria as coisas. O meu Natal não é o Natal cristão, o meu Papai-Noel não é o Papai-Noel que todo mundo conhece. O meu é só meu. As luzes piscando pela cidade são vagalumes. Eu amo luzes! Brancas, azuis, rosas, vermelhas, amarelas, roxas, cor de burro quando foge. A luz que for. Eu reinvento tudo. E dou o meu significado pra tudo. Você pode aceitar a maneira que as coisas foram feitas ou modelar a sua própria maneira. Eu acho mais divertido brincar com as coisas. Falando assim, nem pareço a pessoa que leva tudo a sério! Mas eu sou contraditória. E eu sou tantas, como disse. A mulher é a séria, a menina é a brincalhona sorridente. Eu sou as duas ao mesmo tempo. É, é difícil fazê-las conviver, mas é possível. Assim, dessa forma confusa... Eu sou pessimista e otimista de uma só vez. Com a mesma graça que vejo algo, enxergo sem graça. Não sei se você me entende... no fundo, todo mundo é assim assim.
Eu só sei que me encho de furor quando me sinto injustiçada e me encho de paz ao ver as gotas da chuva na janela escorrerem quase como se estivessem apostando corrida umas com as outras. E eu sinto vontade de chorar toda vez que me deparo com algo assim. E eu sinto vontade de sair pelo mundo correndo e chegar num lugar beeem alto e rodopiar com os braços abertos, sentindo o vento dominar todo o meu corpo. Mas eu também às vezes sinto vontade de me jogar desse lugar alto. E deixar meu corpo estatelar no chão. E eu sinto vontade de me rasgar. E eu sinto vontade de ficar sozinha. E sinto vontade de segurar a mão de alguém às vezes só pra ter certeza de que tudo ficará bem. E eu quero olhar as estrelas. Porque eu amo estrelas. E eu as sinto brilhar aqui dentro, já disse isso mil vezes, elas tremulam aqui, tal qual disse Clarice Lispector. Eu queria poder tocar as estrelas. Segurar uma por uma e roubar algumas. As mais bonitas. Só pra deixar as "feias" no céu pras pessoas aprenderem a apreciar o feio de vez em quando.
E eu quero dar beijos, muitos beijos. Beijar bochechas, bocas, pescoços, mãos, ombros...
E eu quero abraçar... quem for, o que for... envolver o que me cerca.
E eu quero ter mil rostos... mil corpos... mil vozes e sorrisos e risadas e choros. E eu quero que o meu sorriso seja o mais encantador para alguém. O sorriso que faz o coração parar, como diz uma música do Capital Inicial... E eu quero não sentir timidez... quero estar com as pessoas e me sentir confortável, completamente confortável e à vontade... e às vezes, quero me sentir desconfortável... às vezes quero que me deixem com vergonha, para adorarem meu rosto vermelho.

As pessoas falam de uma realidade que eu não sei sentir. Porque eu sempre fui utópica e sonhadora e fã de ilusões. Mas às vezes eu acho que quem se ilude são as pessoas que pensam que não podem ter uma vida de sonhos. É, pelo jeito, eu não levo as coisas tão a sério assim. Na verdade, quando falo em levar a sério, é porque eu sou tão intensa que quando algo me incomoda, me incomoda pra valer. Mas também quando sonho, é pra valer. Quando brinco, é pra valer. Seja algo ruim ou bom, é pra valer, é intenso. Eu sinto tudo... o problema é que de um tempo pra cá, tenho me sentido mal, pesada, mas eu quero a leveza da bolha de sabão!!! Eu quero flutuar por aí... não quero ter corpo nenhum me prendendo aqui... E eu só queria encontrar outras bolhinhas de sabão pra viajarem comigo... Você quer ser uma bolha de sabão pra partir comigo?

Pode ser fácil flutuar... só é preciso se permitir... eu vou me permitir de vez em quando, só pra variar. ;)

