domingo, 10 de agosto de 2008

DO RISO FEZ-SE O PRANTO

De repente do riso fêz-se o pranto
silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fêz-se espuma
E das mãos espalmadas fêz-se o espanto.

De repente da calma fêz-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fêz-se o pressentimento
E do momento imóvel fêz-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fêz-se de triste o que se fêz amante
E de sozinho o que se fêz contente.

Fêz-se do amigo próximo o distante
Fêz-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais de repente.

(Vinicius de Morais- O OPERÁRIO EM CONSTRUÇÃO E OUTROS POEMAS)

2 comentários:

Fernanda Bello disse...

Uma vez assisti a peça "O Retrato de Dorian Gray" do livro homônimo (é essa a palavra?) e em certo momento a "mocinha" da história, ao sofrer da dor da rejeição do amor, começa a cantar trechos desse poema/música/seiláoquê... A cena foi tão linda que lembro da melodia até hoje. Isso foi em 2006. Lindo demais! Bjo.

Karina Zichelle disse...

Lindo!
Precisava disso!
Obrigada!!
^^