domingo, 17 de outubro de 2010

Tenho me sentido estranha... constrangida... Se bem que sempre me senti assim, desde que me conheço por gente eu estranho esse mundo, eu estranho a mim mesma e sinto constrangimento por estar aqui. É como se eu tivesse que pedir licença e desculpas o tempo tempo pra viver. Porque eu sempre me senti fora do lugar. Aí eu vou andando pelas beiradas, tomando cuidado pra não ser vista. Mas aí eu me encho de coragem e grito pro mundo que eu tô aqui. E depois me arrependo e a culpa aumenta. Que pretensão a minha querer que o mundo me veja! Quem eu sou? Uma ninguém... sou só mais uma vagando num mundo que não me pertence e que não pertenço. Eu não me encaixo aqui! Eu não me encaixo em lugar nenhum! Mas, ao mesmo tempo, eu queria estar em todos os lugares, em cada cantinho desse planeta, eu queria conter em mim todas as coisas! Mas não dá... eu deveria parar de desejar o que não dá. Mas viver sem sonhos é tão sem graça... E viver sonhando é desesperador...
O constrangimento não me deixa... eu sinto vergonha de mim... eu não consigo encarar as pessoas, as coisas... não suporto que elas me encarem de volta... Eu quero sumir... Mas, no fundo, eu gostaria de ser percebida, mas não da maneira que eu me encontro, mas talvez da maneira que eu seja realmente e que está perdida por aí. Eu não gosto da maneira que estou. Pois não é possível que eu seja assim, eu estou assim, apenas... por um motivo que eu não faço idéia... ou será que eu simplesmente não quero aceitar que essa Raquel seja a Raquel? O que há de errado com a Raquel? Não sei se há algo de errado, mas também não parece certo... Eu não sei... eu apenas não consigo olhar pra mim mesma e me ver! Por que eu não posso simplesmente estar bem? Por que eu tenho que arranjar uma maneira de me sentir mal? Por que eu gosto da tristeza? Por que eu não posso apenas acordar e me sentir viva? E por que tantos "porquês"? Eu procuro um sentido que não é possível achar. Uma coerência que não existe! Eu preciso viver uma coisa de cada vez. Mas eu quero atropelar tudo, maldita ansiedade!!! Eu quero ter tanto controle sobre as coisas que não me permito me perder... mas eu me perco... mas se eu não tivesse medo de me perder, perder-se não seria ruim... mas é tanto medo... eu preciso ter controle sobre as coisas!!! Mas eu queria me perder em um abraço... será que um dia vou confiar tanto em alguém a ponto de me entregar completamente ao seu abraço? Eu amo abraços... mas eles têm sido tão distantes... eu queria um abraço que fosse além dos corpos juntos, um abraço de alma, de essência, de sentimento, de pensamento, um abraço que realmente fundisse duas pessoas e não apenas tocasse dois corpos que não significam nada! Aliás, cansei dos corpos e de suas formas previsíveis... o que eu quero não tem forma!
Eu queria deixar de racionalizar... aceitar o caos e ter paz! Mas não me parece possível...
Está tudo tão distante de mim...
Eu quero ir embora... sair daqui... sair da mesmice (ou mesmisse?)... fugir do marasmo... fugir de mim... não aguento mais as mesmas coisas e pessoas!!! Os mesmos pensamentos cutucando incessantemente... a dor agulhando o peito... o ar que sufoca...
Eu vou embora antes que esmoreça de vez!
Adeus!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Desabafos...

No dia 25/09/2010 escrevi um texto, não terminei, mas coisas que falo nele continuam sendo verdade, então vou postar assim mesmo. Depois, vou postar outros textos, um de hj e outro de 2007.

"Eu não sei muito bem o que eu quero falar, mas algo pulsa aqui dentro querendo que eu fale... qualquer coisa que seja. Eu guardo tantos segredos que eles estão me matando... A minha vontade é de gritá-los... mas eu não posso... não posso pois não arcaria com as consequências, essa que é a verdade. Eu sou covarde. Eu sou uma menininha assustada! Uma menininha que criou um mundo próprio, um mundo de ilusões! E todos que tentam entrar nesse mundo acabam destruindo um pedaço dele e a menina não quer desilusões! Mas é só com o que ela tem se deparado: desilusões! E isto está matando a menina! Então, saiam do mundo dela!!! É bem verdade que ela quem leva as pessoas para o seu mundo, mas se ela der a mão pra você e te convidar pra entrar, não aceite! Não brinque com a menina, pois ela não sabe brincar! Ela cai nas próprias armadilhas! E quem sofre é ela! E você nem se dá conta! E não é culpa sua! Mas deixe a menina em paz... é só o que ela quer: paz!" (25/09/2010)

*********************************************************************************************

Cansei de mim. Estou em desavença comigo mesma, como disse o poeta Sá de Miranda: "Comigo me desavim/ Sou posto em todo perigo/ Não posso viver comigo/ Nem posso fugir de mim".
Eu não posso fugir de mim e cansei de não poder. Não posso viver comigo e cansei de viver. E cansei da minha idiotice. Cansei do mundinho de merda que eu criei pra mim. Mundinho de ilusões. Na verdade, cansei das pessoas esfregando o tempo todo na minha cara a realidade. Não cansei das ilusões, mas das desilusões. Eu poderia viver sonhando. Simples assim. Mas insistem em me fazer engolir a realidade. Eu não quero a realidade. Eu cansei da realidade. Eu cansei de falsas palavras: de ouvir e de dizer. Eu cansei de mentir. Eu cansei de me esconder atrás de máscaras. Eu cansei do meu sorriso, mas não cansei das minhas lágrimas. Eu cansei de querer ser alegre. A tristeza sempre combinou melhor comigo. Eu cansei de pensar nas pessoas. Eu cansei de só pensar numa pessoa. Eu cansei dos seus olhos azuis. Eu cansei da dependência e do apego. Eu cansei de ser patética. Eu cansei das palavras. De todas. Eu cansei dos sentimentos. Eu cansei dos meus pensamentos. Eu cansei de me sentir deslocada, de estar fora do lugar, de me sentir um peixe fora d'água em qualquer lugar que eu esteja, com qualquer pessoa que seja. E da sensação desconfortável que isso dá. Eu cansei das brigas. Eu cansei dos espelhos. Eu cansei de acordar. Eu cansei de querer chamar a atenção. Eu cansei de me fazer de vítima. Eu cansei de ser uma menininha assustada. Mas eu só tenho medo! Eu cansei da culpa! Da culpa que corrói cada pedaço de mim! Eu cansei de me sentir ridícula. Eu cansei dos desejos, das vontades. Eu cansei dos sons. Eu cansei das provocações baratas e joguinhos bobos! Eu cansei da minha timidez. Eu cansei do meu embaraço. Eu cansei da minha pele. Eu cansei da minha forma. Eu cansei da minha voz. Eu cansei das minhas reclamações e irritações. Eu cansei de ser humana. Eu cansei dos discursos, dos protestos. Eu cansei do meu olhar perdido. Eu cansei de cansar. Eu cansei de não saber. E cansei de saber. Eu cansei da gravidade. Eu cansei de ter os pés no chão. Eu cansei do amor. Eu cansei de só saber amar com raiva. Eu cansei da raiva. Mas a raiva que eu sinto de mim só aumenta. Eu cansei do ar. Eu cansei de respirar. Eu cansei de respirar fundo. Eu cansei de suspirar. Eu cansei de erguer a cabeça. Eu cansei do meu estômago. Eu cansei da ânsia. Eu cansei do aperto no peito. Eu cansei de querer agradar. Eu cansei de esperar a perfeição. Eu cansei de exigir. E de ser exigida. Eu cansei de querer abraçar o mundo. Eu cansei de me importar. Eu cansei de culpar os outros pela minha dor. Eu cansei da minha dor. Eu cansei de soltar a corda toda vez e me jogar no fundo do poço. Mas eu também cansei da superfície. Eu cansei do desânimo. E da preguiça. Eu cansei da rejeição. Eu cansei de ser amiga. Eu cansei da solidão. E cansei da companhia. Eu cansei de existir. Eu cansei de insistir nos mesmos erros. E cansei de tentar aprender com eles. Eu cansei do errado. E do certo. Eu cansei das coisas. Eu cansei da essência. Eu cansei desse texto. Cansei do desabafo. Cansei de tentar fazer algum sentido. Eu cansei do desespero. Eu cansei da desesperança. E da esperança. Eu cansei do antigo. Eu cansei do novo. Eu cansei das cores. E do preto e branco. Eu cansei de ser irresponsável. E cansei da responsabilidade. Eu cansei de crescer. Eu cansei de ser adulta. Eu cansei da idade. Eu cansei dos apoios. Eu cansei dos remédios. Eu cansei da falsa sensação de bem estar. Eu cansei da superação. Eu cansei da sobrevivência. Eu cansei do instinto. Eu cansei... Eu cansei de mim.
(04/10/2010)

********************************************************************************************

"Pulos...

Pulos desesperadores...

Ele se debate...

O chão agora é seu inimigo...

Ele se debate...se debate...

A angústia se intensifica...

Minutos de terror!

...

Os pulos já não são mais intensos...

Seus movimentos perdem força...

A luta desesperada pela sobrevivência desaparece...

Já não se debate mais...

O peixe fora d'água já não se move...

Morreu!"

(11-16/09/07)


É isso. O peixe fora d'água morreu... E eu cansei de morrer.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Sabe o disco de Newton? Aquele das cores que quando você gira rapidamente fica branco? Eu estou assim. Sinto tanta coisa ao mesmo tempo rodando aqui dentro que é como se fosse uma coisa só. E é como se o tudo fosse nada.
Eu me sinto apagando... E tudo ao meu redor está se apagando também. Já não distingo as coisas. Eu as vejo, vejo suas formas e contornos, eu as toco, mas é como se elas não existissem. É como num sonho, talvez. Estou perdendo a realidade. Estou presa em algum lugar entre a ilusão e o concreto. Eu não sinto o chão, é como se eu flutuasse e saísse de mim, mas ainda assim, eu me sinto emparedada. Nem que esse emparedamento seja da imensidão do espaço me oprimindo. E é tudo tão contraditório que sinto as coisas se anulando. Eu estou anulando. Deixando de existir*.
Não tenho ar. Estou sufocando! E as pernas tremem!
Estou entrando num estado de dormência que há muito não sentia. Sinto-me perder na imensidão. Desintegrando... É atordoante... Desespero sufocante, grito abafado. E nem adianta eu me debater. O corpo paira no borrão branco.
Eu estou tão desnorteada que não sei o que escrevo. Eu não tenho mais certezas... Não sei no que acreditar, se é que é para se acreditar em algo. Todas as minhas contradições se escancaram e é tudo caótico. E são muitas perguntas e não há respostas. Um emaranhado de idéias, pensamentos, conceitos me engole. Não há saída. Eu sabia que iria enlouquecer! E a loucura é tão solitária...


*
A morte absoluta

Morrer.
Morrer de corpo e de alma.
Completamente.

Morrer sem deixar o triste despojo da carne,
A exangue máscara de cera,
Cercada de flores,
Que apodrecerão – felizes! – num dia,
Banhada de lágrimas
Nascidas menos da saudade do que do espanto da morte.

Morrer sem deixar porventura uma alma errante...
A caminho do céu?
Mas que céu pode satisfazer teu sonho de céu?

Morrer sem deixar um sulco, um risco, uma sombra,
A lembrança de uma sombra
Em nenhum coração, em nenhum pensamento,
Em nenhuma epiderme.

Morrer tão completamente
Que um dia ao lerem o teu nome num papel
Perguntem: "Quem foi?..."

Morrer mais completamente ainda,
Sem deixar sequer esse nome.

(Manuel Bandeira)

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

"Sorria. Você está sendo analisado, julgado, massacrado. Sorria. Você está sendo apunhalado. Agradeça! Não seja mal educado. Se te derem um tapa, sorria! E dê a outra face! Sorrindo, claro! Docemente! Ingenuamente! Falsamente! Mente! Minta! Iluda! Camufle! Maquie! Mascare!
O estômago se corrompe, os ossos corroem, o peito murcha, os olhos pesam e os lábios sorriem..."

Escrevi esse texto no dia 30 de agosto desse ano, no metrô, voltando da faculdade. E é assim que venho me sentindo há um bom tempo. Eu escondo tudo, toda a minha dor, aflições, questionamentos, dúvidas, desespero, ilusões etc com um sorriso. Eu sorrio. Simples assim! É a única defesa que aprendi! Não que eu não sorria verdadeiramente, é claro que muitas coisas me fazem sorrir por simplesmente me fazerem bem, por eu gostar de algo, por estar feliz. Eu sorrio por querer sorrir. Mas eu sorrio por só saber sorrir! Na frente dos outros! Claro! Não sei porque tenho tanto medo de me mostrar para os outros. Não sei porque eu quero tanto que me vejam como uma pessoa forte, que está sempre bem. Por que não demonstrar minhas fraquezas? Por que não chorar na frente de todo mundo quando eu quiser chorar? Por que não gritar pra todos ouvirem a minha raiva? Porque eu sinto muita raiva. E o que isso tem de mais? Por que eu não digo o que penso? E por que tanto orgulho? Dizem que meu sorriso é bonito. Muitos dizem. Passei a gostar dele por causa disso. E aí eu só sorrio! E a quem eu quero enganar? É como se eu quisesse conquistar o mundo inteiro com meu sorriso! Como se ele pudesse me proteger de tudo e fazer todos caírem ao meu redor. Mas isto não é verdade! Eu sorrio e o máximo que acontece é eu sentir dor, muita dor a cada sorriso! E ninguém se abala com ele! E ele nem me protege! Só mascara tudo... e eu ando tão desiludida com o mundo... com as pessoas, comigo! A verdade é que eu sinto muita raiva de mim! MUITA RAIVA DE MIM! E finjo que a raiva é dos outros! NÃO É! É DE MIM!!! Eu estou furiosa! Meu sorriso é a minha máscara! E ela está pregada na cara... não sai. E aí que sorrir virou banal. E eu quero sorrir verdadeiramente, porque eu amo sorrisos! E toda vez que o sorriso é falso, eu morro. Porque, sim, eu posso morrer várias vezes. Já morri muitas! Nem dói mais morrer! Morrer não é o problema! Sorrir é! Sorrir dói! E eu preciso reaprender a sorrir! E quando eu digo sorrir, não falo em dar risada. Mas eu dou risada! E piora tudo. Porque eu também dou risada falsamente! Porque também é a minha defesa! A música já dizia "mas rir de tudo é desespero". É! É DESESPERO! Eu rio de tudo! É bom rir! Eu amo rir! Eu rio porque dá a falsa sensação de bem estar! Porque tudo parece mais fácil quando se ri! Porque o som da risada rompendo o silêncio me acalenta! Mas é falso! Tudo falso! Eu quis tanto me proteger dos outros, que não me protegi de mim mesma! Porque eu me firo! Eu me rasgo! O sorriso é um rasgo! Olha no espelho! Olha como o sorriso rasga seu rosto! Mas eu sempre gostei de me sentir rasgar! Eu sempre gostei de me punir! Eu sou culpada! Ou eu acho que sou culpada! Eu me culpo por tudo! Por que tanta culpa? Eu me culpo por sorrir! E eu não consigo nem olhar as pessoas mais! E eu as amo tanto! E as odeio tanto! Porque tudo em mim é intenso! Mas eu quero ficar na superfície! Eu quero que você só veja a minha superfície! Mentira! Nem a superfície! Se você não me visse, seria melhor! Mentira de novo! Eu queria que você me visse nua! Nua de culpas, de dor. Mas acho que é mentira outra vez! Eu só sei mentir! Fingidora profissional! E eu menti tanto que eu nem sei mais quem eu sou. O que eu quero? Eu não sei me relacionar com as pessoas! Deve ser porque eu não sei nem aguentar a mim mesma! Eu não sou livre de mim! E é por isso que liberdade é algo utópico! Você não é livre, não importa o quanto te digam que você tem escolhas! Elas são falsas! Você não é livre de si próprio e você é a sua pior prisão! Falar isso hoje, justo hoje (depois de ter visitado o Memorial da Resistência) parece ridículo! Mas falo de outra liberdade, meus caros! E até a palavra liberdade está presa no seu conceito, na sua significação... sempre presos... as prisões só mudam... meu sorriso é o meu pior carrasco. A cada "tudo bem" dito, é uma parte arrancada de mim... a cada mentira, é uma estrela que se apaga. Porque eu possuo estrelas. Elas brilham e tremulam aqui dentro! Elas doem! E todo o brilho delas ninguém vê! E eu que pensava que meus olhos diziam muito! E por isso eu nunca deixei as pessoas olharem muito pra eles! Pra não me descobrirem! Mas fiquei tão craque em camuflar, que meus olhos não dizem mais nada! Tudo o que têm a dizer está na parte de trás deles! Na frente, não tem nada! E eu não queria ter este corpo! Eu queria ser um borrão! Uma mancha! Uma impressão... odeio ter forma!
Eu estou perdida! Acho que agora entendo O Grito... ou não... eu não sei de mais nada... eu odeio essas palavras todas! Odeio que não posso materializar o que sinto ou o que não sinto... nem sei se sinto... eu só consigo pensar enquanto escrevo é no que as pessoas estão pensando disso tudo! E eu odeio isso!!! Porra! Odeio me preocupar com o que os outros pensam! É por isso que eu me fecho! Mas aí eu escrevo tudo isso aqui como uma tentativa de abertura. Mas será que realmente estou me abrindo? Essas palavras soam vazias pra mim! Não acho que ainda estejam me mostrando... porque eu só escrevo o que eu acho que você deve ler e saber. As outras milhões de coisas que estou pensando e sentindo enquanto escrevo, eu simplesmente não te mostro. Mas são as coisas que mais queria mostrar. Eu nunca vou te mostrar! Fingidora profissional! Aí eu respiro bem fundo... e sorrio! E sei que vou continuar fazendo isso até o fim! E você nunca saberá quando eu realmente estarei sorrindo por querer sorrir! É insuportável conviver comigo! Se você ainda não se deu conta disso, dará em breve! É insuportável! Mas você não se deu conta ainda nem do que eu estou falando aqui! E sabê por quê? Porque eu respirei fundo e sorri nas entrelinhas! E porque amanhã eu vou respirar fundo e sorrir. E depois também... e também...
Sorrir... só rir... rir... ir... me fui e me perdi. Mas continuo sorrindo e te convido a sorrir comigo. E mesmo quando eu chorar... estarei sorrindo. Porque o choro é um sorriso também.
E se você vier me perguntar disso tudo, eu vou sorrir e desconversar! Eu sou patética! E eis a gargalhada final...

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Bastão?
Bastam!
Tum! Pá! Hey!
Não pode cair.
Mas caiu.
Caiu.
Tum! Pá! Hey!
Bastam!
Basta!
Bas... tum... pá... hey...
Minha vez! Eu não quero!
A metáfora do bastão é a mesma da bola: "passa a bola!"
Não! Não passem a bola pra mim!
Hunf...
Por mim o bastão sempre cairia e a bola ficaria no canto...
Não preciso falar!
Blá!
Blá!
Blá!
Não preciso que me passem a porra de um bastão pra que eu tenha que falar!
Já passou pela suas cabeças que eu não quero falar? Pelo menos, não do modo que vocês acham que é falar... Eu falo o tempo todo. Infelizmente, as pessoas não aprenderam a me escutar, mas eu, eu tenho sempre que tentar me adaptar aos outros. Eu quero que os outros explodam com o seu blá, blá, blá irritante!
Eu escrevo... sim, não deixa de ser um monte de blá, blá, blá, mas convenhamos que as suas vozes irritantes e a minha voz irritante, as nossas vozes irrrr...rrri...TANTES, argh, ficam, ao menos, tolerantes quando só ecoadas no silêncio dos pensamentos...
Pensamentos...
Tenho aos montes! De todos os tipos e tamanhos! Freneticamente, eles correm... vocês acham que no meio dessa confusão, um bastão, um simples bastão de merda dado a mim vai fazer com que eu pegue um desses pensamentos e simplesmente abra a boca e o diga, assim, sem mais nem menos, jogado? Hahahaha... tenham dó!
Se vocês adoram o som do blá, blá, blá, eu entendo, mas eu não gosto. Quando essas vozes falam, as palavras soam vazias para mim. Incluse a minha própria voz. Ela não me diz nada! Minha voz não é nada! O som dela, quando emitido, rasga toda a essência que possa existir, qualquer fiozinho de sentido. Minha voz destrói o que quero expressar. Prefiro a minha voz escrita. Ou pensada! Nunca dita!
Eu estou agressiva. E não é pra menos! Tenho raiva do "falar". Do "escrever" também, diga-se de passagem, mas esse, eu ainda tolero. Chegará o tempo que escrever me será tão repugnante quanto falar... e pensar será ainda mais asqueroso... aí viver se tornará insuportável... pensando bem, bom que seja insuportável. Estou cansada de suportes. As palavras suportam ou tentam suportar o abstrato. Eu quero o insuportável! O indizível! Eu quero não ter que cercar de conceitos tudo o que eu sinto. Essa forma que sufoca. As palavras sufocam. Vejam quantos pontos finais nesse texto, quantas vírgulas, reticências... pra quê? Isso tudo só reprime...
Reprime!
Oprime!
Imprime!
Prime!
Rime!
Não sou livre! Não serei livre! Não posso fugir de mim... vocês podem? Não fugir de mim, mas de vocês mesmos? Vocês já tentaram fugir? Vocês já quiseram fugir?
Sumir... ser transparente... ser o nada... o tudo... não ter forma... não ter limite... NÃO DÁ!!!!!!!!
NÃO DÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁ!!!!!!!!!!
Grito em vão... do que adianta?
No final das contas, o bastão ainda vai estar lá!

terça-feira, 25 de maio de 2010

Vontade estática

Estática!
Está!
Ânsia!
Está!
Pá!
Parado!
Intacto!
Tato!
Chão!
Pé!
Imóvel!
Ânsia!
Pulso!
Pulsa!
Interno!
Externo!
Estático!
Está!
Tá!
Pá!
Fica!
Cá!
Não!
Não sai!
Bu!
Nada!
Dá!
Dá?
Não!
Por quê?
Quê?
Trava!
Vá! VÁ!
Não!
Cá!
Apenas!
Pena!
É!
É!
És!
Tá!
Estático!
Estática!

(Raquel Zichelle - 25/05/2010)

segunda-feira, 17 de maio de 2010

"Professor" sair gritando com os alunos no meio do corredor depois de uma apresentação, com o público ainda lá, é um desrespeito muito grande. E mais, é anti-ético e anti-pedagógico. Para ser um educador não basta ser um artista brilhante. Eu acredito na educação sem hierarquias, na educação que coloca o professor e o aluno no mesmo patamar, sem autoritarismo, sem superioridade, sem imposição. A educação "cala a boca e me escuta" já deveria estar ultrapassada. Concordo com o que diz Paulo Freire, "educar não é transferir conhecimento", então não me venha impor as suas verdades achando que eu tenho que aceitar passivamente. Não venha berrar as suas ideologias querendo enfiá-las goela abaixo. "Teatro é sagrado", ele gritou. Eu concordo, mas ele é sagrado por ser uma arte que é maior do que nós mesmos, maior do que nossos egos, maior do que ter seu nome em jogo (como ele tanto se preocupou). Mas se o "sagrado" tender ao fanatismo, dogmatizando a arte, colocando verdades absolutas e inquestionáveis, a arte deixa de ser, ao meu ver, arte. Eu, humildemente, escrevo essas palavras. Eu estudo e faço teatro há pouco tempo, o que eu sei se torna insignificante perto de tanto conhecimento que alguns artistas possuem (embora eu ache que nunca ninguém vá realmente saber teatro, arte pra mim não esgota o seu saber, é isso que me fascina), eu tenho a consciência de que nada sei, e quero passar a vida inteira aprendendo (e ensinando também, pq sou daquelas que acha que só se ensina aprendendo e vice-versa) e espero morrer ainda com aquela vontade de aprender. Se eu chegar ao ponto de achar que detenho verdades absolutas e por isso eu posso impô-las pras pessoas, então, minha vida não fará mais o menor sentido. Se eu achar que um aluno meu está indo para um caminho no qual EU não acho o melhor a ser seguido, o que eu devo fazer enquanto educadora é orientá-lo, ou melhor, apresentar para ele outros caminhos e deixar que ele pense, reflita e faça as suas próprias escolhas. Eu devo estimulá-lo a questionar, a pensar sobre as coisas e não berrar simplesmente: "NÃO FAÇA ISSO" e ponto final. Eu me questiono todos os dias sobre o que é arte, o que é teatro e não encontrei uma resposta que me satisfizesse (e acho que não terá uma só resposta), e acho que ninguém pode dizer pra mim o que é. NINGUÉM mesmo! Desculpe-me se eu não aceito imposições, se eu questiono (mesmo que internamente) tudo, TUDO, o que me dizem. Só assim eu saio do lugar, só assim eu aprendo! Aceitar o que o professor diz não me ensina absolutamente NADA.
Certamente, tudo isso que escrevi é questionável, apenas apresentei a minha maneira de ver a educação, mais especificamente, a educação de teatro. E também quis desabafar, pois fico profundamente abalada (e revoltada) quando um "professor" toma atitudes que, ao meu ver, podam o aprendizado em vez de estimulá-lo. E o pior, quando estas atitudes são tomadas pela pessoa que você menos esperava, pela pessoa que você tanto admirava. Por isso, volto a repetir, ser um artista brilhante não faz de você um educador. Mas é lamentável que numa ESCOLA de teatro se priorize o artista brilhante e se negligencie o educador.
É com profunda tristeza e decepção que finalizo este texto.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Sinto que estou fora de mim... como se eu não pertencesse ao meu próprio corpo, é como se não existisse corpo... nenhum corpo... nem o meu nem de nada. Eu vejo as coisas concretas e suas formas, eu vejo a minha forma, mas o que vejo não é o que sinto... não sinto as formas, os contornos, é como se tudo fosse uma coisa só, uma mancha, um borrão. Como se eu me misturasse no "Tudo" e por fazer parte do "Tudo" eu fosse "Nada". É como se eu não existisse. Não é estranho existir sem que se sinta existindo? Eu me olho no espelho, eu vejo meu rosto. Ele tem uma aparência engraçada, mas este rosto não significa nada, seus traços, suas feições, nada me dizem... só são engraçados... eu me vejo como se estivesse vendo outra coisa, outro alguém, porque eu não existo... ou melhor, eu não sinto a minha existência. Eu não sinto a existência de nada. Entre o que eu vejo e o que eu sinto há um abismo. As dores que eu sinto não são minhas... as dores são ausências... as dores são faltas... não se sentir deixa buracos... achava que a dor me preenchia, que doía por estar viva. A dor é só o buraco... o vazio... eu não me sinto... não sou um corpo no espaço... sou apenas o espaço... transparente...

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Eu nasci no mundo errado. Sim, errado. O lugar que deveria me acolher não parece em nada com este aqui. Só não sei se o meu lar está longe ou perto daqui... deve estar longe... se estivesse perto, acho que este mundo de cá seria, pelo menos, um pouquinho influenciado pelo de lá e não seria um lugar tão ruim de viver. Na verdade, neste mundo aqui, não se vive; no máximo, se sobrevive. No mundo de lá, se supervive. Eu queria superviver. Deve ser bom. É, deve... não sei... eu nem sequer vivo, quanto mais superviver... Mas imagino que a sensação de superviver seja a de estar com a pele arrepiada o tempo todo. Aqui, a pele só sente o peso de tantas imposições sem sentido... sem limites... Aqui a pele tem cores... e os habitantes brigam por causa delas. Eu ainda tô tentando entender o porquê. Mas neste mundo não se tenta entender os porquês... se aceita os porquês. Como eu não sou deste mundo, nasci aqui por engano, eu tento entender. Mas não é fácil. Dentre bilhões de pessoas (aqui, os habitantes são chamados assim), só poucas tentam entender as coisas. É que elas nasceram aqui por engano também... É, acontece! Eu não sei se as pessoas me consideram como uma "pessoa" também. Acho que quem nasce errado aqui, não é bem vindo. Eu não tive culpa, mas elas não perdoam. O que eu falo não é entendido por ninguém. E eu também tenho dificuldade de entendê-los. No meu mundo, aquele em que eu deveria viver, os habitantes se entendem, se respeitam, se amam, pensam. Aqui, não se pensa. Eu acho engraçadíssimo. Eu conheço o meu mundo, tenho dentro de mim lembranças (mesmo que nunca tenha estado lá), só não sei onde ele está. Onde ele está? Será que um dia eu vou para lá? Não sei... acho que quem nasce no mundo errado fica preso nele. Pra sempre! PRA SEMPRE! Tenho saudades do mundo em que eu nunca estive, mas é como se eu já tivesse estado. Que estranho... eu quase posso sentir a pele arrepiar... mas não se arrepia aqui... este é o mundo do não. "Não se... aqui!", se este mundo tivesse uma placa na sua entrada, seria esta. O mundo de lá não tem nome, não precisa, mas "lá se...", é o que posso dizer. No meu mundo se...

quarta-feira, 14 de abril de 2010

(Des)Aparecida

Fitas, cores, risadas, danças, tambores, músicas, barulhos... ruas agitadas, barraquinhas, fantasias, doces, salgados, cavalos, bandeirinhas, presentes, pessoas. Amigos, recém-amigos, colegas, amores... burburinhos em cada esquina, cervejas, cadeiras, sinos pela cidade, mais risadas, fotos, confusão, cansaço, chuva, ônibus, jornais, confissões, rostos vermelhos, blusas jogadas, beijos...

Menina!

Uma menina que contrapunha com o cenário! Dentro dela não era agito! Por mais que ela batesse o pé acompanhando o ritmo externo, internamente ela era mansa, calma, mole, flutuante. A menina era como o pôr-do-sol. Anunciava a noite que não demoraria a chegar! A menina estava em "slowmotion", enquanto tudo ao redor fervia. A ebulição externa não importava! O concreto não a satisfazia! O possível não a interessava! Era o impalpável que ela queria! É o que ela sempre quer! Por mais que doa! E dói! Ela sabe! Ela bem sabe...

Lágrimas testemunhadas somente pela janela, sua leal companheira!
Lágrimas que terminavam de apagar o rosto da menina! Na garganta, o ar embolava preso à parede...

Sorrisos falsos... rosto (ou espectro dele) erguido... a despedida!
Desaparecimento...

A menina sumia e cada parte arrancada de seu corpo doía!


E ainda dói!



Ela sabe!





Ela bem sabe...

terça-feira, 30 de março de 2010

Havia um Papai Noel pendurado, estático, esquecido na janela fechada. Abandonado no vidro empoeirado. A roupa vermelha igualmente empoeirada.
Sem pisca-pisca como companhia, o Papai Noel repousava sobre o vidro, pertencia a ele agora. Era parte da janela.
Sua escalada pela casa fora interrompida permanentemente. Falsos presentes intactos no saco preto. As pequenas mãos presas ao fio. Como numa foto, o bom velhinho restava parado num instante prestes a concretizar. O Papai Noel ficara lá suspenso na eternidade.
Esta cena foi contemplada pelos olhos de uma menina também abandonados numa janela. A diferença era que essa janela rodava a cidade e a menina com os olhos esquecidos no vidro acompanhava a paisagem que se impunha a ela. De tudo o que viu, o Papai Noel foi o único que alegrou os olhos solitários presos à janela. E a menina jurou amar o Papai Noel pra sempre!

quarta-feira, 24 de março de 2010

J'ai vu un garçon... il m'a souri... il est réel? Si je toucher son lèvre, quel goût je vais sentir? Je veux manger son sourire... je veux déguster son essence, lentement... len...te...ment...


(Excuse-moi pour mon français... =/)

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Eu preciso escrever... assim como muitos, é na escrita que encontro uma maneira de despejar minhas aflições. E são muitas! Acho que sem aflições eu seria como um boneco molengo jogado no canto do quarto, quieto, dobrado sobre o próprio corpo sem vida... São as aflições que inquietam-me e, embora eu saiba que são elas que me movem, preciso tirá-las de mim, como se eu desejasse ser o boneco jogado no chão. Tentativa vã. Não se pode acabar com as aflições, não com as minhas. Engraçado é perceber que eu já me senti muitas vezes como uma boneca sem vida, mas por qualquer outro motivo, nunca pela falta de aflições! Desculpem-me pelo "lenga-lenga", mas rodeios fazem parte da minha escrita. Não sou uma pessoa direta. Sempre preferi as entrelinhas, o que se diz às escondidas. Talvez por isso que eu goste tanto de olhares. Eles sempre escondem algo, mas clamam para serem descobertos, flagrados... e é um desses olhares que me aflige no momento. Estou obsecada por um. Um que nunca cruzou com o meu diretamente, um que nem sabe que eu, a garota das entrelinhas, existe! Clichê! Não escrevo novidades! E não tem como eu descrever o olhar sem cair na mesmice romântica. Por isso, não escreverei! Mas sem alardes, afinal, continuo a mesma patética de sempre: não me apaixono por pessoas, mas por sonhos, fantasias, clichês, heróis das páginas de livros, sorrisos, olhares, imaginações! O intocável, o inalcançável, o inatingível! São esses, meus caros, que fazem meu peito estreitar e sufocar! Se eu falar que amo você, não se deixe enganar, eu amo a imagem que eu criei de você. Eu amo o pensamento que tenho a seu respeito, o sonho que molda, a meu bem entender, você! Eu amo o irreal! Não amo a carne ou o osso, amo o sorriso e o olhar porque não posso pegá-los! Porque atrás deles há uma essência que ninguém toca, e eu desejo possuí-la! E o que eu amo é o delírio de tê-la! O que eu amo esvanece no ar... o que eu amo é sublime, transparente... O que eu amo é um olhar que nunca saiu da tela da televisão ou do cinema! Da página amarelada ou da foto envelhecida...
E eu caí na mesmice romântica... Talvez porque eu seja romântica. E seja a mesma!

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Incomoda-me a impertinência das pessoas... pessoas são tão intrometidas... e cansativas. Estou cansada de todas elas, todas, todas! Até de mim eu canso! Tão repugnante... como uma barata... tenho vontade de pisotear-me. Pisar em todos, também. Todos insetos, todos asquerosos... argh! Tenho asco de todos nós! Somos todos solitários, mas procuramos desesperadamente por alguém. Pra quê? Ninguém acaba com a solidão de ninguém! Mas um ser humano fica tão mais desprezível na presença de outro ser humano... fica tão mais insuportável! E dá aquela gargalhada estridente... um monte de insetozinho rindo junto... tem coisa mais grotesca e deprimente? Riem do quê? O que tem tanta graça? A própria desgraça? Sim, isso é algo engraçadíssimo, mas não é disso que riem... Riem da repugnância alheia... Isso é tão sem graça pra mim... Se vou gargalhar, que seja de mim mesma, há tanta podridão em mim! Eu não tenho mais medo de encarar o meu próprio horror... o que é terrível para meus olhos é ver tanta gentezinha junta! Chego a estremecer de medo, de nojo, de pena! E a gargalhada... essa dói nas entranhas... aquele som penetra nos ouvidos como se arrancasse tudo por dentro, até chegar no cérebro e dilacerá-lo! Tenho horror às pessoas... desprezo todas... e a mim! Pessoas são um amontoado de estrume... e isso ainda chega a ser um elogio... um monte de bosta jogado num canto! E isso é o máximo de admiração que alguém inspira em mim!